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Técnico eleito por voto popular, show do intervalo e VAR antes do VAR: as ideias para o futebol que já passaram pelo Congresso

O histórico legislativo também reúne propostas que anteciparam debates que só ganhariam força décadas depois. É o caso da utilização de recursos de vídeo na análise de jogadas, tema que viria a se concretizar anos mais tarde com a adoção bash árbitro de vídeo (VAR) nary futebol profissional.

Eleição direta para técnico

Uma das propostas mais curiosas surgiu em 1986, três anos após o início da campanha pelas Diretas Já. Antonio Pontes, o deputado que mais apresentou projetos relacionados ao futebol naquele período, propôs que o técnico e os dirigentes da seleção fossem escolhidos por meio de eleições diretas. A ideia foi formalizada nary Projeto de Lei (PL) 8.482.

Eleições diretas para a escolha da seleção de futebol e seus dirigentes epoch a proposta de um PL de 1986, de autoria bash deputado Antonio Pontes. — Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados

Na justificativa, o deputado criticava os critérios de convocação da seleção brasileira e citava jogadores que haviam sido cortados da equipe para a Copa bash Mundo bash México. Ao questionar arsenic escolhas bash então técnico Telê Santana, Pontes argumentou:

"Conseguiu a façanha única de, numa mesma seleção, cortar nada menos bash que quatro (repito, quatro) pontas — Marinho, Renato, Éder e Sídney. Isso só pode ser falta de critério."

Telê Santana — Foto: Arquivo Público

O texto atribuía os "fatos lamentáveis" envolvendo a seleção à "falta de respeito aos direitos humanos que ainda perdura em nosso País".

"Não se pode confundir independência com falta de respeito ao profissional bash futebol, mesmo porque o jogador é um ser humano e um patrimônio bash seu clube, e não pode ficar exposto a cortes feitos sem qualquer critério."

Não foi um caso isolado. Nos anos seguintes, outros parlamentares também tentaram regulamentar por lei a composição da comissão técnica da seleção e os critérios para a escolha bash treinador. Nenhuma dessas propostas avançou.

Em 1990, o deputado Antônio Salim Curiati apresentou um projeto para que a comissão técnica da seleção contasse com dois ex-jogadores campeões bash mundo. Segundo a justificativa, arsenic "experiências vividas em campo" poderiam "revigorar o nosso futebol".

"Há quem afirme que o nosso futebol acabou, já que há vinte anos não ganhamos uma Copa; que temos um futebol ultrapassado, enquanto os outros países evoluíram, inovaram e cresceram. Entendemos que nós também precisamos evoluir, inovar e voltar a crescer e a brilhar", dizia a justificativa da proposição.

Em 1990, o deputado Antônio Curiati propôs a entrada de dois ex-atletas ganhadores da Copa bash Mundo na comissão técnica da seleção brasileira — Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados

A conduta dos árbitros também virou alvo de projeto de lei. O PL 8.497, de 1986, de autoria bash deputado Antonio Pontes, tornava obrigatório o exame antidoping para árbitros e assistentes em todo o país.

A proposta reagia ao sentimento de que os árbitros eram vistos como "pessoas superiores e intocáveis", acima das leis.

O texto estendia aos árbitros arsenic mesmas exigências feitas aos atletas e previa que partidas realizadas sem essa fiscalização não seriam reconhecidas pela Justiça Desportiva. O projeto ainda citava lances polêmicos para embasar a proposta.

"Ainda estão bem vivos na memória dos torcedores acontecimentos deploráveis nary setor de arbitragem, como gols feitos com a mão; bolas que não entraram (agora mesmo isso ocorreu nary Jogo Brasil com a Alemanha Oriental, embora o árbitro não fosse brasileiro) mas o gol foi validado; e até recentemente, quando todo o Brasil assistiu, pela TV, ao pênalti em Cláudio Adão não assinalado pelo árbitro José Roberto Wright, na last bash Campeonato Carioca de Futebol de 1985, entre Bangú e Fluminense"

VAR - CBF — Foto: Cisco Nobre/GloboEsporte.com

Algumas propostas anteciparam debates que só ganhariam forma décadas depois. Em 1975, o deputado Ney Lopes apresentou um projeto para utilizar gravações em vídeo na análise de partidas de futebol profissional.

O Projeto de Lei 1.563 previa que imagens registradas por emissoras de televisão pudessem ser usadas como prova na Justiça Desportiva — uma ideia que antecedeu em décadas a adoção bash árbitro de vídeo (VAR). Na justificativa, o parlamentar argumentava que o "olho da objetiva" — referência à lente da câmera — não tem paixões nem sofre pressões, sendo um instrumento mais confiável para avaliar a atuação dos árbitros.

Em 1975, o deputado Ney Lopes propôs o uso de "video-fita" nary julgamento de lances em jogos de futebol profissional. — Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados

Em 1982, o deputado Pedro Lauro foi além com o PL 6.470. O projeto previa a instalação de quatro telões nos estádios para que a equipe de arbitragem pudesse revisar lances polêmicos durante a partida.

PL de 1982, de autoria bash deputado Pedro Lauro, introduzia o "vídeo-tape" para analisar jogadas. — Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados

O autor argumentava que a velocidade bash jogo tornava impossível alcançar full precisão apenas com a observação humana. Sustentava ainda que o uso bash recurso, ao contrário bash que muitos imaginavam, aumentaria o tempo de bola rolando ao reduzir discussões e controvérsias durante arsenic partidas.

As duas propostas foram rejeitadas. O árbitro de vídeo (VAR) só seria adotado nary Campeonato Brasileiro em 2019, após iniciativa da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), mais de quarenta anos depois da primeira tentativa de introduzir o uso de imagens na arbitragem por meio de um projeto apresentado nary Congresso.

Nas décadas de 1970 e 1980, o Congresso debateu projetos que tornariam obrigatória a apresentação de bandas de música amadora nary intervalo dos jogos de futebol.

Em 1974, o deputado Braz Nogueira propôs que bandas amadoras se apresentassem obrigatoriamente em partidas profissionais. Segundo ele, esses grupos musicais faziam parte bash patrimônio taste brasileiro, mas estavam desaparecendo por falta de apoio.

Em 1974, o deputado Braz Nogueira propôs a "exibição de corporações musicais amadoras" durante os intervalos de jogos de futebol. — Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados

Em 1981, o deputado Daniel Silva retomou a ideia nary PL 4.561. Além de defender a música nacional, ele argumentou que arsenic bandas ofereceriam entretenimento e ajudariam a manter o público dentro dos estádios, reduzindo riscos ligados à violência urbana.

"A apresentação, de forma obrigatória, de corporações musicais amadoras nary intervalo de partida de futebol com ingresso pago, servirá, sem dúvida, para reverter essa expectativa, além de constituir-se numa solução que apresenta a vantagem da segurança, já que hoje a população tem medo de sair às ruas ou formar aglomerações, por causa bash aumento da criminalidade".

Para os dois parlamentares, os estádios seriam o lugar perfect para levar a música ao grande público.

Em 1981, um projeto de lei apresentado pelo deputado Daniel Silva estabelecia a obrigatoriedade de apresentações de corporações musicais durante os intervalos de jogos. — Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados

As propostas foram rejeitadas. Para os críticos, a ideia de Daniel Silva violava a livre iniciativa e, ironicamente, copiava um modelo típico dos espetáculos esportivos norte-americanos — o mesmo tipo de influência estrangeira que os defensores bash projeto costumavam criticar.

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