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Queiroz recebeu R$ 6.300 de firma de estética usada em lavagem de dinheiro de miliciano

O policial militar da reserva Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), recebeu R$ 6.300 de uma empresa de estética usada, segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, no esquema de lavagem de dinheiro do ex-PM Adriano da Nóbrega, miliciano morto em 2020.

A transferência ocorreu em 2017, quando Queiroz trabalhava na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) como chefe de gabinete de Flávio, agora pré-candidato à Presidência da República.

A informação sobre o pagamento consta de um relatório do Coaf usado na Operação Legado, deflagrada em março deste ano pelo MP-RJ. A investigação levou à denúncia de uma rede de pessoas envolvidas, segundo o MP-RJ, na lavagem de dinheiro de Adriano, ex-PM vinculado a diferentes atividades criminosas.

Entre os denunciados neste caso está Raimunda Veras Magalhães, mãe de Adriano e também ex-assessora de Flávio na Alerj.

Queiroz não sofreu acusação no caso. Contudo, esse pagamento é a primeira transação financeira identificada entre ele e um elo da estrutura criminosa atribuída a Adriano para além do caso das "rachadinhas".

O PM aposentado não quis comentar o caso. "Não sou investigado por nenhuma dessas falsas acusações. Peço que me deixe em paz para tomar conta da minha vida e cuidar da minha família."

Em nota, Flávio Bolsonaro disse que "não possui qualquer relação com os fatos mencionados e que jamais teve conhecimento ou participação em atividades ilícitas atribuídas a Fabrício Queiroz ou a Adriano da Nóbrega".

"Causa estranheza a tentativa de associação e retomada da pauta, já superada no Judiciário, especialmente diante da anunciada estratégia do PT para promover o desgaste do senador Flávio Bolsonaro. A linha do tempo dos fatos, já reconhecida em investigações, mostra que nomeações e exonerações de pessoas ligadas a Adriano ocorreram antes de qualquer acusação pública contra ele, afastando a hipótese de conhecimento prévio", afirmou o senador, em nota.

Atualmente subsecretário de Segurança e Ordem Pública de Saquarema, Queiroz foi apontado pelo MP-RJ como o operador do esquema da "rachadinha" no antigo gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj.

Segundo a denúncia, apresentada em 2020, o senador desviou R$ 6 milhões dos cofres públicos e recolheu parte do salário de funcionários fantasmas que mantinha em seu gabinete. O PM, de acordo com a acusação, era o responsável por gerir o repasse do dinheiro para Flávio.

O caso foi arquivado depois da anulação das provas pela Justiça. Os dois sempre negaram as acusações.

Entre os supostos funcionários fantasmas denunciados estavam Raimunda e Danielle Mendonça da Costa, ex-mulher de Adriano. Segundo o MP-RJ, elas teriam repassado pouco mais de R$ 200 mil para o esquema da "rachadinha" —há, contudo, suspeitas de que o valor pode ser maior, em razão de a mãe de Adriano ter sacado 98% de seu salário, dinheiro cujo destino é desconhecido.

Elas foram nomeadas por indicação de Queiroz, que era amigo de Adriano desde o tempo em que estavam na ativa na PM, no início dos anos 2000. O miliciano também tem um histórico de relacionamento com os Bolsonaro desde 2003, quando recebeu uma homenagem de Flávio na Alerj.

Queiroz foi nomeado no gabinete de Flávio em março de 2007. De acordo com as investigações do MP-RJ, Adriano passou a atuar, a partir de 2008, como assassino de aluguel, chefe da milícia, controlador do jogo do bicho na zona sul, além de outras atividades ilegais.

Na denúncia do caso da "rachadinha", oferecida em 2020, o MP-RJ apontou que Queiroz também havia recebido R$ 69 mil de duas pizzarias em nome de Adriano (R$ 42 mil) e Raimunda (R$ 27 mil). A Procuradoria, na ocasião, apontou suspeitas de que as transferências poderiam ser parte do esquema atribuído a Flávio Bolsonaro.

