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Protestos no Irã diminuem após repressão que deixou mais de 2 mil mortos, diz grupo de direitos humanos

📝O número de mortos divulgado pelo grupo de direitos humanos HRANA, com sede nos EUA, aumentou pouco desde quarta-feira e atualmente é de 2.677 pessoas, incluindo 2.478 manifestantes e 163 pessoas identificadas como ligadas ao governo.

A possibilidade de um ataque dos EUA também diminuiu desde quarta-feira (14), quando o presidente Donald Trump disse ter sido informado de que as mortes no Irã estavam diminuindo. Ainda assim, era esperado o envio de mais meios militares americanos para a região, sinalizando que as tensões continuam.

Aliados dos EUA, incluindo Arábia Saudita e Catar, conduziram uma intensa diplomacia com Washington nesta semana para evitar um ataque americano, alertando para repercussões em toda a região que, no fim, também afetariam os Estados Unidos, segundo uma autoridade do Golfo.

O chefe da inteligência de Israel, David Barnea, também estava nos Estados Unidos nesta sexta-feira para conversas sobre o Irã, de acordo com uma fonte familiarizada com o assunto. Um oficial militar israelense afirmou que as forças do país estavam em “nível máximo de prontidão”.

A Casa Branca disse na quinta-feira que Trump e sua equipe alertaram Teerã de que haveria “graves consequências” se houvesse mais derramamento de sangue e acrescentou que o presidente mantém “todas as opções sobre a mesa”.

Os protestos começaram em 28 de dezembro, em meio à disparada da inflação no Irã, onde a economia foi devastada por sanções, antes de se transformarem em um dos maiores desafios ao regime clerical que governa o país desde a Revolução Islâmica de 1979.

Com o afrouxamento do bloqueio à internet nesta semana, mais relatos de violência começaram a surgir.

Uma mulher em Teerã disse à Reuters, por telefone, que sua filha foi morta na sexta-feira após participar de uma manifestação perto de casa. “Ela tinha 15 anos. Não era terrorista, nem vândala. Forças da Basij a seguiram enquanto ela tentava voltar para casa”, afirmou, referindo-se a um braço das forças de segurança frequentemente usado para reprimir protestos.

Os EUA devem enviar capacidades ofensivas e defensivas adicionais para a região, mas a composição exata dessas forças e o momento de sua chegada ainda não estavam claros, disse uma autoridade americana, sob condição de anonimato.

O Comando Central das Forças Armadas dos EUA se recusou a comentar, afirmando que não divulga movimentações de navios.

### GRUPO DE DIREITOS HUMANOS RELATA FORTE DESDOBRAMENTO DE SEGURANÇA

Vários moradores de Teerã disseram que a capital estava tranquila desde domingo. Eles relataram a presença de drones sobrevoando a cidade e disseram não ter visto sinais de protestos na quinta ou na sexta-feira.

O grupo iraniano-curdo de direitos humanos Hengaw afirmou que não houve manifestações desde domingo, mas que “o ambiente de segurança segue altamente restritivo”.

“Nossas fontes independentes confirmam uma forte presença militar e de segurança em cidades e vilarejos onde protestos ocorreram anteriormente, assim como em vários locais que não registraram grandes manifestações”, disse o Hengaw, com sede na Noruega, em comentários à Reuters.

Outro morador de uma cidade ao norte, no litoral do Mar Cáspio, afirmou que as ruas também pareciam calmas.

Os moradores pediram para não ser identificados por questões de segurança.

### RELATOS DE AGITAÇÃO ESPORÁDICA

Ainda assim, houve indícios de distúrbios em algumas áreas.

O Hengaw relatou que uma enfermeira foi morta por disparos diretos das forças governamentais durante protestos em Karaj, a oeste de Teerã. A Reuters não conseguiu verificar o relato de forma independente.

A agência de notícias Tasnim, ligada ao Estado, informou que manifestantes incendiaram um escritório local de educação no condado de Falavarjan, na província central de Isfahan, na quinta-feira.

Uma moradora idosa de uma cidade no noroeste do Irã, região com grande população curda e palco de alguns dos episódios mais intensos de protestos, disse que manifestações esporádicas continuaram, embora com menor intensidade.

Ao descrever a violência no início dos protestos, ela afirmou: “Nunca tinha visto cenas como aquelas”.

Vídeos que circulam online, e que a Reuters conseguiu verificar como gravados em um centro médico-legal em Teerã, mostram dezenas de corpos deitados no chão e em macas, a maioria em sacos, mas alguns descobertos. A Reuters não conseguiu verificar a data do vídeo.

A emissora estatal Press TV citou o chefe da polícia do Irã afirmando que a calma foi restaurada em todo o país.

A Reuters não conseguiu verificar de forma independente o número de mortes informado pelo HRANA. Uma autoridade iraniana disse anteriormente à agência que cerca de 2.000 pessoas haviam sido mortas.

Os números de vítimas superam amplamente os registrados em episódios anteriores de agitação que foram reprimidos pelo Estado.

### PUTIN LIGA PARA NETANYAHU E PEZESHKIAN

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, discutiu a situação no Irã em ligações separadas nesta sexta-feira com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e afirmou que Moscou está disposta a mediar a situação na região, segundo o Kremlin.

Pezeshkian disse a Putin que os Estados Unidos e Israel tiveram um papel direto nos distúrbios, informou a mídia estatal iraniana.

Autoridades iranianas acusam inimigos estrangeiros de fomentar os protestos e de armar pessoas que classificam como terroristas, com o objetivo de atacar forças de segurança e realizar atentados.

O HRANA informou que mais de 19 mil pessoas foram presas, enquanto a agência Tasnim disse que 3.000 pessoas foram detidas.

A Tasnim também noticiou o que descreveu como a prisão de um grande número de líderes dos recentes distúrbios na província ocidental de Kermanshah, além da detenção de cinco pessoas acusadas de vandalizar um posto de gasolina e uma base da Basij na cidade de Kerman, no sudeste do país.

(Reportagem de Parisa Hafezi, Nayera Abdallah e Jana Choukeir, em Dubai; reportagem adicional de Idrees Ali, em Washington, Marine Delrue e Alexander Cornwell; texto de Tom Perry; edição de Sharon Singleton e Aidan Lewis)

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