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Os impactos da guerra na economia brasileira

As projeções do mercado, conforme coleta da Pesquisa Focus, do Banco Central, mostraram, nesta manhã, uma nova onda de revisões para cima, já pela terceira semana consecutiva. Há quatro semanas, a mediana das estimativas coletadas indicava inflação de 3,91% para 2026. Agora, o mercado projeta 4,31% para a inflação medida pelo IPCA no encerramento de 2026. Também as projeções para 2027 pioraram, passando de 3,79% para 3,84%.

As projeções para o PIB, por sua vez, passaram de 1,82% para 1,85%, também em um período de quatro semanas. Não se trata de um quadro alarmante, como se vê, já que as perspectivas para a economia já se situavam no campo da desaceleração (e, agora, até melhoraram marginalmente), digamos, desde o ano passado. O PIB do último trimestre de 2025 apontou um consumo das famílias bem mais modesto, com taxa de variação equivalente a uma fração do desempenho de 2024. De todo modo, trata-se de um crescimento econômico baixa, que poderá ser ainda menor caso a guerra dure mais tempo.

Ocorre que as pressões inflacionárias se avolumam para redundar em aumento de custos de produção, o que se combina com juros mais resilientes, haja vista as preocupações manifestadas pelo Banco Central, na semana passada, a despeito de o nível de juros ser bastante elevado no Brasil. Não só se iniciou a redução dos juros de modo mais modesto (redução de 0,25 ponto de percentagem), como os comunicados oficiais deixaram dúvidas sobre a continuidade e a dimensão do ciclo de afrouxamento.

Do lado positivo, a balança comercial brasileira será beneficiada, dado que o país é superavitário na conta petróleo. Isso retira pressões, no curto prazo, do déficit externo (déficit em transações correntes) e ameniza parte dos efeitos negativos do quadro internacional sobre a economia doméstica. Também as contas públicas ganham um reforço temporário com a alta do petróleo (royalties, dividendos e receitas de impostos sobre faturamento e lucro).

Essas incertezas colocam ainda mais tempero no caldo de sabor quase inescrutável preparado para as eleições gerais de outubro. O elevado acirramento indicado pelas pesquisas de opinião, sugerindo repetição do quadro de 2022, nesse aspecto, pode ser afetado pela dinâmica econômica, a depender dos fatores expostos acima.

Argumentei, há duas semanas, neste espaço, que o Banco Central não deveria ter alterado seu plano de redução da Selic, aproveitando-se da enorme capa de gordura existente nos juros brasileiros. Afinal de contas, qualquer cálculo que incorpore o risco da economia brasileira, vis-à-vis ao das economias mais seguras, jamais indicaria uma taxa real de juros de 11%, nível que temos praticado sem dó.

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