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Testei Tinder e Bumble por 7 dias e te conto qual deles é realmente melhor

Entrar no mundo dos aplicativos de relacionamento pode ser uma experiência curiosa, às vezes divertida e, em outras ocasiões, desafiadora. Para quem, como eu, sempre se sentiu mais confortável começando conversas virtualmente do que na realidade, tais plataformas oferecem um espaço útil para conhecer pessoas, testar interações e entender melhor o que cada um busca. Mas entre pilhas de perfis, diferentes interesses e usuários com variadas personalidades, surge uma pergunta importante: será que todos os apps entregam a mesma experiência ou há diferenças significativas?

Decidi passar uma semana testando dois dos softwares mais populares para esses fins: Tinder e Bumble, ambos disponíveis para Android e iPhone (iOS). O objetivo não era somente comparar números de matches ou curtidas, mas observar como cada plataforma funciona na prática - desde o design e os recursos disponíveis até a qualidade das conversas e o nível de conforto trazido pelo app. Ao longo desses sete dias, registrei tudo de forma pessoal e honesta, para contar não apenas o que é diferente entre os dois, mas também qual deles se encaixa melhor na minha rotina e estilo de relacionamento. Nas linhas a seguir, confira o resultado dessa experiência.

 Mariana Saguias/TechTudo Tinder x Bumble: experimento do TechTudo busca entender qual app de relacionamento é mais proveitoso, apesar das similaridades — Foto: Mariana Saguias/TechTudo

Apps de relacionamento e os meus anos de experiência

Eu nunca soube muito bem como dar o primeiro passo para conhecer alguém “presencialmente”. Em bares, festas ou outros ambientes, sempre foi mais difícil encontrar gente legal para conversar e ter uma troca interessante - não sei se isso acontece por uma certa timidez da minha parte ou se a configuração dos encontros mudou pra todo mundo. Desse modo, percebi cedo que me sentiria mais confortável começando as conversas no ambiente virtual. Foi assim que, em 2016, aos 22 anos e ainda na faculdade, criei meu primeiro perfil no Tinder.

A experiência me trouxe de tudo um pouco: algumas interações passageiras, outras bastante divertidas e até um relacionamento de quatro anos que nasceu no aplicativo. Essa trajetória me mostrou ser possível encontrar pessoas interessantes por lá, caso exista sinceridade sobre o que se busca. Sempre defendi que o melhor ser direto: se a ideia é algo casual, diga; se o desejo é uma relação séria, diga também. Isso evita desencontros e frustrações.

Com os anos de uso, a sensação de segurança também esteve presente, mas não por acaso. Criei uma espécie de protocolo: antes de marcar qualquer encontro, procuro o nome da pessoa no Google, navego nas redes sociais, vejo se há fotos marcadas e amigos em comum – ou, no mínimo, comentários de amigos e familiares cujos perfis pareçam reais. Já recorri até ao Facebook para ter acesso a informações mais antigas. Nunca fiz chamadas de vídeo, mas reconheço ser uma boa forma de confirmar quem está do outro lado. Além disso, sempre escolhi locais públicos e movimentados para os primeiros encontros.

Essas experiências me mostraram que os aplicativos podem ser úteis de verdade, desde que usados com clareza e cuidado. Por isso, decidi colocar lado a lado o Tinder, que já me acompanha há anos, e o Bumble, que comecei a explorar mais recentemente, para entender qual deles é melhor para conhecer pessoas.

 Mariana Saguias/TechTudo Apps de relacionamento podem ser um excelente pontapé inicial para quem tem dificuldades de interagir na "vida real" — Foto: Mariana Saguias/TechTudo

Tinder e Bumble: como usar os aplicativos?

Na prática, os dois aplicativos funcionam de forma bastante parecida. Você coloca suas melhores fotos, insere em seu perfil as informações pessoais que deseja e, depois, basta deslizar para a direita se gostar da pessoa, ou para a esquerda se não houver interesse. Vale destacar que ambos oferecem recursos extras para quem paga: o Tinder conta com o Super Like - que aumenta as chances de ser notado por uma pessoa específica - e a possibilidade de dar Boosts para aparecer em destaque na pilha de perfis.

O Bumble, por sua vez, tem Spotights, com o mesmo objetivo dos Boosts, além de SuperSwipes, para que você possa mostrar a uma pessoa que está realmente interessado nela. As duas plataformas também possibilitam que você altere sua localização e veja pessoas de outros lugares do mundo, além de permitirem que você saiba quem te curtiu – vale reforçar que tudo isso só está disponível no modo pago. Contudo, é perfeitamente possível usufruir dos aplicativos gratuitamente. A assinatura rende funcionalidades que são um plus nas interações, mas é possível viver sem elas.

