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Presidente do PT diz que discurso antissistema é da esquerda e critica 'balcão de negócios' com Congresso

O presidente do PT, Edinho Silva, disse neste domingo (26) que o discurso antissistema pertence à esquerda e criticou o que chamou de "balcão de negócios" nas conversas entre Legislativo e Executivo. Ele discursou no final do congresso do partido, em Brasília.

O PT e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que concorrerá à reeleição neste ano, tentam se posicionar para tomar o discurso antissistema do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal pré-candidato de direita. Flávio é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

"Se tem [pensamento] antissistema, a resposta do antissistema está na esquerda, não está na direita, não está no fascismo. A resposta ao antissistema está conosco", disse Edinho.

O petista também criticou as emendas impositivas, que, segundo ele, "usurpam" direitos da Presidência da República. Emendas são frações do Orçamento cujos destinos são decididos por deputados e senadores. As impositivas precisam ser pagas independentemente da vontade do governo de turno.

Como parte do mesmo raciocínio, o dirigente partidário criticou a forma como as negociações políticas se dão entre Legislativo e Executivo. A liberação de recursos para obras nas bases políticas de deputados e senadores é um dos principais mecanismos que governos têm para obter apoio no Congresso.

"Não podemos ser a favor de um sistema político que transforma a negociação entre Executivo e Legislativo em balcão de negócios", declarou Edinho Silva.

O petista também afirmou que "o debate fundamental do momento" é a soberania nacional. O tema é caro a Lula e permeia toda sua trajetória política, mas ganhou força no ano passado. O presidente conseguiu aumentar sua popularidade quando respondia ao tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a produtos brasileiros.

Lula tem feito contrapontos em série ao americano como forma de tentar fortalecer a própria imagem. O tema também é explorado pelos demais petistas. "Se a família Bolsonaro quer entregar nossas reservas de terras raras para o Trump, nós não", declarou Edinho.

O presidente do partido disse que os integrantes da sigla devem ter humildade e perguntar a grupos que rejeitam a legenda qual o motivo da rejeição. Citou como exemplo grupos de jovens evangélicos que não aceitam conversar com o PT, entre outros segmentos da sociedade.

Edinho afirmou que a proposta do partido de reforma do Judiciário difere dos ataques à Justiça feitos por adversários do PT.

"Sempre defendemos reforma do poder judiciário. Não reforma do poder Judiciário na concepção da família Bolsonaro, que quer enfraquecer o Judiciário porque sabe que o poder judiciário fraco é o primeiro passo para instalar o autoritarismo", declarou.

O discurso de Edinho foi o último do Congresso do PT. Antes dele, falaram petistas como os ex-ministros Camilo Santana e Fernando Haddad, além da governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra.

Haddad disse que o governo Lula reconstruiu o país depois da gestão Bolsonaro, mas que isso não é suficiente. O ex-ministro defendeu "oferecer para o povo brasileiro um programa de governo que já além do que já fizemos". Ele é pré-candidato a governador de São Paulo.

Durante a semana, havia a expectativa de participação de Lula no congresso petista. O presidente da República, porém, passou por um procedimento médico em São Paulo na sexta-feira (24). Ele removeu um câncer basocelular no seu couro cabeludo. Trata-se do tipo menos grave e mais comum de câncer de pele.

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