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Pesquisa mostra que 38,2% dos brasileiros se autocensuram em conversas políticas com a família

Pesquisa do Instituto Sivis, dedicado à defesa da liberdade de expressão, mostra que uma grande parcela dos brasileiros se autocensura em manifestações, por medo de retaliação social, profissional ou legal.

Segundo o levantamento, 38,2% dos brasileiros deixam de se expressar em conversas políticas com a família ao menos uma vez ao mês. Para 20%, isso acontece com frequência.

A pesquisa ouviu 1.109 pessoas entre 15 e 29 de abril, de maneira presencial, com margem de erro de três pontos percentuais.

Nas redes sociais, 32,5% relataram autocensura ao menos uma vez ao mês, sendo 14,9% com frequência.

Outro dado mostra que um terço dos brasileiros relatam já ter sentido medo de serem prejudicados ou perseguidos por autoridades ao expressar opinião sobre assunto polêmico. Destes, 15,3% afirmam sentir esse medo com frequência.

Ao criticar publicamente políticos, agentes públicos ou políticas de governo, 31,2% relataram o mesmo receio, com 15,4% sentindo-o frequentemente.

O temos é maior entre brasileiros que se identificam mais com a direita, atingindo 36,1% dos entrevistados neste segmento. O patamar é mais que o dobro dos que se identificam com a esquerda (17,4%) ou com o centro (18,5%).

Mas é a legalização do aborto o tema que mais intimida o debate, com 47,9% se declarando relutância em discuti-lo.

Em seguida aparecem política e eleições (34,5%) e legalização do porte de armas (34,1%) como os temas mais delicados. Já hobbies e preferências gerais (78,7%) e liberdade de expressão (71,2%) são os assuntos que geram menor receio na discussão.

Para Fernanda Trompczynski, pesquisadora do Sivis, "a hierarquia do desconforto revelada pelos dados não é aleatória".

Segundo ela, temas que permanecem no plano das ideias, como a liberdade de expressão, provocam maior abertura ao diálogo, ao contrário de pontos mais concretos, como a legalização do aborto.

"É o dado sobre eleições que mais preocupa. Cerca de 1 em cada 3 brasileiros declara relutância em discutir política e eleições. Uma democracia é, ou deveria ser , pautada no atrito entre perspectivas divergentes. Essa retração do debate é o que a literatura chama de espiral do silêncio: quando as pessoas percebem que suas opiniões são minoritárias ou malvistas, tendem a se calar", afirma.

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