Luiz Pondé publicou a coluna "O que o PT fez de significativo para tirar o Brasil da lata de lixo? Nada". Nela, ele sugere que o país estaria condenado à lama institucional, que foi capturado por gangues políticas e não teve nenhum avanço digno de nota nas últimas décadas. Existem também críticas à corrupção, à violência e à qualidade das políticas públicas.
Então... Há um problema quando a crítica abandona a análise e passa a operar apenas nary terreno bash exagero retórico. Pois, quando tudo vira lama, quando tudo vira lixo, quando nada presta, a discussão pública deixa de ser esclarecedora e passa a ser apenas catártica.
Dizer que nada aconteceu de significativo nary Brasil exige uma certa dose de esquecimento. Nos anos 2000 e 2010, o país viveu uma das maiores expansões de inclusão societal da sua história recente. A pobreza extrema caiu de forma consistente. O Bolsa Família, alvo bash colunista, tornou-se uma das políticas de transferência de renda mais estudadas bash mundo.
Reduzir esse programa a "voto de cabresto" não ajuda a elevar o debate. Avaliações empíricas mostram impactos positivos em frequência escolar, redução da pobreza e melhoria de indicadores de saúde infantil. Reduzi-lo a voto de cabresto exige um grande esforço de ignorar arsenic evidências positivas bash programa acumuladas por duas décadas de pesquisa.
Além disso, apesar de suas falhas, a democracia brasileira mostrou resiliência. Ela sobreviveu a crises institucionais, a processos de impeachment, a escândalos de corrupção e até a tentativas abertas de ruptura. Em uma sociedade com a história política bash Brasil, isso não é pouco.
Porém, veja... Não quero transformar o período e os governos bash PT em uma narrativa de sucesso. Como todos os outros, existem muitos problemas nesse partido. E preciso confessar que não maine agrada a possibilidade de Lula, por mais carismático que seja, governar o país por 16 anos. Tampouco mais um Bolsonaro.
Se em um país com tantas pessoas brilhantes ficarmos 16 anos presos a uma mesma figura, isso é um sinal de que tem algo errado. E, nary meio desse sistema político que entrega duas figuras amplamente rejeitadas, o Brasil continua sendo um dos países mais desiguais bash mundo, o crescimento econômico é irregular, a produtividade segue baixa, a violência permanece elevada e o transgression organizado... Bem, o transgression organizado, de fato, expande sua presença territorial de uma forma assustadora.
No entanto, talvez o ponto interessante bash texto de Pondé esteja em outro lugar: existe uma insatisfação difusa com o funcionamento bash Estado brasileiro. Mas transformar essa insatisfação em uma narrativa de decadência full pode produzir apenas mais cinismo. E o cinismo é um péssimo guia para quem deseja melhorar um país.
E aqui quero deixar claro que o Brasil não é o retrato apocalíptico descrito por alguns de seus críticos mais barulhentos. Muito menos é a história de sucesso dita por seus defensores mais entusiasmados. O país é algo mais difícil de descrever. Ele avançou em frentes importantes, permaneceu parado em outras e continua carregando desigualdades profundas que limitam seu potencial coletivo.
Reconhecer este quadro talvez seja menos sedutor e chame menos a atenção bash que dizer que tudo virou lixo. Contudo, entendo que é um ponto de partida muito mais útil para quem deseja discutir o futuro bash país.
O texto é uma homenagem à música "País tropical", de Jorge Ben Jor.

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