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Tarcísio busca reforçar apoios em SP após semana de ataques de bolsonaristas

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) voltou-se a aliados paulistas e cedeu a uma das principais demandas de deputados e prefeitos do estado na última semana, enquanto sua aliança com a base de Jair Bolsonaro (PL) deu sinais mais agudos de desgaste ao trocar o auxiliar encarregado de sua articulação política.

Na tarde de quinta-feira (22), no auge da crise criada com bolsonaristas após cancelar a visita que havia marcado a Bolsonaro na unidade da Papudinha, em Brasília, o governador decidiu tirar Arthur Lima, seu amigo de infância e braço direito, da Secretaria da Casa Civil, pasta responsável por liberar repasses a prefeituras e pelo pagamento de emendas parlamentares.

A troca foi interpretada por aliados do governador como uma concessão voltada a fortalecer os laços com a centro-direita paulista no momento em que outra de suas bases de apoio, os bolsonaristas, dava sinais de esgotamento.

A demora para pagar emendas e convênios em São Paulo vinha corroendo a base de apoio do governador no estado. Nas últimas semanas, como a Folha mostrou, prefeitos de partidos da base aliada marcaram reuniões para criticar o governo, e o PP ameaçou romper com o governador. Em 2025, 25% das transferências a prefeituras para investimentos só foram liberadas na última semana do ano.

Um dos principais aliados do governador avaliou que a mudança seria uma atitude de um candidato à reeleição, e não à Presidência, uma vez que a troca teria impacto limitado para quem trabalha pela construção de uma campanha nacional.

O novo titular, Roberto Carneiro, presidente estadual do Republicanos, frequentemente despachava na sala da liderança do partido na Alesp (Assembleia Legislativa) e tem interlocução com diversos grupos da Casa.

De acordo com relatos colhidos pela reportagem, o novo titular recebeu de Tarcísio o prazo de 60 dias para ajustar os fluxos de pagamento no governo, de modo que os resultados sejam sentidos antes do início do período eleitoral.

Ao promover a mudança, a preocupação de Tarcísio seria apaziguar a relação com grupos políticos locais e garantir os palanques estaduais necessários para a busca por um segundo mandato, na interpretação de um aliado.

"O Arthur [Lima] é um cara técnico, fez um trabalho de estruturação técnica da Casa Civil, um trabalho de informação, de reorganização administrativa. Conduziu isso. Agora, eu preciso de um perfil um pouco mais político para organizar, já, a jornada que vem", disse Tarcísio na sexta-feira (23), em entrevista após uma entrega de apartamentos em Embu das Artes, na Grande São Paulo.

Outro auxiliar do governador destaca que Tarcísio não teve preocupação em manter com o clã Bolsonaro a mesma relação que tem com o ex-presidente, seu padrinho político, a quem frequentemente reforça lealdade.

Conforme a Folha mostrou, na interpretação de sua equipe, ao faltar ao encontro em Brasília, Tarcísio não buscou um ataque direto a Bolsonaro, mas sim responder à atitude de Flávio, que disse que a visita seria para o governador ouvir que sua candidatura presidencial estava "descartada". O governador conversou com Michelle Bolsonaro para minimizar a crise.

Tarcísio buscou minimizar, na sexta-feira, a desistência de visitar o ex-presidente, reforçando que tinha outros compromissos, mas recusando-se a dizer quais eram. Ele afirma que visitará o padrinho político na prisão na próxima quinta (29).

Embora a saída de Lima fosse uma reivindicação de aliados da centro-direita, deputados estaduais bolsonaristas também aprovaram a mudança. Um bolsonarista disse, sob reserva, que, embora o antigo titular da Casa Civil recebesse deputados com frequência e mantivesse relações cordiais, a demora para emendas e convênios justificou a troca.

Carneiro também tem trânsito com o secretário de Governo, Gilberto Kassab (PSD), que faz a interlocução de Tarcísio com o Legislativo e prefeitos. Nos bastidores, aliados relataram que a relação entre a dupla era tensa.

Lima convocou sua equipe para uma despedida na manhã de sexta, no Palácio dos Bandeirantes. Kassab esteve presente e fez um breve discurso para desmentir informações sobre atritos aos funcionários presentes. O ex-chefe da Casa Civil vai assumir a Secretaria de Justiça, e auxiliares de confiança também foram deslocados.

O novo secretário convidou Diego Dourado, irmão de Michelle Bolsonaro, para fazer parte de sua equipe. O cunhado de Bolsonaro fazia parte da equipe de Tarcísio até o fim do ano passado e participava das interlocuções políticas do governador. Dourado deve visitar Bolsonaro na Papudinha nesta semana e, segundo integrantes do governo, ficou de analisar o convite.

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