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Satélites revelam nevasca continental impulsionada por bloqueio atmosférico na Europa

Esse avanço não é resultado de uma simples onda de frio, mas da atuação da tempestade Goretti, que passou por um processo de ciclogênese explosiva — conhecido como “weather bomb” — quando a pressão atmosférica em seu núcleo caiu mais de 30 milibares em apenas 24 horas, intensificando ventos e reorganizando a circulação de ar sobre o continente.

Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o episódio está associado a um sistema atmosférico de grande escala que mantém uma massa de ar polar represada sobre a região — um padrão conhecido como bloqueio atmosférico, típico de alguns invernos europeus, mas que neste caso apresenta abrangência e persistência incomuns.

GIF - Frio extremo paralisa a Europa e transforma cidades em cenário de neve — Foto: Gonzalo Fuentes/Reuters, Sarah Meyssonnier/Reuters, Temilade Adelaja/Reuters, Toby Melville/Reuters

Na prática, a tempestade funcionou como o gatilho dinâmico da nevasca continental: ao se intensificar rapidamente, Goretti passou a empurrar ar quente e úmido contra uma massa de ar polar já bloqueada sobre a Europa, criando as condições para a formação e a persistência da neve em grande escala.

Essa configuração favoreceu o deslocamento de ar extremamente frio para latitudes mais baixas, produzindo uma nevasca extensa e duradoura, diferente das ondas de frio breves que costumam se dissipar em poucos dias.

A extensão espacial e a duração do fenômeno explicam por que os impactos vêm sendo registrados simultaneamente em países como França, Reino Unido, Países Baixos, Espanha, Irlanda e regiões dos Bálcãs.

Especialistas da OMM apontam que episódios como o da tempestade Goretti se inserem em um contexto de maior variabilidade climática no Hemisfério Norte, com invernos cada vez mais marcados pela alternância entre períodos anormalmente quentes e incursões súbitas de ar polar.

Pessoas caminham na Praça do Trocadero, coberta de neve, perto da Torre Eiffel — Foto: REUTERS/Gonzalo Fuentes

Aviso de risco para a população

A OMM colocou França, Países Baixos, Dinamarca e Reino Unido sob avisos oficiais por neve intensa, formação de gelo e ventos fortes, classificando o episódio como de risco elevado para a população e para os sistemas de transporte.

O fenômeno não se restringe a nevascas pontuais. A persistência do núcleo frio tem provocado acúmulos expressivos de neve fora das áreas tradicionalmente afetadas. Nos Bálcãs, por exemplo, a cidade de Sarajevo registrou cerca de 40 centímetros de neve, volume suficiente para derrubar árvores e agravar o número de acidentes fatais.

Vista das bicicletas públicas Velib' Metropole cobertas de neve em um ponto de distribuição em Paris, enquanto o clima de inverno com neve e baixas temperaturas atinge parte do país. — Foto: REUTERS/Gonzalo Fuentes

Impactos ambientais além das cidades

Embora as imagens mais divulgadas mostrem pontos turísticos cobertos de branco, o impacto ambiental vai muito além do cenário urbano.

O peso da neve já provocou a queda de árvores, como no caso registrado em Sarajevo, onde uma mulher morreu após ser atingida por um tronco carregado de gelo. Em áreas rurais do Reino Unido, campos cobertos por neve expõem rebanhos ao frio extremo, elevando o risco de mortalidade de animais e comprometendo pastagens em pleno inverno.

No conjunto, os dados de satélite mostram que a tempestade Goretti não é apenas mais uma onda de frio, mas um evento climático de grande escala, com efeitos ambientais distribuídos por quase todo o continente europeu.

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