Saúde e segurança pública se consolidaram como principal preocupação dos brasileiros para as eleições de 2026, segundo o Datafolha. Mas enquanto na saúde pública discutimos políticas a partir de metas, indicadores e séries históricas, a segurança segue dominada por discursos performáticos e estatísticas frágeis.
Para controlar doenças biológicas, desde 1991, temos o Datasus (Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde), que processa, confere, agrega e disponibiliza de forma verdadeiramente acessível praticamente tudo referente à saúde pública no país.
Na teoria, existe um paralelo na segurança pública: o Sinesp (Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública). Na prática, porém, estamos muito longe de algo equivalente ao Datasus. Hoje dependemos do trabalho hercúleo de organizações como o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Instituto Sou da Paz para consolidar um monitoramento confiável e verdadeiramente compreensível da criminalidade no país.
A primeira camada estrutural que nos atrapalha é a ausência de padronização na contabilização e divulgação das ocorrências criminais, o que impossibilita fazermos um raio-x da realidade nacional. Apesar dos avanços resultados dos esforços de anos de especialistas dentro e fora do poder público, os estados ainda resistem à adesão real e a integração ainda engatinha.
Em entrevista à coluna, o ex-secretário nacional de Segurança Pública Mario Sarrubbo acredita que o principal entrave é a resistência dos governadores, que temem perder o controle da narrativa sobre a gestão da segurança pública em seus estados.
Para Samira Bueno, diretora executiva do Fórum, é essencial também a disponibilização periódica dos microdados anonimizados (o detalhamento das ocorrências com exceção apenas da identificação de vítimas e autores). Enquanto estatísticas agregadas por região ou bairro, por exemplo, ajudam a compreender tendências gerais, os microdados por rua são essenciais para a atuação cirúrgica e integrada que a segurança pública demanda.
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Muitas prefeituras, por exemplo, nem sequer conseguem acessar esse nível de informação para orientar ações básicas de prevenção, como melhorar iluminação e redistribuir guardas civis. A frequência da publicação é imperativa: de que adianta tomar decisões hoje com base na realidade de um ano atrás?
A padronização e a disponibilização dos microdados também são essenciais para avaliarmos de forma independente os discursos eleitoreiros de redução da criminalidade. Dados agregados são muito mais fáceis de manipular. Alterações metodológicas na canetada entregam vitórias para governadores sem que isso necessariamente se reflita na vida do cidadão.
O caminho mais efetivo para superar a barreira política seria condicionar repasses federais à adesão da taxonomia unificada e ao compartilhamento de microdados. Mas hoje não há dinheiro suficiente no Fundo Nacional de Segurança Pública para compelir os estados mais ricos. "Nosso problema hoje é no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, que não dependem das verbas federais", afirma Sarrubbo.
Crime organizado é epidemia. E, como tal, deve ser enfrentado como todas as outras: com dados confiáveis e em tempo real.
Nos próximos meses, todo candidato vai prometer reduzir a criminalidade. A pergunta que a sociedade deveria fazer é simples: vai publicar os dados para que possamos verificar seu discurso? Quem não responder não tem credencial para prometer resultado nenhum.

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2 horas atrás
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