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Reviravolta jogou a privatização da Copasa na incerteza, antes da eleição

A omissão acendeu alerta em analistas e investidores, que agora aguardam o posicionamento do Comitê de Estatais para saber se a operação será retomada, modificada ou arquivada.

O cronograma original, que previa a definição do investidor de referência justamente nesta quarta, foi suspenso na prática.

A Copasa afirmou que o Comitê de Coordenação e Governança de Estatais precisará se manifestar sobre as alterações, que serão refletidas nos documentos da oferta "oportunamente reapresentados, indicando inclusive o novo cronograma".

Duas fontes que acompanhavam a operação (e que falaram à coluna em condição de não terem os nomes citados porque não têm autorização de falar publicamente) expressaram ceticismo com a retomada da privatização em meio a proximidade do processo eleitoral.

Segundo o Broadcast, serviço de notícias do grupo Estado, o governo de Minas Gerais decidiu rever a privatização da Copasa após as propostas de investidores de referência ficarem abaixo do preço mínimo esperado para a operação. Se confirmada a informação, a guinada pode estar ligada à desistência da Sabesp (leia mais abaixo)

Trancos e barrancos

O processo de privatização da Copasa, empresa que atende 12 milhões de pessoas e fatura R$ 7,5 bilhões por ano, já vinha ocorrendo em meio a sobressaltos.

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Em fevereiro, o UOL revelou que Hamilton Amadeo, então presidente do conselho de administração da Copasa, havia sido o principal delator em um acordo de leniência da Aegea, empresa de saneamento que era cotada para se tornar a controladora da empresa privatizada. Leia aqui.

Amadeo, que foi CEO da Aegea por nove anos, admitiu em sua delação que ele pessoalmente autorizava pagamentos ilegais a políticos. No mesmo dia em que os detalhes vieram a público, Amadeo renunciou ao cargo de chairman da Copasa.

A saída foi interpretada como uma tentativa de retirar um foco de desgaste político e reputacional do processo conduzido pelo governador Romeu Zema (Novo), cuja modelagem havia sido aprovada pela Assembleia Legislativa em dezembro de 2025 e sancionada em janeiro de 2026.

Sabesp já havia caído fora

Outro revés do processo foi a desistência da Sabesp. Segundo o Brazil Journal, a companhia paulista decidiu ficar fora da disputa porque, em sua avaliação, "a conta não fechou".

A Sabesp, que tem a Equatorial como investidor de referência desde sua própria privatização, considerou a Copasa cara diante dos riscos do modelo, das incertezas contratuais com municípios e, sobretudo, do cenário político em Minas Gerais.

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Os candidatos que lideram a corrida eleitoral em Minas são críticos da privatização ou do modelo.

O que estava em jogo e o que vem agora

A operação, que seria a maior do setor de saneamento em curso no país, previa a venda de aproximadamente 190 milhões de ações ordinárias, com preço final a ser definido em 2 de junho e primeiro dia de negociação na B3 em 5 de junho. Esse cronograma está agora suspenso por tempo indeterminado.

O modelo original reduziria a participação do Estado mineiro de 50% para 5%, mantendo apenas uma golden share (ação com poder de veto). O investidor de referência ficaria com 30%, e o free float subiria para 64,6%.

Agora, o mercado aguarda o posicionamento do Comitê de Coordenação e Governança de Estatais. Sem um novo cronograma, e com o calendário eleitoral se aproximando, a janela para a concretização da venda se fecha rapidamente.

Reportagem

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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