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Tarifa de luz: entenda as bandeiras tarifárias e descubra como economizar

Um dos principais fatores que impactam no preço da conta de luz no Brasil são as bandeiras tarifárias. Apesar do entendimento de como elas funcionam serem essenciais para quem busca controlar o valor da conta de luz, muitas pessoas ainda não sabem o que elas significam e como podem aumentar ou diminuir a conta no final do mês.

Existem, no total, quatro tipos de bandeiras tarifárias, sendo elas: bandeira verde, amarela, vermelha de patamar um e vermelha de patamar dois. Para te ajudar a entender o conceito destas quatro bandeiras e seus impactos, o TechTudo preparou um guia completo sobre esse assunto. Ao final, você ainda confere algumas dicas práticas sobre como economizar no final do mês. Veja a seguir.

 Reprodução/Freepik Economizar energia elétrica é possível quando você entende as bandeiras tarifárias — Foto: Reprodução/Freepik

Tópicos a serem abordados:

  • O que é tarifa de energia elétrica?
  • Como funcionam as bandeiras tarifárias?
  • Como o consumidor é impactado?
  • Preço da energia por kWh: quanto custa 1 kWh em reais
  • Tarifas de energia por Estado
  • Como calcular a tarifa de energia?
  • Como acompanhar a bandeira do mês?
  • O que não pode ser cobrado na conta de luz
  • Dicas práticas para economizar na conta de luz

O que é tarifa de energia elétrica?

A tarifa de energia elétrica é, basicamente, o custo da energia por kWh que chega ao consumidor final. Esse valor, no entanto, não é um preço fixo isolado, justamente por incluir diversos acréscimos decorrentes de taxas, encargos e outros fatores que compõem o sistema elétrico. No Brasil, a tarifa considera três custos: energia gerada, transporte de energia até os centros de distribuição e encargos setoriais.

Além disso, os governos Federal, Estadual e Municipal cobram seus respectivos tributos, como PIS, COFINS e ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Sem contar que as taxas destinadas à iluminação pública também fazem parte do cálculo. Esses encargos são somados ao valor tradicional da conta de luz, impactando todos os consumidores e elevando o total pago no fim do mês.

Como funcionam as bandeiras tarifárias?

As bandeiras tarifárias são dividas em quatro categorias que impactam diretamente no valor final da conta de luz. A seguir, entenda o significado de cada uma delas e o que mudam no seu bolso:

A bandeira verde ocorre em situações favoráveis de energia e não representa acréscimos no valor tradicional das contas de luz. Foi a bandeira tarifária do Brasil de dezembro de 2024 até abril deste ano.

A bandeira amarela é acionada quando há redução de chuvas ou na transição do período chuvoso para o período seco. Quando esses fenômenos naturais acontecem, existe um impacto negativo na geração de energia nas hidrelétricas, o que pode exigir o acionamento de usinas termelétricas, que possuem custo mais elevado.

Desde maio de 2025, a bandeira atual no Brasil é a amarela. A mudança foi anunciada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) no final de abril do mesmo ano. Essa alteração representa um acréscimo de R$ 1,885 para cada 100 kWh gastos na energia elétrica.

3. Bandeira vermelha de patamar 1

Com gastos mais elevados quando comparados à bandeira amarela, ela é acionada quando os custos de geração de energia elétrica aumentam significativamente, geralmente devido à necessidade de utilizar usinas termelétricas. Quando isso acontece há um acréscimo de R$ 4,463 a cada 100 kWh consumidos na conta de luz dos consumidores.

A última vez que ela apareceu nas contas de luz foi em setembro de 2024 motivado por previsões de chuvas abaixo da média, o que impactou os níveis dos reservatórios das hidrelétricas.

4. Bandeira vermelha de patamar 2

Em cenários de escassez hídrica, aliado a temperaturas acima da média, leva ao acionamento de usinas termelétricas, que possuem custos de geração mais elevados. A última vez que a bandeira vermelha de patamar 2 foi acionada ocorreu em outubro de 2024. A medida foi tomada devido à previsão de chuvas abaixo da média com uma expectativa de baixa nos reservatórios das hidrelétricas, cerca de 50% inferior à média histórica.