A investigação da Operação Legado, porém, aponta que a pizzaria de Raimunda também foi usada como forma de lavagem de dinheiro das atividades ilegais de Adriano. Por esse motivo a mãe do miliciano foi denunciada.

O processo da Operação Legado não faz referência às transferências das pizzarias para Queiroz. O nome do ex-chefe de gabinete de Flávio aparece num documento do Coaf sobre a movimentação financeira de outra empresa, a S C da Silva Estética Pessoal. Ela é o nome oficial de um quiosque de design de sobrancelhas que funcionou num shopping da zona norte do Rio de Janeiro.

O Coaf apontou uma transferência de R$ 6.300 para Queiroz em julho de 2017. Segundo a Folha apurou, essa é a única transferência da empresa de estética para o PM identificada na quebra de sigilo feita na apuração do caso da "rachadinha", que abrangeu um período de 12 anos (2007-2018).

De acordo com o MP-RJ, a empresa é de Shirlei Costa da Silva, irmã de Márcio Carneiro Ferreira da Silva, apontado pela Promotoria como o responsável por operar empresas fantasmas usadas na lavagem de dinheiro das atividades ilícitas de Adriano.

Segundo relatórios do Coaf, a empresa de estética teve em suas contas crédito de mais de R$ 2 milhões entre abril de 2017 e dezembro de 2018, e valor semelhante em débitos, a maioria por meio de saque em dinheiro vivo. O MP-RJ viu "incompatibilidade entre o volume de recursos e o tamanho do negócio" e também levanta suspeitas sobre o volume de saques, assim como no caso das "rachadinhas".

A empresa de estética também transferiu R$ 38,4 mil para a pizzaria em nome de Raimunda. Essa foi uma das bases da denúncia contra a mãe de Adriano.

A conduta de Queiroz não foi objeto de análise na Operação Legado. Contudo, o nome do ex-assessor de Flávio apareceu na informação de inteligência que inaugurou o inquérito.

O documento, de origem apócrifa, afirma que Queiroz atuava na milícia de Adriano e lavava dinheiro numa concessionária de carros na Barra da Tijuca. Os dados do processo não mostram qualquer confirmação sobre esta informação após as investigações.

'Me deixe em paz', diz Fabrício Queiroz

Fabrício Queiroz não quis comentar a transferência feita pela empresa de estética sob suspeita.

"Como dito na própria matéria, não sou investigado por nenhuma dessas falsas acusações. Peço que me deixe em paz para tomar conta da minha vida e cuidar da minha família."

O senador Flávio Bolsonaro declarou que "não possui qualquer relação com os fatos mencionados e que jamais teve conhecimento ou participação em atividades ilícitas atribuídas a Fabrício Queiroz ou a Adriano da Nóbrega".

"Causa estranheza a tentativa de associação e retomada da pauta, já superada no judiciário, especialmente diante da anunciada estratégia do PT para promover o desgaste do senador Flávio Bolsonaro. A linha do tempo dos fatos, já reconhecida em investigações, mostra que nomeações e exonerações de pessoas ligadas a Adriano ocorreram antes de qualquer acusação pública contra ele, afastando a hipótese de conhecimento prévio", afirmou ele.

"O senador reforça que eventuais condutas de terceiros ocorreram sem sua ciência e lembra que acusações anteriores foram rejeitadas ou anuladas pela Justiça."

A advogada Manoela Santos, que representou Raimunda, disse que não iria se manifestar.

Shirlei foi contactada por meio de suas redes sociais, mas não respondeu. A reportagem também entrou em contato com o telefone de sua empresa de estética, mas não obteve retorno.

A Folha não localizou Márcio. Ele é considerado desaparecido desde 2023 e não tem defesa constituída no processo da Operação Legado.

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