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Robô Atlas da Boston Dynamics ganha IA do Google e é exibido na CES 2026

A Boston Dynamics apresentou, na CES 2026, a integração do robô Atlas com modelos avançados de inteligência artificial (IA) do Google DeepMind. A parceria busca transformar o humanoide em uma plataforma de trabalho “super-humana”, voltada à indústria em larga escala. Com isso, o robô deixa de ser apenas uma demonstração de capacidades físicas e passa a funcionar como um sistema operacional robótico, combinando hardware sofisticado a modelos de IA capazes de perceber o ambiente, planejar tarefas complexas e interagir com pessoas de forma mais natural. Veja, a seguir, todos os detalhes.

 Reprodução/Boston Dynamics Apresentado na CES 2026, o Atlas entra em uma nova fase ao integrar modelos de IA do Google DeepMind, deixando de ser apenas uma vitrine tecnológica para se tornar uma aposta concreta em automação industrial em escala — Foto: Reprodução/Boston Dynamics

Super-humano? Veja detalhes do Atlas

Antes de entrar nos detalhes estratégicos, é preciso entender por que esse anúncio importa. A integração entre robótica avançada e modelos fundamentais de IA aponta para impactos diretos no chão de fábrica, na segurança operacional e no futuro do trabalho industrial, indo além de demonstrações conceituais vistas em edições anteriores da CES.

  1. Atlas e a trajetória da Boston Dynamics
  2. A parceria com o Google DeepMind e o papel da IA
  3. Hyundai e a aplicação industrial em larga escala
  4. Por que o Atlas “super-humano” muda o jogo da robótica?

1. Atlas e a trajetória da Boston Dynamics

O robô humanoide Atlas surgiu em 2013 e, desde então, se tornou um dos símbolos mais avançados da "robótica bípede". Ao longo de mais de uma década, a Boston Dynamics usou o projeto como laboratório para desenvolver equilíbrio dinâmico, mobilidade extrema e controle preciso de movimentos em ambientes imprevisíveis. Com o avanço simultâneo do hardware e da inteligência artificial, o setor passou a atrair uma série de novos concorrentes, onde empresas de diferentes portes entraram na disputa para criar robôs humanoides capazes de executar tarefas reais, principalmente em ambientes industriais.

Mesmo com o aumento da concorrência, a Boston Dynamics manteve uma vantagem clara: experiência acumulada em robôs já operacionais. Exemplos como o Spot, presente em mais de 40 países, e o Stretch, que já movimentou mais de 20 milhões de pacotes desde 2023, mostram uma capacidade rara de levar tecnologia do laboratório para o mercado. Na CES 2026, a empresa deixou claro que o Atlas não será apenas mais um experimento. A nova geração do robô foi apresentada como peça central de uma estratégia de longo prazo, focada em aplicações práticas, escaláveis e integradas a processos industriais reais.

2. A parceria com o Google DeepMind e o papel da IA

O segundo pilar do anúncio envolve a colaboração direta com o Google DeepMind, divisão de pesquisa em inteligência artificial do Google. O objetivo é integrar ao Atlas modelos fundamentais de IA capazes de ampliar drasticamente suas habilidades cognitivas, indo além da execução mecânica de movimentos. Segundo a Boston Dynamics, a tecnologia permitirá ao robô avançar em percepção, raciocínio e interação humana. Com isso, algumas unidades do Atlas já estão sendo enviadas ao DeepMind para testes, treinamento e escalonamento dessas capacidades, numa integração profunda entre software e hardware.

Carolina Parada, diretora sênior de robótica do Google DeepMind, afirmou que o Atlas será a plataforma inicial para essa nova linha de pesquisa. A proposta é combinar os modelos de IA de última geração do Google com a experiência física da Boston Dynamics para criar um modelo fundamental de robô capaz de atender a uma ampla gama de necessidades humanas. Essa iniciativa se conecta diretamente ao lançamento do Gemini Robotics, conjunto de modelos construídos sobre o Gemini, projetados para permitir que robôs percebam o ambiente, raciocinem sobre ações, manipulem objetos e interajam com pessoas. A ambição declarada é criar sistemas que generalizem comportamentos em diferentes contextos robóticos.

 Reprodução / CES 2026 Na CES 2026, a Boston Dynamics reposiciona o Atlas como robô “super-humano”, ao combinar hardware avançado com IA do Google DeepMind para atuar em tarefas industriais complexas e repetitivas — Foto: Reprodução / CES 2026

3. Hyundai e a aplicação industrial em larga escala

Além da IA, o anúncio da CES 2026 reforçou o papel da Hyundai como principal alavanca industrial do projeto. A montadora sul-coreana, controladora majoritária da Boston Dynamics, planeja integrar o Atlas à sua rede global de fábricas, começando por projetos-piloto no Metaplant, unidade de última geração localizada na Geórgia, nos Estados Unidos. De acordo com a empresa, o robô será introduzido inicialmente em processos com benefícios comprovados de segurança e qualidade, como a organização e o sequenciamento de peças. A ideia é reduzir riscos operacionais e aumentar a eficiência em tarefas repetitivas.

A partir de 2030, a expectativa é expandir o uso do Atlas para montagem de componentes. Com o tempo, o robô também deverá assumir funções que envolvem movimentos repetitivos, cargas pesadas e operações complexas, criando ambientes de trabalho mais seguros para funcionários humanos. Essa abordagem gradual sinaliza que o foco não está em substituir trabalhadores, mas em redefinir funções dentro da fábrica. A Boston Dynamics aposta que a combinação entre robôs humanoides e humanos pode elevar padrões de segurança e produtividade sem comprometer a operação.

 Reprodução/Boston Dynamics O conceito de robô “super-humano” proposto pela Boston Dynamics aponta para máquinas que ampliam capacidades industriais, operando com precisão constante e menor risco humano — Foto: Reprodução/Boston Dynamics

4. Por que o Atlas “super-humano” muda o jogo da robótica?

Durante a CES 2026, a Boston Dynamics divulgou um vídeo institucional que resume sua visão de futuro. A empresa afirma que o Atlas caminha para se tornar um robô “super-humano”, construído para trabalhar, executar tarefas reais e atuar como parceiro em ambientes industriais e operacionais. Na prática, o conceito de “super-humano” não se refere a substituir pessoas, mas a ir além das limitações físicas e cognitivas humanas em tarefas específicas. Isso inclui, por exemplo, operar por longos períodos, lidar com cargas pesadas e manter precisão constante em ambientes hostis.

Alberto Rodriguez, diretor de comportamento do Atlas, destacou em coletiva de imprensa que transformar o robô em um produto comercial exige mais do que habilidades físicas impressionantes. Para alcançar escala, o Atlas precisa interagir de forma natural e intuitiva com pessoas, entendendo comandos, contextos e sinais humanos. Com a união entre a robótica madura da Boston Dynamics, os modelos avançados de IA do Google DeepMind e a capacidade industrial da Hyundai, o Atlas deixa de ser apenas uma demonstração tecnológica. e passa a representar um dos projetos mais concretos rumo à automação humanoide em larga escala.

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