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Paes deixa a Prefeitura do Rio com promessa quebrada, linguagem bolsonarista e apoio a Lula

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), 56, renuncia nesta sexta-feira (20) ao cargo para disputar o governo estadual descumprindo promessa de campanha e apresentando os sinais de seu discurso eleitoral neste ano.

Na última semana no cargo, provocou embates com o governador Cláudio Castro (PL) no setor de transportes e segurança pública. Ao mesmo tempo, adotou o termo "neutralizar" para se referir à morte de criminosos em confronto para sinalizar uma política linha dura ao eleitor bolsonarista, majoritário no Rio de Janeiro.

Paes garante manter apoio ao presidente Lula nas eleições, mas tem buscado proximidade de nomes alinhados ao senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência. Ele entregou a indicação da vice para o ex-deputado Washington Reis (MDB), alinhado ao provável adversário do petista.

O prefeito afirma ter o aval de Lula para fazer esses movimentos num estado em que Lula perdeu em 2022 na disputa contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. O pré-candidato ao governo diz que não pretende nacionalizar a disputa.

Paes é o prefeito que por mais tempo comandou o Palácio da Cidade: 13 anos e 2 meses e 20 dias, superando seu antigo padrinho político, Cesar Maia (12 anos). É também o primeiro a renunciar ao cargo desde a redemocratização.

Ao deixar o cargo, o prefeito descumpre uma promessa de campanha feita durante a disputa pela reeleição, em 2024, quando declarou ser sua obrigação concluir o quarto mandato que disputava.

Ele tem dito que sua candidatura ao governo é um forma de contribuir ainda mais com a cidade. Aliados afirmam que a mudança não provocará rejeição, pois, segundo pesquisas internas, o eleitor de Paes deseja que ele concorra ao Palácio Guanabara.

Com a saída, assume o vice-prefeito Eduardo Cavaliere (PSD), 31, que será o mais novo a ocupar o cargo na história da cidade.

A última semana de Paes no cargo foi usada para sinalizar os discursos de campanha até outubro.

Na segurança pública, o prefeito vem demonstrando apoio às operações policiais, se afastando de críticas feitas pelo próprio presidente Lula às ações como a do ano passado no Complexo do Alemão, quando 122 pessoas morreram, dos quais cinco policiais.

Na manhã desta quinta-feira (19), ao comentar a operação da polícia no morro dos Prazeres, em Santa Teresa, o prefeito defendeu as incursões com termos bolsonaristas, mas criticou Castro por não ter um plano de ocupação de áreas dominadas pelo crime organizado.

"Chegou a hora de terminar com a hipocrisia tradicional no Rio: se um delinquente ameaça a vida de um agente do Estado ou de um cidadão, só o Estado constituído tem o dever e o direto de neutralizar esse delinquente. Paremos com essa falsa assimetria de tratar policiais como devem ser tratados os delinquentes", escreveu em suas redes sociais.

O termo "neutralizar" é usado como um eufemismo no meio bolsonarista para se referir à morte de criminosos em confronto.

Um dia antes, na quarta-feira (18), o prefeito usou pela primeira vez o termo em suas redes ao criticar o fato de o Complexo do Alemão continuar sendo usado como "quartel-general" do Comando Vermelho, mesmo após a Operação Contenção.

"Retomem a autoridade e o monopólio da Força do Estado. Tem que ficar até ter o controle e trazer paz pra quem mora lá! Se tiver que neutralizar mais 200 que seja feito mas restaurem a ordem! Não adianta ir e sair! Só lembrando: esse governo do Cláudio Castro(PL) já está aí há 8 anos! Tudo gente com gogó e conversinha de valente mas sem ação efetiva! Isso vai mudar!", escreveu.

Na segunda-feira (16), o embate foi no setor de transportes, quando a prefeitura iniciou a operação do chamado BRT Metropolitano, que prevê a ligação entre municípios da Baixada Fluminense e a rede de corredores viários da capital fluminense.

A primeira linha ligaria Mesquita ao Terminal Pedro Fernandes com a promessa de reduzir tempo e custo aos passageiros. O Detro (Departamento Estadual de Transporte Rodoviário), contudo, afirmou que o município estava invadindo atribuição do estado e proibiu a circulação dos ônibus. Um coletivo foi rebocado e o secretário municipal de Transportes do Rio de Janeiro, Jorge Arraes, foi ameaçado de prisão caso insistisse no serviço.

"Alô povo da Baixada Fluminense, especialmente de Mesquita. O governo Cláudio Castro acabou de apreender um ônibus nosso do BRT Metropolitano que vai atender o morador da Baixada pela metade do tempo e metade do preço! Que gente desrespeitosa. E tem mais: estão defendendo a máfia dos ônibus e a tragédia que são esses ônibus intermunicipais. Não fazem e não deixam fazer!", escreveu Paes.

No fim do dia, houve um acordo para o início da operação da linha de Mesquita para o terminal.

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