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Seu teclado é QWERTY e não alfabético por um motivo curioso; entenda

Você já deve ter se perguntado, pelo menos uma vez, por que as letras do teclado não seguem a ordem alfabética. O padrão mais utilizado atualmente, conhecido como QWERTY, está presente na maioria dos teclados ao redor do mundo – inclusive no Brasil – e sua origem remonta ao tempo das máquinas de escrever. Por incrível que pareça, esse arranjo aparentemente aleatório de teclas foi criado com um objetivo claro: evitar o travamento das hastes mecânicas desses equipamentos.

Embora seja o padrão mais adotado no mundo, o QWERTY não é o único layout de teclado utilizado internacionalmente. Outros modelos também ganharam relevância em determinadas regiões, como o QWERTZ, comum na Alemanha e na Áustria, e o AZERTY, amplamente utilizado na França e na Bélgica. Alguns outros com um projeto mais “lógico” tentam emplacar globalmente, mas ainda sem sucesso.

 Reprodução/TechTudo Conheça a história do layout e saiba porque QWERTY não é alfabético — Foto: Reprodução/TechTudo

1. Quando, como e por que surgiu o layout QWERTY?

O layout QWERTY foi criado pelo inventor americano do século XIX Christopher Latham Sholes para corrigir problemas técnicos que decorriam de teclados organizados alfabeticamente. Quando o usuário digitava rapidamente, as hastes mecânicas das letras frequentemente colidiam e travavam.

Sholes, então, redesenhou o teclado de forma que as letras mais usadas em sequência ficassem mais distantes umas das outras, reduzindo o risco de colisão. À primeira vista, o nome "QWERTY" pode parecer aleatório, mas ele faz referência aos seis primeiros caracteres da fileira superior esquerda do teclado: as letras Q, W, E, R, T e Y.

Quando, como e por que surgiu o layout QWERTY? — Foto: Divulgação/Logitech Quando, como e por que surgiu o layout QWERTY? — Foto: Divulgação/Logitech

A pedra fundamental da popularização do QWERTY se deu em 1873, quando layout foi adotado pela Remington, uma das primeiras empresas a produzir máquinas de escrever em escala comercial. A partir desse ponto, ganhou popularidade rapidamente e acabou se consolidando como o padrão de teclado mais usado mundialmente, mesmo com o avanço da tecnologia e o fim das limitações mecânicas que motivaram sua criação.

Apesar da sua eficiência e ergonomia questionáveis nos tempos atuais, alguns especialistas sugerem que Sholes pode ter intencionalmente tornado o layout menos intuitivo, como uma forma de desacelerar a digitação e, assim, evitar os engasgos mecânicos. Outros, no entanto, argumentam que o posicionamento das teclas foi baseado em estudos que levavam em consideração limitações tecnológicas da época.

2. Quais foram os concorrentes do QWERTY?

Naturalmente, ao longo da trajetória hegemônica do QWERTY, surgiram outros layouts — alguns propunham apenas ajustes sutis, enquanto outros buscavam uma reorganização completa das teclas, com base em estudos que apontavam maior eficiência e ergonomia.

Algumas dessas variações mantiveram a estrutura básica do QWERTY, fazendo apenas mudanças pontuais para atender melhor a certos contextos regionais. É o caso do QWERTZ, adotado principalmente na Alemanha e na Áustria, onde a letra “Z” — mais comum no idioma alemão — troca de lugar com o “Y”. Já o AZERTY, utilizado na França e na Bélgica, adapta a disposição de teclas para facilitar a digitação do francês. No Brasil, contamos com uma variação ao QWERTY batizada de ABNT, que se difere principalmente pela inclusão da uma tecla dedicada à letra “Ç”.

Quais foram os concorrentes do QWERTY?  — Foto: Reprodução/Freepik Quais foram os concorrentes do QWERTY? — Foto: Reprodução/Freepik

Do lado dos layouts que deliberadamente buscavam atacar a ineficiência do QWERTY, um dos principais destaques é o Dvorak, criado na década de 1930 por August Dvorak. O formato foi criado com base em uma série de estudos que atestavam seu design ergonômico e a sua produção eficiente, que era mais rápida e precisa com menos conflitos no teclado em comparação ao QWERTY.

Mais recentemente, alternativas como Colemak e Workman buscaram equilibrar eficiência e facilidade de transição, mantendo parte da estrutura do QWERTY e oferecendo melhorias ergonômicas. Apesar de seus benefícios comprovados, esses layouts permanecem restritos a nichos específicos.

3. Há discussões sobre mudanças e por que os teclados mais “lógicos” não vingaram?

Como bem sabemos, as máquinas de escrever deixaram de ser usadas e espalhar as letras mais usadas não é tão necessário. Também é consenso que o QWERTY não é o mais ergonômico, nem o mais eficiente teclado já feito. Isso provocou a criação e a campanha de diversos layouts focados em atacar as lacunas de eficiência do QWERTY, como os já citados Dvorak, Colemak e Workman.

Há discussões sobre mudanças e por que os teclados  mais “lógicos” não vingaram? — Foto: Divulgação/Pexels (Ron Lach) Há discussões sobre mudanças e por que os teclados mais “lógicos” não vingaram? — Foto: Divulgação/Pexels (Ron Lach)

Apesar das melhorias oferecidas, os teclados mais “lógicos” nunca chegaram a se popularizar amplamente. Um dos principais obstáculos para sua adoção foi a consolidação do QWERTY potencializado pelo alto custo de transição. Trocar de layout exige um reaprendizado completo por parte do usuário, quebra de familiaridade com atalhos e incompatibilidades com sistemas e softwares padronizados em QWERTY.

Com o tempo e uma boa dose de insistência, o QWERTY foi se consolidando como o layout mais intuitivo simplesmente por ser o mais presente no cotidiano. Apesar de ser analiticamente um layout menos eficiente do que muitos outros, a familiaridade com sua disposição faz com que a maioria dos usuários prefira não mudar. Essa resistência natural à mudança, aliada à padronização global de hardware e software, mantém o QWERTY como padrão mais utilizado no mundo mais de 150 anos após a sua criação.

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