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Spotify anuncia medidas contra uso nocivo de IA e promete proteger artistas

O Spotify anunciou oficialmente as suas novas medidas para combater spams de conteúdos de IA, proteger o direito autoral de artistas e garantir uma transparência maior para os usuários em relação ao conteúdo criado a partir de IA generativa e publicado na plataforma. As atualizações já começaram a valer e o filtro de spam de música já começou a ser implementado cuidadosamente, mas a estimativa é que em algumas semanas ou meses ele estará completamente integrado aos apps e versões desktop.

Segundo Sam Duboff, chefe global de marketing e política para o negócio da música no Spotify, essas medidas visam proteger artistas autênticos de spam, personificação e engano, garantindo que somente meios autênticos e demanda genuína dos fãs resultem em audiência. Além disso, outro fator crucial é garantir que a voz e a identidade de um artista permaneçam sob seu controle.

 Reprodução/Luã Souza Spotify começa a adotar medidas para proteger artistas e plataformas de spam de conteúdo gerado por IA — Foto: Reprodução/Luã Souza

Quais são as principais atualizações do Spotify em relação ao uso de IA?

O Spotify implementará um novo filtro de spam que sinalizará faixas e usuários que empregam táticas como uploads em massa da mesma conta, duplicação excessiva de músicas semelhantes com metadados ligeiramente diferentes, manipulação intencional de SEO e abuso de faixas artificialmente curtas (somente um pouco mais longas que 30 segundos para acumular streams que geram royalties).

Este filtro deixará de recomendar esse conteúdo na programação do Spotify e implementação será gradual para garantir que o conteúdo correto seja identificado e o sistema funcione de maneira eficaz, com novos sinais de detecção sendo adicionados à medida que mais informações forem aprendidas.

2. Atualização das políticas para proibir clones de voz de IA não autorizados e personificação:

As políticas do Spotify serão atualizadas a partir desta semana para deixar claro que clones de voz de IA não autorizados, deep fakes e qualquer outra forma de réplicas vocais ou personificação não são permitidos e serão removidos da plataforma assim que forem identificados.

3. Aumento dos investimentos para impedir incompatibilidades de perfil:

O Spotify está aumentando seus investimentos para impedir incompatibilidades de perfil, que ocorrem quando alguém carrega fraudulentamente uma música para o perfil de outro artista em todos os serviços de streaming. A empresa está trabalhando diretamente com distribuidores em novos testes para bloquear esses ataques antes mesmo que cheguem às plataformas de streaming.

Qual é a posição do Spotify sobre a classificação de músicas geradas por IA?

A postura do Spotify em relação à rotulagem de música gerada por IA é de apoio a um novo padrão da indústria que trata a inteligência artificial como um espectro, em vez de um binário. Por isso, o serviço de streaming musical está apoiando o sistema de monitoramento “D-DECK”, que está sendo desenvolvido para permitir que os provedores de conteúdo rotulem funções específicas ou qualquer contribuição que possa ser identificada como IA.

Este padrão permitirá divulgações mais precisas e com nuances, sem forçar uma faixa a ser categoricamente “IA” ou “não IA”. Isso significa que, se uma faixa incluir vocais gerados por inteligência artificial, instrumentação de IA, um instrumento específico gerado por IA ou pós-produção assistida por IA (como mixagem ou masterização), essa informação poderá ser exibida nos créditos do Spotify ou em qualquer outro serviço que utilize o padrão.

Esse padrão é considerado crucial para a transparência na indústria da música ao oferecer clareza aos ouvintes e uma maneira consistente para os artistas compartilharem seu processo criativo em todos os serviços. A empresa enfatiza que a indústria e os ouvintes se beneficiam de padrões unificados, evitando um cenário onde cada serviço de streaming ou gravadora teria sua própria metodologia e linguagem para divulgar informações sobre IA, o que poderia minar a confiança do ouvinte. Além disso, 15 gravadoras e distribuidores já se comprometeram com o Spotify no sentido de adotar esses créditos de IA.

Um dos rumores que rondava o uso de inteligência artificial no Spotify era a ideia de que a plataforma adicionava músicas de IA criadas pelo streaming de música às playlists recomendadas. Entretanto, Charlie Hallman, chefe global de produtos musicais do Spotify, desmentiu essa afirmação ao afirmar que o Spotify não gera nenhuma música.

Toda a música no Spotify, 100% dela é criada, possuída e carregada por terceiros licenciados. Não criamos música com IA ou sem ela. E sim, sei que às vezes essas teorias circulam na internet. Eu só queria ter certeza de que poderíamos esclarecer isso.

— Charlie Hallman, chefe global de produtos musicais do Spotify.

Outro caso citado durante a coletiva foi do da banda The Velvet Sundown, acumulou mais de 600 mil ouvintes mensais em poucas semanas no Spotify. Entretanto, alguns usuários levantaram suspeitas de que o grupo tenha sido gerado por inteligência artificial (IA). Com dois álbuns de 13 faixas lançados com 15 dias de diferença em junho de 2025, o suposto quarteto lançou outra coletânea em julho e já conta com 3 álbuns e 1 single no streaming.

O grande questionamento ficou por conta de como o ciclo de notícias e o interesse dos fãs teria se comportado de uma maneira diferente se os créditos de IA estivessem disponíveis antes. Se a banda tivesse a oportunidade de compartilhar claramente a extensão do uso de IA em suas faixas, as áreas de contribuição humana e a identidade humana dos envolvidos, a percepção poderia ter sido outra. Entretanto, o Spotify não considera seu papel ditar como um artista escolhe apresentar seu trabalho, focando em spam, personificação e engano.

A discussão sobre o Velvet Sundown serviu para ilustrar a importância da transparência e como a disponibilidade de créditos de IA poderia ajudar a definir o que significa engano na era da IA. Se grupos usam IA de forma autêntica e transparente, isso é uma coisa; se os créditos estivessem disponíveis e alguém decidisse não usá-los, isso seria diferente.

— Sam Duboff, chefe global de marketing e política para o negócio da música no Spotify.

Seu rápido crescimento nas plataformas para além do Spotify e o constante anúncio de novos projetos foram alvo de suspeitas e críticas. Curiosamente, nenhum dos membros oficialmente mencionados na descrição do grupo existem. Gabe Farrow, o guitarrista Lennie West, Milo Rains, responsável pelas camadas de sintetizadores, e o percussionista de espírito livre Orion “Rio” Del Mar, todos eles são personagens criados por inteligência artificial.

A própria descrição da banda foi atualizada recentemente; confira:

"The Velvet Sundown é um projeto de música sintética guiado pela direção criativa humana, composto, dublado e visualizado com o apoio da inteligência artificial. Não se trata de um truque, mas sim de um espelho. Uma provocação artística contínua, projetada para desafiar os limites da autoria, da identidade e do futuro da própria música na era da IA.

Todos os personagens, histórias, músicas, vozes e letras são criações originais geradas com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial empregadas como instrumentos criativos. Qualquer semelhança com lugares, eventos ou pessoas reais - vivas ou falecidas - é mera coincidência e não intencional. Não é exatamente humano. Não é exatamente máquina. The Velvet Sundown vive em algum lugar entre os dois."

Com informações de Spotify

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