Na terceira semana de protestos, julgamentos rápidos e execuções foram ordenados pelo chefe do Judiciário para conter a ação dos manifestantes no Irã. O país figura entre os cinco que mais aplicam, e com rigor, a pena de morte no mundo.
O número vem crescendo de forma dramática: em 2025 mais do que dobrou em relação ao ano anterior, contabilizou a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA), com sede nos EUA.
De janeiro a dezembro, a ONG levantou 2.063 execuções, entre 1.807 homens e 61 mulheres — 106% a mais do que em 2024 e o maior número registrado em 11 anos. Desde 2020, a tendência é de crescimento, embora haja falta de transparência nos registros, por parte do regime dos aiatolás. Casos de homicídios e drogas dominam as acusações.
Diante da onda de protestos que se alastrou há 18 dias pelas 31 províncias do país, com mais de 2.500 mortos e 18 mil prisões, Gholamhossein Mohseni-Ejei, presidente do Supremo Tribunal do Irã, anunciou que os julgamentos dos manifestantes deveriam ser realizados em público.

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A contar pelas imagens de quase uma centena de confissões exibidas nos últimos dias pela TV estatal, o regime deverá manter a determinação de enforcar os condenados sob as vistas da população. A HRANA afirma que as confissões são obtidas por coação, após tortura física e psicológica, em que os manifestantes expressam remorso e vínculos com os EUA e Israel.
Os métodos para sufocar os protestos sinalizam o desespero do regime e incluem, além do uso da força letal, bloqueio de internet e telefonia em todo o país. O ministro da Justiça, Amin Hossein Rahimi, acrescentou mais uma violação à longa lista acumulada pela ditadura teocrática: qualquer iraniano que tenha saído às ruas desde o dia 8 será considerado criminoso.

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2 meses atrás
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