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Presidente russo diz que guerra na Ucrânia é 'justa' e critica Otan em discurso do Dia da Vitória

"O grande feito da geração vitoriosa inspira os soldados que hoje executam as tarefas da operação militar especial. [...] Eles estão enfrentando uma força agressiva, armada e apoiada por todo o bloco da Otan. E, apesar disso, nossos heróis avançam", disse Putin, em um discurso que durou oito minutos.

"Estou firmemente convencido de que nossa causa é justa. Estamos juntos. A vitória foi nossa, e será para sempre", acrescentou o dirigente.

O evento aconteceu na Praça Vermelha de Moscou e durou apenas 45 minutos. O desfile marca o feriado nacional mais reverenciado na Rússia — momento para celebrar a vitória da União Soviética contra a Alemanha nazista e homenagear os 27 milhões de cidadãos soviéticos, incluindo muitos da Ucrânia, que morreram.

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Apesar de a celebração ter sido beneficiada no último momento pela entrada em vigor de uma trégua de três dias entre Rússia e Ucrânia, anunciada na véspera pelo presidente americano, Donald Trump (entenda mais abaixo), ainda havia temores de um eventual ataque de drones ucranianos.

Assim, o evento — que outrora já foi usado para exibir o vasto poderio militar da Rússia, incluindo seus mísseis balísticos intercontinentais com capacidade nuclear — não contou com a exibição de armamentos e outros equipamentos militares desfilando pelas ruas de paralelepípedos da Praça Vermelha.

Em vez disso, armas como o míssil balístico intercontinental Yars, o novo submarino nuclear Arkhangelsk, a arma a laser Peresvet, o caça Sukhoi Su-57, o sistema de mísseis terra-ar S-500 e uma série de drones e peças de artilharia foram exibidas em telões gigantes na Praça Vermelha e na televisão estatal.

Soldados e marinheiros do país marcharam e ovacionaram o Putin — que assistia ao evento sentado ao lado de veteranos russos à sombra do Mausoléu de Vladimir Lenin. Tropas norte-coreanas, que lutaram contra ucranianos na região russa de Kursk, também participaram da marcha.

Após a Rússia e a Ucrânia acusarem-se mutuamente de violar os cessar-fogos unilaterais que haviam declarado nos últimos dias, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um cessar-fogo de três dias, de sábado a segunda-feira, que foi apoiado pelo Kremlin e por Kiev. Os dois lados também concordaram em trocar 1.000 prisioneiros.

"Eu gostaria que isso parasse. Rússia-Ucrânia — é a pior coisa desde a Segunda Guerra Mundial em termos de qualidade de vida. Vinte e cinco mil jovens soldados todos os meses. É uma loucura", disse Trump a repórteres na sexta-feira.

Ele acrescentou que "gostaria de ver uma grande prorrogação" da trégua entre os dois países.

A Rússia, que invadiu a Ucrânia em 2022, havia alertado que qualquer tentativa de Kiev de interromper o evento de sábado resultaria em um ataque maciço, com mísseis contra a capital ucraniana. Moscou disse a diplomatas estrangeiros que eles deveriam evacuar suas equipes em Kiev caso tal ataque ocorresse.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy emitiu um decreto irônico "permitindo" que o desfile militar russo de 9 de maio prosseguisse e afirmando que as armas ucranianas não teriam como alvo a Praça Vermelha.

A segurança era reforçada em Moscou. Imagens da Reuters mostravam soldados armados em cima de caminhonetes e ruas bloqueadas ao redor do centro da capital, que, juntamente com a região metropolitana, tem uma população de 22 milhões de habitantes.

As autoridades russas também cortaram a internet do centro de Moscou e, segundo a AFP, muitas ruas da capital estavam quase vazias. Entre os moradores, é baixa a esperança de que a paz volte logo entre os dois países.

O fim do conflito "não será em breve, por mais que todos queiramos a paz", diz à AFP Elena, uma economista de 36 anos que prefere não informar seu sobrenome e está principalmente irritada com o corte da internet. "Eu preciso dela, e não tem."

O dia 9 de maio é "um dia como qualquer outro", afirma Daniil, de 26 anos, à AFP a caminho da academia. Perguntado se essa breve trégua é um prelúdio para a paz, responde com um seco "não".

A expectativa é que Putin ainda realize reuniões bilaterais neste sábado.

*Com informações das agências de notícias Reuters e AFP.

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