No bolso, quando ela é acionada, gera um acréscimo de R$ 7,877 na conta de luz a cada 100 kWh consumidos. Antes de outubro, a bandeira de patamar 2 só tinha sido utilizada em agosto de 2021, durante a crise hídrica que afetou o país.

Como o consumidor é impactado

Como visto, dependendo da bandeira utilizada, o consumidor é impactado diretamente no preço final da conta de luz. Exceto pela bandeira verde, que não adiciona custos extras à energia utilizada mensalmente, esses adicionais refletem os custos de geração de energia em períodos de escassez hídrica ou outras condições desfavoráveis, sendo repassados ao consumidor para cobrir os gastos do sistema elétrico.

Tarifas de energia por estado

Apesar do sistema de energia elétrica não ser privatizado, são empresas privadas que controlam e administram o sistema elétrico, e isso varia de acordo com o estado do Brasil. Consequentemente, o país não possuí um custo de kWh fixo, mas sim uma tarifa variável que depende do estado da concessionária de energia.

Em São Paulo, por exemplo, o kWh está custando cerca de R$ 0,63, enquanto no Rio de Janeiro o mesmo kWh tem o valor aproximado de R$0,87. Essa diferença pode ser explicada nos investimentos em infraestrutura, custos operacionais e em políticas de cada distribuidora que repassam esses valores para o consumidor final.

Contudo, a ANEEL disponibiliza um ranking atualizado das tarifas residenciais por distribuidora, em R$/kWh, sem considerar tributos como ICMS, PIS/Pasep, Cofins, taxa de iluminação pública e bandeiras tarifárias. Para consultar as tarifas aplicadas em cada estado ou região, você pode acessar o relatório interativo da ANEEL, basta filtpar por distribuidora, estado e tipo de tarifa, se convencional ou branca.

Preço da energia por kWh: quanto custa 1 kWh em reais?

Como citado anteriormente, o valor do kWh é variável de acordo com o estado em que a energia está sendo cobrada e a empresa responsável pela administração do sistema elétrico. Porém é importante destacar que as bandeiras tarifárias tem o mesmo impacto no valor do kWh em todos os estados brasileiros – por ela ser aplicada em todo território nacional, independente da localização.

Para calcular o custo do kWh, é importante considerar tanto a tarifa base da distribuidora quanto as bandeiras tarifárias. Em São Paulo, por exemplo, a tarifa média residencial gira em torno de R$ 0,72/kWh, sem considerar impostos ou bandeiras. Com a bandeira amarela, que está vigente, há um acréscimo de R$ 0,01885 por kWh consumido, elevando o custo total. Esse aumento pode parecer pequeno, mas no final do mês pode representar um valor significativo, especialmente para quem tem alto consumo de energia. O impacto é ainda maior quando entram em vigor as bandeiras vermelhas, cujos acréscimos são bem mais altos.

Como calcular o valor de energia?

A facilidade no cálculo do valor do consumo da energia no final do mês pode variar dependendo do estado em que o consumidor mora. Algumas empresas, como a Light que atua no Rio de Janeiro, tem em seu site simuladores de consumo que podem facilitar a vida de pessoas que querem calcular quanto algum eletrodoméstico ou eletrônico chega a impactar na conta de energia. Esses recursos são bastante úteis, pois permitem uma aproximação mais precisa do quão custoso um aparelho eletrodoméstico pode ser após a sua compra.

Caso você more em um estado em que a companhia elétrica não forneça esse tipo de serviço, é só multiplicar o tempo de uso de um dispositivo com sua potência em W e, depois multiplicar esse valor pelo custo do kWh, que você terá o valor que representa o objeto na sua conta de luz. É importante lembrar que o valor do kWh está disponível na fatura da sua conta de luz, sendo um dado essencial para realizar o cálculo corretamente e obter uma estimativa precisa do consumo de energia de cada aparelho. Confira o passo a passo:

1. Descubra seu consumo em kWh

Na sua conta de luz, você consegue verificar o consumo do mês, bem como uma relação com os meses anteriores.

