O Brasil impõe tarifas relativamente altas sobre as importações em uma ampla gama de setores, incluindo automóveis, peças automotivas, tecnologia da informação e eletrônicos, produtos químicos, plásticos, máquinas industriais, aço, têxteis e vestuário.
Relatório do USTR
EUA são o segundo principal parceiro comercial do Brasil. Somente em 2024, os produtos norte-americanos responderam por 15,5% nas importações recebidas pelo Brasil. Por outro lado, 12% das exportações nacionais foram destinadas aos EUA. Entre todas as vendas, os destaques ficam por conta do petróleo bruto, do ferro e aço, das aeronaves e do café.
"Tarifaço" abre janela para a entrada em novos mercados. Com as tarifas mais altas ao vender para os Estados Unidos, os exportadores brasileiros podem ganhar espaço em outras nações também alvejadas na guerra comercial. "O Brasil pode ter na Europa, que também vai pensar em medidas de retaliação, uma oportunidade interessante, até pelo avanço do acordo entre o Mercosul e a União Europeia", avalia Pedro Brites, professor de Relações Internacionais da FGV.
A guerra comercial pode se tornar uma oportunidade estratégica, caso o Brasil amplie acordos bilaterais e regionais.
Hugo Garbe, professor de economia da Universidade Mackenzie
Realocação para o etanol tende a ter baixa complexidade. Alvejado pelas tarifas recíprocas da Casa Branca, o biocombustível nacional, fabricado a partir da cana-de-açúcar, é mais sustentável e pode encontrar facilmente outros importadores. "Isso pode abrir portas em países da Ásia, Europa e até África, onde há maior preocupação ambiental", prevê Garbe.
Bens industrializados e aço devem sofrer maior resistência. Diferentemente do que acontece com as commodities agrícolas, com os derivados de petróleo e com o etanol, o encontro de novos compradores para peças aeronáuticas e produtos semiacabados de ferro ou aço é mais difícil. Os dois segmentos estão entre as três mercadorias mais exportadas pelo Brasil aos EUA.
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