Em meio a reclamações da população pela falta de água em diversas cidades paulistas e em vários bairros da capital, o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e a gestão Ricardo Nunes (MDB) evitam responsabilizar a Sabesp, privatizada desde julho de 2024, como fizeram com a Enel.
Procurados pelo Painel, governo e Prefeitura de São Paulo apresentaram explicações distintas para justificar a diferença de tratamento em relação às concessionárias de água e luz.
Enquanto o governo estadual apontou que há uma diferença nos contratos da Enel e da Sabesp, salientando ter elaborado um contrato "rígido e robusto" antes de privatizar a companhia de água e saneamento, a Prefeitura paulistana disse que a região enfrenta a maior seca dos últimos anos, associada a ondas de calor recorde, assim como ocorreu com a crise hídrica entre 2014 e 2015, e criticou a reportagem pelos questionamentos.
"A Folha, entretanto, parece desconsiderar a realidade publicada, à época, em diversas reportagens impressas e online, fazendo uma comparação indevida e preocupante entre o serviço de fornecimento de energia pela Enel e o de abastecimento de água pela Sabesp. Não há falta de energia no estado, mas sucessivas falhas de gestão por parte da concessionária Enel, algo diferente do cenário hídrico, em que é notória a escassez de oferta de água", disse a gestão Nunes em nota.
Em dezembro, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), anunciou junto de Tarcísio e Nunes que daria início ao processo para romper o contrato com a Enel em São Paulo. Na ocasião, um apagão havia deixado mais de 2 milhões de imóveis sem luz. Algumas residências ficaram mais de uma semana sem energia.
Desde 2023, a gestão Nunes tem travado uma batalha de narrativas com a Enel em meio às crises de falta de energia, com uma responsabilizando a outra pelas ações que devem ser adotadas. O governo estadual também tem criticado a empresa de energia, que foi, inclusive, alvo de uma CPI na Assembleia Legislativa.
A secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura do governo paulista, Natália Resende, disse à coluna que, no caso da Enel, há dois aspectos previstos em contrato que são repetidamente desrespeitados: a frequência de interrupção dos serviços e a demora em restabelecer a energia de diversas residências.
Já a Sabesp, segundo o governo estadual, anunciou em agosto que reduziria a pressão da água durante um período maior pela noite para tentar reduzir os efeitos do período de estiagem. A empresa, hoje, tem a Equatorial Energia como investidora estratégica.
"No caso da Sabesp, as infraestruturas são velhas, há ciclos contratuais de expansão, desafios históricos. Não são problemas que começaram com a privatização, eles existem há anos", afirmou Natália. Ela acrescentou que a companhia deverá se planejar para prevenção e contingência após as reformas estruturais previstas no contrato de privatização.
A Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) disse ao Painel que monitora em tempo real a situação de todos os municípios atendidos pela Sabesp –são 375, de um total de 645 cidades no estado– e que cobra "providências imediatas" nos casos de reclamações sobre a empresa.
"Desde a desestatização, em julho de 2024, até dezembro de 2025, foram realizadas 907 ações fiscalizatórias na área de concessão da Sabesp, com a aplicação de 13 multas, que já totalizam mais de R$ 200 milhões em autuações. Outros 20 laudos estão em fase de finalização e poderão resultar em novas sanções", diz em nota.
A Sabesp afirmou ter reforçado em 40% as equipes de atendimento e em 50% a frota de caminhões-pipa para garantir o abastecimento emergencial de algumas das áreas mais afetadas pela estiagem.
"Durante o período, a média diária de notificações de falta d’água e baixa pressão por parte dos clientes na Região Metropolitana de São Paulo permaneceu em torno de 0,1% do total de ligações regulares", afirmou a companhia.

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