 Reprodução/TechTudo Consumo em kWh na conta de luz — Foto: Reprodução/TechTudo

2. Verifique a tarifa base da sua distribuidora e considere a bandeira tarifária

Você pode verificar a tarifa base da sua distribuidora de energia elétrica no site da ANEEL, na sua conta de luz em detalhes de faturamento ou no site da sua distribuidora. A tarifa residencial da Light (Rio de Janeiro) em 2025 é de aproximadamente R$ 0,802 por kWh, sem considerar impostos e bandeiras tarifárias. Com a bandeira amarela vigente em maio de 2025, há um acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, o que equivale a R$ 0,01885 por kWh.

Usando a fórmula consumo (kWh) x (Tarifa base + acréscimo da bandeira), é possível chegar ao valor final. Por exemplo:

  • Consumo: 300 kWh
  • Tarifa base: R$ 0,72
  • Bandeira amarela: R$ 0,01885
  • Total: R$ 221,66*

No entanto, esse valor não conta com os tributos e taxas adicionais. Além da tarifa e bandeira, as contas também incluem o ICMS, que varia de 12% a 30% dependendo do estado e do consumo e o PIS/PASEP e Cofins, cerca de 9%, bem como a taxa de iluminação pública que é cobrada por alguns municípios. Todos esses valores vêm detalhados na sua fatura.

PIS/PASEP E COFINS - Tarifa de energia elétrica — Foto: Reprodução/TechTudo PIS/PASEP E COFINS - Tarifa de energia elétrica — Foto: Reprodução/TechTudo

Como acompanhar a bandeira do mês?

Para aqueles que desejam acompanhar as mudanças nas bandeiras tarifárias de forma mais proativa e frequente, os sites das companhias de energia elétrica que operam em cada estado podem fornecer informações relevantes sobre as tarifas e as bandeiras aplicadas em sua área de cobertura. Além disso, a ANEEL disponibiliza informações mensais sobre a bandeira, os custos e a justificativa

É importante ressaltar que a informação sobre a bandeira tarifária em vigor estará sempre destacada de forma clara e visível na própria fatura da conta de luz.

O que não pode ser cobrado na conta de luz

Na conta de luz, só pode ser cobrado o gasto de energia elétrica que aconteceu na residência cadastrada na companhia de energia. Além desse montante, a conta de luz também incluirá os impostos e encargos que incidem sobre a energia elétrica, como o ICMS, os custos associados à transmissão e distribuição da energia desde as usinas até o local de consumo, e o valor correspondente à contribuição para o custeio da iluminação pública.

Caso o consumidor note que há alguma cobrança irregular na sua fatura, é importante entrar em contato imediatamente com a companhia elétrica responsável pela sua conta de luz. O objetivo desse contato é buscar esclarecimentos sobre a origem da cobrança e permitir que a empresa realize uma avaliação detalhada da situação, identificando e corrigindo eventuais erros ou inconsistências no faturamento.

Dicas práticas para economizar na conta de luz

Uma das coisas mais difíceis em se controlar numa residência é o gasto de luz, afinal, na época em que vivemos é praticamente essencial termos sempre mais de um aparelho ligado enquanto consume energia elétrica, mas ainda assim é importante buscar formas de economizar, seja para ajudar no orçamento, ou até mesmo pela importância que essa atitude tem para o meio-ambiente.

Tire aparelhos eletrônicos da tomada

Tirar alguns aparelhos eletrônicos da tomada quando eles não estão sendo utilizados pode ser útil para economizar um valor que pode fazer a diferença no final do mês.

Diminua o consumo de luz artificial

Diminuir o uso de luz artificial e aumentar o uso da luz natural também pode ser uma boa medida, pois, além de ajudar no controle do gasto elétrico, ela também é considerada mais confortável e saudável para os seres humanos do que a luz gerada artificalmente.

Modere no uso do chuveiro elétrico e ar-condicionado

Moderar o uso de chuveiro elétrico e ar-condicionado também é uma boa medida para conseguir economizar no valor da luz, pois são dois produtos que consomem bastante energia elétrica e, no caso do ar-condicionado, ele fica ligado normalmente por diversas horas, especialmente se o usuário o utilizar na hora de dormir.

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