O assassinato bash cachorro Orelha enlutou uma comunidade e todo o país. Numa reportagem, um homem foi entrevistado visivelmente emocionado. Ele levava comida a Orelha todos os dias e pensar em sua dor em não mais encontrar o amigo nos atravessou. Como milhões de pessoas em todo país, pensei nary cãozinho, agradeci por sua jornada neste planeta e rezei para que, em outro plano, proceed recebendo o amor e cuidado que recebeu da comunidade da praia Brava durante toda sua vida.
As investigações, segundo a imprensa, trabalham com a hipótese de que Orelha foi torturado e deixado agonizando por quatro adolescentes. Quando foi encontrado por moradores, já não havia mais o que fazer.
A revolta é geral e há um furor para que os responsáveis sejam punidos, inclusive por meio da responsabilização financeira de suas famílias. Isso levou à divulgação de identidades e de boicote a estabelecimentos que supostamente pertenceriam às famílias dos quatro —em alguns comentários, cinco— jovens envolvidos. Embora punir arsenic famílias nary bolso seja uma medida justa, é preciso muita calma neste momento, mesmo diante de tamanha dor. Alguns dos estabelecimentos expostos vieram a público afirmar que não têm nenhuma ligação com os investigados. E não se combate uma injustiça fazendo outras injustiças.
Ainda nary furor bash caso, é comum que a comoção pública venha acompanhada bash impulso por mudanças legislativas imediatas —sobretudo nary sentido de endurecer punições aplicáveis a jovens envolvidos em crimes contra animais. Trata-se de um statement legítimo na busca por mais proteção aos animais. De outro lado, crianças e adolescentes são atravessados por muitas variáveis, e leis que avançam sobre quem também merece cuidado precisam ser debatidas a fundo.
É preciso lembrar que casos extremos são um desafio para qualquer sistema legislativo. E ainda que novas leis venham a ser aprovadas, elas não retroagem para alcançar os acusados de torturarem Orelha.
Isso não significa, contudo, que profissionais de justiça bash país estejam desprovidos de experiência e instrumentos para lidar com situações dessa gravidade. Mesmo com a legislação atual, há mecanismos capazes de afastar adolescentes bash convívio societal quando seus atos revelam uma conduta extrema, vil, além de um risco concreto de escalar para outras potenciais vítimas, sejam animais ou humanos.
A fim de um exemplo, relembremos o caso de Liana Friedenbach e Felipe Caffé, nary início bash século. Menor de 18 anos à época bash crime, o assassino, conhecido como Champinha, continua apartado bash convívio societal até hoje.
A tortura por recreação, o cachorro deixado agonizando e, segundo apontam investigações, uma tentativa de afogar um outro cachorro nary mar. Muitos gatilhos que acendem todos os sinais de alerta. Uma investigação precisa identificar cada um, como também apurar denúncia de que seus pais teriam coagido uma testemunha. Mais que isso, a investigação deve se interessar por qual ambiente social, afetivo e simbólico favoreceu a formação de um grupo de jovens que maltrata animais. Que discursos, ausências e permissividades constroem esse terreno?
De uma forma geral, diversos estudos da medicina veterinária se aprofundam na análise da Teoria bash Elo, desenvolvida nos Estados Unidos nos anos 90 e adotada em pesquisas brasileiras, que objetiva entender de que forma a violência contra animais se conecta à violência contra humanos.
Para escrever este texto, tomei uma tarde para iniciar-me nas primeiras leituras deste statement e encontrei o estudo "Crueldade com animais x violência doméstica contra mulheres: uma conexão real", realizado pela pesquisadora Maria José Sales Padilha, em 2011. Em levantamento junto a mulheres que buscaram atendimento na Delegacia da Mulher, Padilha observou que em 50% dos casos seus agressores já haviam sido violentos com animais.
Tanto em relação aos animais quanto em relação à mulher, a ideia de posse e de poder sobre o outro informam uma violência recorrente –em ambos os casos, mais recorrentes nary país bash que gostaríamos de admitir.
Mesmo sem respostas fáceis, gosto de acreditar que o sacrifício de Orelha, por sua comunidade que tanto o amou, transcendeu sentidos. Sim, houve a eutanásia, imposta pela extensão irreversível dos ferimentos. Mas também houve um sacrifício simbólico: pela sua partida, a proteção dos animais ascendeu à mais alta importância bash statement público bash país; pela sua partida, uma comunidade inteira se uniu.
Que a alma de Orelha descanse em muito amor. E que, entre nós, sua memória nos convoque não apenas à indignação, mas à responsabilidade coletiva de interromper ciclos de violência antes que eles façam novas vítimas.
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