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Quem é Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela reconhecida pelas Forças Armadas

  • 🔎 Pela Constituição venezuelana, uma vez confirmada a remoção do chefe de Estado, cabe à vice-presidente assumir interinamente a Presidência.

Rodríguez, de 55 anos, é advogada e ocupa cargos no governo venezuelano desde 2003, na gestão de Hugo Chávez. Ela tem perfil combativo e marca presença constante nos momentos de maior tensão institucional.

"Se ela não fizer o que é certo, vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior do que o de Maduro", disse.

Trajetória de Delcy Rodríguez

➡️ Figura central do chavismo, Delcy Eloína Rodríguez Gómez nasceu em Caracas em 18 de maio de 1969. É filha de Jorge Antonio Rodríguez, fundador da Liga Socialista, partido marxista, morto em 1976 enquanto estava sob custódia policial, e de Delcy Gómez. É irmã de Jorge Rodríguez Gómez, ex-vice-presidente da Venezuela e ex-prefeito de Caracas, um dos principais articuladores políticos do regime.

Delcy Rodríguez — Foto: Getty Images/BBC

➡️Advogada especializada em direito do trabalho, formou-se na Universidade Central da Venezuela e afirma ter feito pós-graduação em Paris e em Londres. Atuou como professora universitária e presidiu uma associação de advogados trabalhistas.

➡️Na vida pessoal, não é casada, não tem filhos e teve relacionamentos conhecidos, entre eles com o ator Fernando Carrillo, até 2007, e, mais recentemente, com Yussef Abou Nassif Smaili, citado como seu parceiro em viagens oficiais.

➡️A trajetória política começou em 2003, ainda no governo de Hugo Chávez, em cargos técnicos ligados à Vice-Presidência e ao Ministério de Energia e Minas. A partir daí, acumulou funções de crescente peso no núcleo do poder chavista, tanto na política interna quanto na diplomacia.

Entre os principais cargos ocupados ao longo da carreira estão:

  • vice-ministra para Assuntos Europeus, em 2005;
  • ministra de Assuntos Presidenciais, em 2006;
  • ministra da Comunicação e Informação, entre 2013 e 2014;
  • ministra das Relações Exteriores, de 2014 a 2017;
  • presidente da Assembleia Nacional Constituinte, entre 2017 e 2018;
  • vice-presidente executiva da Venezuela, desde 14 de junho de 2018, cargo contestado pela oposição entre 2019 e 2023;
  • ministra do Petróleo e da Economia, entre 2024 e 2025.

Integrante da direção nacional do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), Delcy Rodríguez também liderou brevemente o movimento Somos Venezuela, criado em 2018 como braço político e social do governo. Ao longo dos anos, consolidou-se como uma das vozes mais duras do chavismo contra pressões internacionais.

➡️Desde 2018, ela é alvo de sanções impostas por diferentes países e blocos. As medidas incluem congelamento de ativos e restrições de entrada no exterior, aplicadas por:

  • Estados Unidos, por acusações de corrupção e violações humanitárias;
  • União Europeia, por minar a democracia venezuelana;
  • Canadá, México e Suíça.

Nos meses que antecederam a atual crise, Delcy intensificou o discurso contra Washington:

  • Em dezembro de 2025, classificou como “roubo e sequestro” a apreensão de navios petroleiros venezuelanos pelos Estados Unidos e prometeu recorrer à ONU e a outras instâncias internacionais.
  • Também condenou a renovação de sanções contra empresas como a Chevron e a venda forçada da Citgo, subsidiária da PDVSA em território americano, afirmando que essas medidas “roubaram 99% da renda nacional”.

Com perfil combativo e presença constante nos momentos de maior tensão institucional, Delcy Rodríguez emerge como a principal figura do chavismo diante da ofensiva militar anunciada por Trump e da incerteza sobre o destino de Nicolás Maduro.

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