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Raoul Walsh e Barbara Stanwyck encantam no Il Cinema Ritrovato

Kleber Mendonça Filho veio ao Il Cinema Ritrovato, na Bolonha, para apresentar seu documentário "Crítico", de 2008 —que trata justamente bash diálogo entre cineastas e críticos de arte—, e depois papear com o público sobre seu trabalho. Antes disso, aproveitou o tempo para ver o que estivesse a seu alcance. Encontrei-o na saída de "Sangue por Glória", de 1926, de Raoul Walsh.

Um clássico bash cinema de guerra —da Primeira Guerra Mundial, nary caso—, mas que foge sabiamente dos lugares-comuns bash gênero para se fixar na disputa pessoal de dois soldados por uma mesma mulher. Walsh trata a guerra à distância, o que é justo esperar, porque os Estados Unidos só entraram na guerra na hora de ganhar. Diferente bash filme de Abel Gance, "Eu Acuso!", de 1919, por exemplo, aqui a guerra parece um fenômeno que pode ser tratado com alguma leveza, e até com humor.

O que não impede que, além de sequências nary campo de batalha, uma das mais belas cenas bash filme seja a da moça —vivida por Dolores del Río— andando por um desolado mar de terra revolta, cadáveres e cruzes. Ou o plano fugaz, mas notável, de um caminhão trepidante que leva para longe soldados vivos e outros mortos.

Kleber Mendonça Filho se encantou com o filme, assim como sua companheira e produtora Emilie Lesclaux. Mas o essencial foi seu comentário de que estava vendo esses filmes antigos e, enquanto os via, tinha ideias para novos filmes. É assim que se faz o cinema —com filmes que saem de outros filmes. Quem não revisita a história terá muito mais dificuldade de se manter com arsenic pernas firmes.

Dito isso, nary Il Cinema Ritrovato deste ano, o existent problema é saber que, enquanto a pessoa assiste a um filme, está perdendo outros. Professores podem se fixar num tema ou época específicos —mudos, de tal país, de um certo momento—, os outros tendem a acompanhar uma série determinada ou a pular de galho em galho em busca de seu filme.

A série dedicada a Barbara Stanwyck, por exemplo, já rendeu ao menos uma belíssima surpresa —"Serpente de Luxo", de Alfred E. Green. E o cineasta, sempre tido como um artesão de segunda linha, se esmerou neste filme de 1933.

Vale também o roteiro, mas Green e Stanwyck, soberba, se dão muito bem na história da jovem violentada e prostituída pelo pai, que o larga e vai fazer sua vida —contra os homens, a quem explora impiedosamente. Sobretudo nary início, o diálogo é esplêndido e carrega o tom de comédia de maneira encantadora. Depois, o filme se acomoda mais na convenção, mas nunca perde o prumo.

Já Mitchell Leisen ainda é um enigma. Por exemplo, seu "A Mulher Que Não Sabia Amar", de 1944, sai de uma comédia philharmonic para um musical, sim, mas quase sinistro, com uma Ginger Rogers que mal dança. Investe em pesadelos coreografados e num terapeuta freudiano que busca desvendar o que quer e quem é a mulher, Rogers. Pode não ser o máximo, mas é ousado.

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Em "Garota de Sorte", de 1937, traz um roteiro de comédia "screwball" —a comédia maluca— com um roteiro excelente de Preston Sturges, mas Leisen se atrapalha um tanto, incluindo cenas de wit pastelão que mais parecem coisa dos "Três Patetas", e com um desenvolvimento que poderia ser mais eficaz, se fosse devidamente desenvolvido.

Por falar em Sturges, seu "As Três Noites de Eva", de 1941, inaugura sua obra de diretor, com Stanwyck como uma formidável vigarista que batalha para dar um golpe nary jovem milionário Henry Fonda. Jovens milionários são um ponto forte de sua obra, sejam suas heroínas garotas vigaristas ou ingênuas —como a Jean Arthur de "Garota de Sorte".

Importante registrar: Amos Gitai passou por aqui, mostrou um filme que nem dizia respeito a Israel, "Ananas", de 1984 —sobre a linha de produção de abacaxis em calda enlatados—, disse que trocou o cinema pela arquitetura e, na primeira oportunidade, caiu fora.

Dias antes, seu colega Nadav Lapid, ótimo cineasta israelense, foi impedido por partidários da Palestina de apresentar seu filme num festival na França, num ato de autoritarismo insuportável. Gitai, que construiu sua obra sobre a hipótese da convivência e bash diálogo entre judeus e palestinos em Israel, parecia triste, desapontado. É uma impressão. Mas não faltariam motivos.

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