O bombeiro do Distrito Federal Rodrigo Guilherme Rocha Altino, 49, voltou ao Hospital Regional da Asa Norte, na quinta-feira (30), ainda com dificuldade para andar. Mancando, ele retornou à unidade apenas para trocar o curativo das queimaduras deixadas pelo raio que o atingiu durante o evento do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), em Brasília.
Rodrigo esteve entre as 89 pessoas atingidas no episódio do domingo (25), sendo que 47 delas precisaram de atendimento em unidades de pronto-atendimento. Ele foi um dos casos mais graves, chegando a não sentir as pernas após ser atingido.
Ele também teve queimadura na região pubiana e ficou internado, recebendo alta apenas na segunda-feira (26). "Quando eu fiz força, minhas pernas estavam inertes e minha esposa percebeu um sangramento na região pubiana", disse.
Os médicos explicaram a Rodrigo que a dor persistente e a dificuldade de andar decorrem de uma contratura muscular severa causada pela descarga elétrica, que resultou em uma produção elevada de ácido lático. A troca de curativos acontece a cada quatro dias.
Ele contou que havia cerca de uma hora que aguardava a chegada da caminhada liderada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Ele estava com a esposa e parentes próximos, sob a proteção de um guarda-chuva, como outros participantes do ato, distante cerca de dois metros do gradil. O clarão veio de repente, seguido de um estrondo ensurdecedor.
"Foi um único raio no local que aconteceu, antes não havia nenhuma sinalização", relatou, destacando que não houve qualquer orientação prévia para a retirada do local.
Em segundos, o corpo de Rodrigo foi lançado ao chão junto com o de outras pessoas. Ele relata que todos caíram uns sobre os outros, alguns desacordados. Muitas pessoas chegaram a ficar por cima dele.
Movido pelo instinto profissional, tentou se levantar para prestar socorro, mas percebeu que não sentia as pernas enquanto parte da multidão se erguia e tentava entender o que havia acontecido.
O resgate contou com a ajuda de populares, que o levaram para um local mais seguro onde foi imobilizado por colegas de profissão e conduzido para atendimento médico.
Ao ser questionado sobre o que o levou ao evento, o bombeiro citou que foi o atual cenário político e uma insatisfação generalizada. Para ele, a presença no ato foi uma forma de manifestar descontentamento, exercendo o que considera um direito constitucional de reivindicar mudanças.
Entre os motivos, ele citou a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), classificando como injustificadas as prisões relacionadas aos ataques de 8 de janeiro. Também afirmou acompanhar o trabalho de Nikolas desde antes das eleições de 2018, por afinidade ideológica.
Ele explica que essa não foi a primeira vez que participou de atos. Ele confirmou já ter estado em outras manifestações na praça e em vigílias no QG (Quartel-General) em duas ocasiões antes do dia 8 de janeiro, data na qual ele ressaltou não estar presente.
Apesar do susto e das limitações físicas temporárias, ele afirma que não hesitaria em participar de futuras mobilizações, desde que sejam ordeiras e dentro da legalidade. "Para o que foi o evento, para a descarga que foi, eu estou 120%", concluiu, demonstrando otimismo em sua recuperação.

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