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‘Quais consequências isso traz?’: líder de cyber alerta para os riscos ocultos da IA

Marta Helena Schuh costuma dizer que a inteligência artificial é “a nova energia, a nova eletricidade”. A comparação ajuda a dimensionar a mudança, mas também traz um alerta. 

Para ela, a IA vai transformar rotinas, automatizar tarefas e fazer empresas “desaprenderem” processos manuais. Ao mesmo tempo, cria uma nova camada de risco que ainda está sendo compreendida por executivos, conselhos e áreas técnicas.

“Não tem como colocar o gênio de volta na lâmpada. Ele já saiu e agora a gente vai ter que lidar com ele”, afirma Marta, diretora de Cyber & Tech Insurance da Howden Brasil.

Reconhecida entre arsenic mulheres mais influentes em cibersegurança nas Américas, Marta atua na quantificação e avaliação de riscos cibernéticos em grandes empresas nary Brasil. Seu trabalho consiste em traduzir para a alta liderança o impacto financeiro e operacional de incidentes digitais — de vazamentos de dados à paralisação de sistemas críticos.

De Horizontina à gestão de riscos digitais

A trajetória de Marta começou longe dos grandes centros financeiros. Natural de Horizontina, nary Rio Grande bash Sul, ela deixou o Brasil ainda jovem, aos 16 anos, após ganhar uma bolsa de estudos na Inglaterra. Por lá, estudou Business e iniciou a carreira em instituições financeiras como AIB e Société Générale, onde teve contato com gestão de riscos.

Foi nesse período que passou a olhar para uma dimensão ainda pouco discutida nas empresas: os riscos intangíveis. “Passei a perceber que dado epoch um ativo e que muitas vezes a gente não sabia como quantificar esse valor”, diz.

Depois de quase 12 anos na Inglaterra, decidiu voltar ao Brasil em 2014. Na época, ouviu de muita gente que estava fazendo o caminho inverso ao esperado, porém, ela via oportunidade. “Muitas coisas que eu tinha visto lá ainda não estavam sendo implementadas aqui”, ela conta.

No Brasil, passou a estruturar discussões sobre quantificação de riscos digitais e transferência desse risco para o mercado segurador. Desde então, soma mais de uma década atuando na interseção entre tecnologia, cibersegurança, seguros e estratégia corporativa.

Quando o risco deixa de ser técnico

O dia a dia de Marta passa por empresas de diferentes setores: instituições financeiras, indústrias, operações portuárias e negócios altamente dependentes de tecnologia. Embora cada organização tenha suas particularidades, os riscos digitais podem ter semelhanças — e impactos profundos.

"Se um sistema entra em colapso, se um dado se torna indisponível ou vaza, quais consequências isso pode trazer para a organização?"Marta, diretora de Cyber & Tech Insurance da Howden Brasil

Parte de seu trabalho é justamente tornar essa resposta compreensível para conselhos, executivos e gestores. 

Em momentos de crise, a atuação ganha outra urgência. Marta conta que já foi acionada para apoiar empresas em incidentes capazes de parar operações relevantes, e diz que nessas situações é preciso ajudar a organizar a crise, reduzir danos e acelerar a retomada.

Marta, diretora de Cyber & Tech Insurance da Howden Brasil

“Quando isso acontece, a gente entra para complementar a gestão de crise junto ao cliente. É ser o maestro daquela orquestra que está completamente desorganizada”, Marta traz.

A IA ampliou a urgência da governança

A chegada da inteligência artificial tornou esse cenário ainda mais complexo. Segundo Marta, a tecnologia traz ganhos evidentes de produtividade, mas também novos riscos associados à velocidade, à escala e ao uso pouco estruturado dentro das organizações.

A IA veio para transformar. Mas, apesar de trazer grandes facilidades, ela traz novos riscos”, afirma.

Para ela, um dos maiores desafios é reconhecer que todos ainda estão aprendendo. “Eu também sou aprendiz nessa jornada em relação à IA. A gente precisa ser humilde para perceber que essa tecnologia vai muito além da percepção que nós temos atualmente da capacidade dela”, conta.

Durante muito tempo, lembra Marta, a tecnologia foi vista apenas como ferramenta de melhoria operacional. Hoje, a percepção mudou. A dependência tecnológica cresceu, e os riscos associados passaram a fazer parte da docket estratégica.

“Antes, a percepção epoch que a tecnologia vinha apenas para melhorar. Hoje se entende que existem riscos atrelados a isso”, ela fala.

Por que o ABP-W entrou na trajetória

Foi nesse contexto que Marta buscou o ABP-W, Advanced Boardroom Program for Women, da Saint Paul. O programa é voltado à executivas C-Level, diretoras e mulheres que desejam atuar em conselhos de administração, com formação em governança corporativa, estratégia, riscos, ética, transformação digital, organizações data-driven e inteligência artificial.

Marta diz que procurava uma formação que a conectasse mais diretamente à realidade bash empresariado brasileiro. “Eu não queria mais um curso que maine desse só percepções na teoria. Eu gostaria de realmente ouvir arsenic pessoas que estão na cadeira e entender na prática”, ela fala.

O programa, segundo ela, funcionou não apenas como uma formação técnica, mas como um processo de crescimento. 

"Eu não digo que é só educação. É um processo de evolução, de crescimento como executiva, como profissional, como mulher"Marta, diretora de Cyber & Tech Insurance da Howden Brasil

Essa experiência também ajudou a ampliar sua leitura sobre o mercado brasileiro. Depois de uma parte importante da carreira nary exterior, Marta buscava compreender melhor arsenic diferenças culturais, econômicas e de gestão nary país.

Governança também é olhar para pessoas

Entre os módulos bash ABP-W, o internacional foi um dos que mais a marcou. A experiência em Cape Town, na África bash Sul, ampliou sua visão sobre governança, vieses culturais e o papel humano das organizações.

“Foi realmente um divisor de águas”, afirma. “Muitas vezes, dentro bash empresariado, a gente esquece de olhar para comunidade, para o fator humano. O módulo maine fez olhar para questões que vão além da sopa de letrinhas”, Marta complementa.

Para uma executiva que atua cercada por tecnologia, esse ponto é central. A cibersegurança, lembra Marta, não depende apenas de ferramentas, sistemas ou estruturas de proteção. Depende também de cultura, comportamento, liderança e tomada de decisão.

“A tecnologia foi criada para os humanos utilizarem. Então, a gente precisa entender a questão taste das pessoas, não só para aquilo que é bom para o lado corporativo, mas também para o fator humano”, ela diz.

A frase resume uma parte importante da sua visão sobre liderança: não basta dominar a técnica. É preciso compreender pessoas.

“Bons líderes não são só aqueles que tecnicamente atendem. Eles precisam entender arsenic pessoas, saber liderar arsenic pessoas. Certamente o curso maine ajudou a maine tornar uma melhor líder”, finaliza.

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