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Passagem de Rafah, entre a Faixa de Gaza e o Egito, registra movimentação às vésperas de reabertura

A passagem de Rafah, na fronteira da Faixa de Gaza com o Egito, apresentou atividade neste domingo (1º), enquanto Israel afirmou que viagens limitadas de entrada e saída do território devem ser retomadas na segunda-feira (2), após anos de isolamento quase total. A reabertura da passagem é um passo fundamental à medida que o cessar-fogo entre Israel e o Hamas avança.

Caminhões com ajuda humanitária e ambulâncias fizeram fila para passar pelo ponto neste domingo, em meio à reabertura em caráter de teste.

O COGAT, órgão militar israelense que controla a entrada de ajuda em Gaza, disse em nota que o posto estava sendo preparado ativamente para uma operação mais ampla, destacando que moradores de Gaza começariam a atravessar a fronteira na segunda.

Rafah é uma cidade ao sul de Gaza e era a principal passagem para pessoas que entravam e saíam de Gaza. O ponto esteve, em grande parte, fechado desde que foi tomada por Israel em maio de 2024. É a única saída da Faixa de Gaza ao exterior que não passa por Israel.

A reabertura foi pedida pela Organização das Nações Unidas (ONU) e por ONGs internacionais para permitir a entrada de ajuda no território palestino, devastado por dois anos de guerra contra o grupo terrorista Hamas.

Caminhões com ajuda humanitária são vistos próximos à passagem de Rafah, entre o Egito e a Faixa de Gaza, neste domingo (1º) — Foto: Mohamed Arafat/AP

Israel anunciou que a passagem fronteiriça estará limitada "ao trânsito dos habitantes" da Faixa de Gaza.

“O retorno de moradores do Egito para a Faixa de Gaza será permitido, em coordenação com o Egito, apenas para residentes que deixaram Gaza durante o curso da guerra, e somente após autorização prévia de segurança por Israel”, disse o COGAT.

Cerca de 20 mil crianças e adultos palestinos que precisam de atendimento médico esperam deixar Gaza por meio da passagem de Rafah, enquanto milhares de outros palestinos fora do território esperam retornar para casa.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que Israel permitirá a saída de 50 pacientes por dia. Segundo um funcionário envolvido nas negociações, que falou à agência Associated Press sob condição de anonimato, cada paciente poderá viajar com dois parentes, enquanto cerca de 50 pessoas que deixaram Gaza durante a guerra poderão retornar diariamente.

Israel afirmou que, junto com o Egito, fará a triagem de pessoas para entrada e saída pela passagem, que será supervisionada por agentes de fronteira da União Europeia. A expectativa é que o número de viajantes aumente ao longo do tempo, caso o sistema seja bem-sucedido.

Infográfico mostra limites entre Faixa de Gaza, Rafah, Israel e Egito. — Foto: Editoria de arte/g1

Negociações após acordo de cessar-fogo

Nicolay Mladenov, diretor-geral do conselho de paz de Trump para Gaza, publicou no domingo uma mensagem no X pedindo às partes que “exerçam contenção e respeitem o cessar-fogo”. Ele disse que seu escritório trabalha com o comitê palestino escolhido para supervisionar Gaza para “encontrar maneiras de evitar incidentes futuros”.

Ambulâncias fazem fila para cruzar a passagem de Rafah para a Faixa de Gaza, às vésperas de reabertura oficial — Foto: Mohamed Arafat/AP

Também no domingo, o Ministério da Diáspora de Israel afirmou que está “avançando para encerrar” as operações dos Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Gaza.

A medida ocorre após Israel ter suspendido, em dezembro, as atividades do grupo em Gaza por ele se recusar a cumprir novos requisitos de registro israelenses, que exigiam que as organizações apresentassem listas de funcionários locais. A entidade afirmou que as novas regras poderiam colocar sua equipe palestina em risco.

“O MSF cessará suas operações e deixará a Faixa de Gaza até 28 de fevereiro de 2026”, disse o ministério em nota, usando a sigla do nome francês da organização.

A entidade não comentou imediatamente, mas escreveu na sexta-feira no X que havia finalizado sua decisão de não compartilhar listas de funcionários.

O cessar-fogo atual interrompeu mais de dois anos de guerra entre Israel e o Hamas, iniciada com um ataque liderado pelo Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro de 2023.

  • A primeira fase da trégua previa a troca de todos os reféns mantidos em Gaza por centenas de palestinos detidos por Israel, o aumento da ajuda humanitária, extremamente necessária, e uma retirada parcial das tropas israelenses.
  • Já a segunda fase é mais complexa. Ela prevê a instalação de um novo comitê palestino para governar Gaza, o envio de uma força internacional de segurança, o desarmamento do Hamas e medidas para iniciar a reconstrução.
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