Marco Rubio procura, em nome de Trump, uma Delcy Rodriguez cubana. Corre o rumor de que já teria encontrado, na figura de Raulito Castro, El Cangrejo. O neto de Raúl Castro não ocupa cargo oficial algum, mas opera nos bastidores como sombra do avô. Miguel Díaz-Canel, presidente figurativo, colocou-o em posição visível durante o discurso no qual anunciou negociações com a Casa Branca. A transferência hereditária do poder típica das monarquias não é incomum em ditaduras de esquerda.
O caos e a violência desatados por Trump removem máscaras. Poder popular? Anti-imperialismo? Socialismo? Esqueça: o regime cubano, tal qual o venezuelano, busca exclusivamente a própria sobrevivência. Ou, em outras palavras, a continuidade da pilhagem perene dos recursos minguantes de uma economia em ruínas. Ontem com a URSS; hoje com os EUA.
Na Venezuela, Trump substituiu a ideia de mudança de regime pela de subordinação do regime aos seus interesses. A negociação deflagrada pela extração de Maduro envolveu Rubio e Diosdado Cabello, a eminência parda da ditadura cleptocrática que molda cada ato de Delcy e de seu irmão Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional chavista. Obedientes, os novos parceiros de Trump passaram leis destinadas a entregar a empresas americanas os campos de petróleo e o setor da mineração.
Soberania popular? Esqueça: María Corina Machado depositou o futuro da oposição nas mãos de Trump, adiando indefinidamente a exigência de eleições livres. A esperança compartilhada pela Casa Branca e pelo regime títere é que a recuperação das rendas petrolíferas produza alguma legitimidade social ao governo colaboracionista.
Nos sonhos de Trump, Cuba seguirá o "modelo" da Venezuela, apenas com um desvio. Os EUA exigem, em troca da suspensão do embargo, a abertura da economia da ilha aos investimentos dos cubano-americanos e a renúncia de Díaz-Canel. A primeira parte já está em curso. A segunda, gesto simbólico de capitulação, concluiria o pacto neocolonial.
Cuba não é a Venezuela. A segunda abriga reservas imensas de petróleo e de minérios valiosos. A primeira carece de riquezas, mas ocupa um lugar ideológico singular: quando Raulito ajoelhar-se diante de Rubio, perecerá de uma vez por todas a mística da revolução que enfeitiçou a esquerda latino-americana.
Uma segunda diferença esclarece o desvio do modelo. Ao contrário dos imigrantes venezuelanos, refugiados sem dólares, voz, ou voto nos EUA, os cubano-americanos formam um pilar do eleitorado republicano. Trump não pode ignorá-los, ao traçar os contornos do futuro de Cuba. Daí que, segundo o plano de Rubio, no final do arco-íris, o poder cairia nas mãos deles.
O objetivo da Casa Branca na Venezuela é preservar o regime autoritário, evitando eleições livres. Já seu objetivo em Cuba é conservar a ditadura pelo tempo necessário à transferência das propriedades e dos negócios aos cubano-americanos. Trata-se, por meio da transição ditatorial, de impedir a organização política da sociedade civil cubana, cujos interesses não convergem com os dos exilados na Flórida. A nova elite dirigente cubana, exportada pelos EUA, aportará em navios.
"Hay que endurecerse, sin perder la ternura." Raulito, o ditador da transição, aprendeu a lição de Guevara. Marchará sob o estandarte de Trump entoando a Internacional.

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