Altas foram motivadas pelas restrições impostas ao Estreito de Hormuz. Desde o início dos ataques coordenados por Estados Unidos e Israel, o Irã mantém bloqueada a rota de circulação de 20% do petróleo mundial. A limitação restringe a oferta do combustível e, consequentemente, aumenta os preços.
Acordo e paz
EUA e Irã anunciam acordo para fim da guerra no Oriente Médio. A conclusão das tratativas foi apresentada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, em publicação na rede social Truth Social. O republicano afirmou que as tratativas vão autorizar a abertura integral de Hormuz sem pagamento de pedágio, além da remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos ao Irã.
Com a abertura do Estreito após a assinatura do acordo na sexta-feira [dia 19], para fins de remoção de minas, o petróleo voltará a fluir em ambas as extremidades para a região e para o mundo.
Donald Trump, na Truth Social
Por que Hormuz é tão estratégico

Estreito de Hormuz é um gargalo que liga o golfo Pérsico ao golfo de Omã e ao oceano Índico. Antes do início da guerra, cerca de 20% do petróleo consumido no mundo passava por ali, o que torna qualquer ameaça à navegação um problema com efeito imediato no mundo.
Importância do estreito vai além do petróleo. A avaliação é que uma interrupção ampla na passagem tem potencial de pressionar preços e afetar cadeias de abastecimento, justamente por concentrar parte relevante do fluxo marítimo de combustíveis e fertilizantes.
Hormuz se enquadra como estreito utilizado para navegação internacional. A passagem tem regras específicas na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. O tratado, conhecido como Convenção de Montego Bay, prevê o regime de passagem em trânsito, que garante travessia contínua e rápida a navios e aeronaves, civis e militares, sem autorização prévia.
Pelo texto da convenção, países costeiros não podem impedir nem suspender a passagem em trânsito. O artigo 44 determina que não haja suspensão e que os Estados deem publicidade a perigos à navegação, enquanto o artigo 39 impõe aos navios o dever de não praticar atividades sem relação com o trânsito, como ameaça ou uso da força.
Mesmo sem ter ratificado a convenção, o Irã é apontado como obrigado a respeitar regras que viraram costume internacional. A avaliação é que disposições sobre estreitos são tratadas como direito internacional consuetudinário, reforçado por decisões anteriores da Corte Internacional de Justiça sobre passagem em estreitos internacionais.

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