Apesar das similaridades de uso, uma diferença que me chamou atenção é a navegação nos perfis. No Tinder, basta ir passando as fotos de uma pessoa para o lado direito para visualizá-las, enquanto no Bumble é preciso rolar a tela para baixo. Isso pode parecer pequeno, mas muda a experiência de uso. Outro ponto é que o Bumble amplia as possibilidades interpessoais: além do espaço para relacionamentos, há o modo BFF, voltado para amizades.

A dinâmica das conversas também é um pouco diferente. No Tinder, qualquer um pode iniciar o papo. Já no Bumble, em interações heterossexuais, somente a mulher pode enviar a primeira mensagem. Se ela não fizer isso em até 24 horas, o match expira e, caso a pessoa responda, também tem 24 horas para manter o fluxo. Considero essa limitação cansativa, já que nem sempre gostaria de dar o primeiro passo – e escrevo isso sem qualquer tabu relacionado a gênero. É mais pela sensação de que tudo está sempre em minhas mãos. Apesar do incômodo, essa configuração dá mais poder às mulheres e o desaparecimento automático dos chats abandonados evita que as conversas fiquem paradas por meses, sem evoluir.

Além disso, o Bumble incentiva descrições de perfil mais detalhadas, incluindo "Compliments”, que funcionam como dicas para que a outra pessoa tenha ideias para puxar uma conversa; entre as sugestões fornecidas pelo próprio app, há percepções como “Qualidades que valorizo”, reforçando a sensação de autenticidade. O Tinder, por sua vez, é mais flexível: muita gente deixa o perfil quase vazio, o que pode ser visto tanto como falta de esforço quanto como praticidade.

 Divulgação/Bumble Apesar de possuírem os mesmos objetivos e contarem com similaridades entre si, Tinder e Bumble apresentam diferenças curiosas na prática — Foto: Divulgação/Bumble

Percepções sobre as plataformas

Minha vivência deixou claro que o Tinder é mais intuitivo e democrático. Lá você encontra de tudo: desde quem busca algo passageiro até pessoas interessadas em relações longas. As aparências e personalidades também são diversas. Perfis completos e bem produzidos convivem com outros praticamente em branco - o meu, inclusive, já passou por várias fases sem descrição nenhuma. A distribuição de likes também é bem mais generosa: em pouco tempo após criar um profile, o contador já indica “99+”, sinal de que há mais de 100 curtidas acumuladas para mim.

 Mariana Saguias/TechTudo De acordo com os testes realizados entre as duas plataformas - e pelos anos de uso - Tinder se mostra uma plataforma mais "democrática" — Foto: Mariana Saguias/TechTudo

O Bumble, em contrapartida, me deu uma sensação mais seletiva. Os perfis costumam ser bem montados, cheios de fotos de viagens, descrições elaboradas e respostas para perguntas propostas pelo app. Tudo passa a impressão de que os usuários querem ser realmente conhecidos. Ao mesmo tempo, senti que conquistar likes por lá é mais difícil, deixando claro que os usuários só curtem quando realmente se interessam e têm intenção de conversar – pensando nisso, concluí que as pessoas não “desperdiçam” curtidas porque os limites da plataforma são reduzidos.

Eu mesma já passei por situações em que fiquei sem likes disponíveis para distribuir, mesmo após usar um número baixo de curtidas. No Tinder, por sua vez, isso nunca aconteceu, mesmo depois de anos de uso. Já realizei pesquisas para entender os limites do Bumble, mas não cheguei a um número concreto. Acredito que a quantidade varia de perfil para perfil. Todas essas diferenças de ritmo fazem com que o Tinder pareça mais leve e mais despretensioso, na minha visão, enquanto o Bumble exige mais empenho.

Afinal, qual é melhor? Tinder ou Bumble?

Depois de anos acostumada com apps de relacionamento – e de uma semana fazendo testes exclusivamente para esta matéria - percebi que não existe resposta única. Tudo depende das preferências de cada pessoa e de suas expectativas. Para mim, o Tinder continua sendo uma zona de conforto: é mais diversificado e deixa qualquer um iniciar a conversa. Gosto, ainda, da sensação de liberdade, sem limites tão apertados para os likes. Pessoalmente falando, é minha plataforma preferida, ainda que muita gente já a considere “abandonada” e desvantajosa.

O Bumble, por sua vez, pode agradar quem busca conexões mais profundas ou até novas amizades. O design é mais sério, as perguntas do perfil estimulam respostas criativas e o prazo para conversar traz objetividade às interações.

No fim, meu balanço é esse: o Tinder é versátil, simples e abrangente, enquanto o Bumble se apresenta como um app mais seletivo e detalhado. Apesar do primeiro funcionar mais para mim, ambos têm seus méritos. A escolha depende muito menos de qual é “o melhor” e muito mais de qual se encaixa no seu jeito de se relacionar – por isso, vale a pena você fazer seu próprio teste e tirar conclusões pessoais.

 Reprodução/Getty Images Escolha entre as duas plataformas mostra-se pessoal, dependendo do que você procura e como interage com novas pessoas no ambiente digital — Foto: Reprodução/Getty Images

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