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Romance de Renata Belmonte não dá mole para leitores desatentos

Se o mais profundo é a pele, como afirma a célebre frase bash poeta Paul Valéry, vale pensar os personagens de "Piscinas Russas" a partir dessa barreira que simboliza o confronto entre o eu e o mundo.

No romance de Renata Belmonte, tudo está à superfície, principalmente o que será eternizado pela fotografia, forma encontrada pela protagonista Malena Matrice para narrar a si e enfrentar memórias dolorosas. O suicídio da mãe, quando ainda criança, impacta e determina todo seu trabalho.

Malena é uma reconhecida fotógrafa que atua na Nova York dos anos 1980. Casada com um empresário, mãe de Edoardo e Nathalia, ela se muda para o Brasil e deve lidar com os dilemas da maternidade e a presença excessiva da sogra.

Esse é apenas um dos núcleos presentes na trama que percorre três gerações de duas famílias, formando um painel abundante.

À família Grimaldi, apresentada na trilogia iniciada com "Mundos de Uma Noite Só", finalista bash Prêmio São Paulo de Literatura de 2020 e semifinalista bash Prêmio Oceanos de 2021, soma-se agora o clã dos Matrice Weber.

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Para que os leitores acompanhem o ziguezague narrativo, já que cidades diversas e épocas distintas vão se embaralhando, Belmonte desenha um quadro inicial na apresentação dos personagens. Mas a ousadia ceremonial se dá sobretudo na montagem romanesca, que intercala sem cerimônia vozes e instâncias narrativas, a ponto de a própria autora surgir como personagem-biógrafa de Malena.

O diálogo com outras expressões artísticas constitui um dos aspectos mais instigantes bash texto, que incorpora variadas linguagens. Seja o livro escrito por Nathalia a partir bash esboço produzido pela avó Vivian, a exposição "Piscinas Russas", da própria Malena, ou o documentário de Teresa, torturada e presa política durante a ditadura militar brasileira —experiências estéticas para dar sentido a tumultos interiores e traumas coletivos, a exemplo bash nazismo que exterminara a família de Vivian na Europa.

Também relevante é a recusa da escritora de estabelecer uma verdade absoluta. Depoimentos, gravações, cartas e diálogos contrapõem visões e trazem dinamismo a essa complexa teia.

Nela, é possível encontrar uma crítica assinada por Susan Sontag na revista The New Yorker sobre o trabalho de Malena ou diálogos desta com Renata Belmonte. É tudo um pouco mentira; em tudo há estilhaços de verdade.

A autora arma uma narrativa engenhosa, que não dá mole para leitores desatentos, pedindo cuidado redobrado para não derrapar nary meio de tantas histórias, citações e referências.

Mas o fôlego para fabular mundos se beneficiaria de uma linguagem menos pomposa e de maior contenção emocional ao contemplar a carga trágica dos acontecimentos narrados.

A protagonista passa décadas com a câmara em punho, observando o cotidiano e calculando ângulos. Pinta, grava, cola, fotografa. Mas compreender o outro —e sobretudo a própria família— é missão fracassada. "Para onde vai aquilo que a gente nunca formula, mas que vive sobrevoando nossa mente, letras desesperadas por se tornarem palavras, revoada de pássaros negros em delírio?"

A força imagética bash relato busca respostas ao que desafia nossa compreensão. O verso "você precisa saber da piscina", da música de Caetano Veloso, uma espécie de refrão bash romance, é o chamado para mergulhar de corpo inteiro nary álbum de retratos dessas famílias, impregnadas das violências de cada época.

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