"Comércio Brasil-China atinge recorde de US$ 171 bilhões em 2025" – com esse título, a publicação "CEBC Alerta", do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), apresenta um conjunto de informações muito interessantes a respeito da balança comercial entre os dois países. Elaborada por Túlio Cariello, diretor de conteúdo e pesquisa do CEBC, com dados obtidos na ComexStat, a edição deste mês destaca vários aspectos da relação comercial no ano passado, a começar pelo fato dela ter sido mais uma vez (a 17ª consecutiva) superavitária para o Brasil, com US$ 29,1 bilhões, o equivalente a 43% do saldo comercial positivo do país com o mundo, de US$ 68,3 bilhões.
O segundo destaque, fundamental, revela o grau de dependência do Brasil em relação à China: ela é nosso principal destino comercial (28,7% do total), e é também a principal fonte das importações brasileiras, com 25,3% do total. O contrário não é verdadeiro: o comércio com o Brasil representa tão somente 2,9% do que a China compra e vende internacionalmente, de acordo as informações disponíveis no site da administração da alfândega chinesa, relativas aos dados do acumulado até novembro.
Com US$ 100 bilhões de exportações (o recorde foi US$ 104 bilhões em 2023), e US$ 70,9 bilhões de importações – maior valor até então –, o ano de 2025 confirmou, mais uma vez, a dependência de três setores-chave em relação a um país-comprador: a soja – foram para a China 79% do total exportado (em 2018, chegou a 82,4%) –; o minério de ferro (67%); e o petróleo bruto (45%). Nesse contexto, como avaliar o fato que a China, no ano passado, foi o principal fornecedor de bens para a indústria de transformação do Brasil, com 27% de participação nas importações (em segundo lugar os Estados Unidos, com 16%, e a Alemanha em terceiro, com 5,5%)?
Um outro aspecto que também chama a atenção, na leitura do estudo do CEBC, é que, exceto a carne bovina e o cobre, os demais produtos mais importantes exportados pelo Brasil para a China tiveram aumentos dos volumes superiores aos aumentos dos valores: petróleo bruto (+12,5% em volume e +0,6% em valor); minério de ferro (+6,5% e -1,7%); celulose, exceto para dissolução (+13,7% e +1,6%); soja (+17,8% e +9,6%); ferroligas (+37,8% e +29,8%); açúcar (+56,9% e +34,9%); celulose para dissolução (+65% e +58%). Em compensação, fertilizantes nitrogenados e fosfatados da China (58% do total importado pelo Brasil), aumentaram 72% em volume e 78% em valor.
Estrela das exportações brasileiras para a China no ano passado, com 24,6% a mais em quantidade (1,6 milhão de toneladas) e 47,9% a mais em valor (US$ 8,8 bilhões), a carne bovina terá dificuldade para manter esse patamar de vendas nos próximos anos, por causa da cota e tarifa impostas pelo governo chinês para proteger a produção nacional (quem sabe essas restrições não estimulem o setor a diversificar, investindo na produção e exportação de carne de cabrito e de ovelha, para atender a forte demanda no Oeste da China e na Ásia Central). Ainda nas carnes, as quedas muito preocupantes de 53% nas vendas da de frango (US$ 600 milhões, o menor valor desde 2014) e de 36% da suína (US$ 301 milhões). Outro destaque a comemorar é o salto na venda de café não torrado, de US$ 213 milhões para US$ 459 milhões e de 21% a mais em volume. Com essa compra, a China passou ao segundo lugar no mercado asiático do produto – o Japão é o maior, e a Coreia do Sul agora a terceira maior. Em termos mundiais, a China subiu do 14º (em 2024) para o nono lugar entre os maiores importadores de café do Brasil.
Passando das vendas às compras, a preocupação recorrente na análise qualitativa do comércio com a China: o peso desproporcional dos produtos industrializados, e o que eles significam para a ainda tímida retomada da industrialização no Brasil. Como o Brasil só conseguirá ter indústria se for competitivo internacionalmente, e só conseguirá essa proeza com juros dentro da média mundial e pelo menos 30 mil quilômetros de ferrovias, a pergunta que não quer calar é se o país continuará exportando minério de ferro (294 milhões de toneladas, recorde em 2025) e importando produtos de aço da China, como trilhos, vagões e locomotivas?
Salvo engano, a indústria brasileira de trilhos foi fechada no governo Fernando Henrique Cardoso, em 1997. E desde então pagamos algo em torno de US$ 700 de diferença, entre a tonelada de ferro exportado e a de trilho importado. Certamente as diferenças são muito maiores para os vagões e as locomotivas, e haverá necessidade de uma quantidade enorme de uns e outras nos próximos anos, se acontecerem os 10 mil quilômetros prometidos nos planos de ferrovias divulgados recentemente. Todos esses produtos implicam em geração de empregos, movimento econômico, e arrecadação de tributos, que se traduzem em desenvolvimento econômico – na China ou no Brasil.
O tamanho da encrenca é grande, e apesar de algumas manifestações de desagrado aqui e ali, na prática essa relação desigual só se aprofundou. Um exemplo notável é o da importação de produtos farmacêuticos, que aumentou 39% no ano passado, superando o patamar de US$ 1 bilhão. Pois bem, está lá na publicação do CEBC: aumentou 64 vezes a quantidade de produtos importados contendo insulina, atingindo US$ 135 milhões. Com o crescimento das vendas em 2025, a China passou do sétimo lugar para o quarto lugar no ano passado, entre os maiores fornecedores de fármacos para o Brasil, com 6,3% de participação (quase igual à da Suíça, de 7%). Estados Unidos (18%) e Alemanha (14%) continuam à frente, o que não impede que daqui a três ou quatro anos sejam ultrapassados. Ainda nos produtos com maior peso nas importações, o destaque absoluto é a mega plataforma de exploração de petróleo, módicos US$ 2,6 bilhões (não tínhamos capacidade para produzir esse tipo de plataforma? O que aconteceu?) e, em segundo lugar, os carros híbridos, 25% a mais do que em 2024, um total de US$ 1,8 bilhão.
Todas essas informações e análises reforçam a importância de mais empresas e cooperativas brasileiras investirem em vendas para a China e outros países asiáticos, além dos tradicionais Japão e Coreia do Sul. A Índia, o Vietnã, o Irã e a Turquia, por exemplo, compraram do Brasil no total 13,1% no ano passado. Para a Índia, foram 30% a mais. O Vietnã também está se revelando um parceiro comercial animador, com seus 100 milhões de habitantes e recente elevação do poder aquisitivo. Aos interessados em participar com estande em feiras na China, fica a sugestão de se inscrevem no site da ApexBrasil para a Feira de Importação (CIIE) em Shanghai, de 5 a 10 de novembro.

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