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Teve o celular roubado? Esses 10 erros custam mais que um aparelho

Ter o celular roubado é uma situação frustrante. Além da perda financeira e do abalo emocional, os danos podem ir muito além do valor do dispositivo. Criminosos conseguem acessar contas bancárias, redes sociais e até realizar compras em nome da vítima. Nesse sentido, a falta de configurações de segurança e de uma reação rápida pode abrir caminho para prejuízos difíceis de reverter.

Neste guia, o TechTudo conversou com o especialista em tecnologia e inovação Arthur Igreja para esclarecer as dúvidas mais comuns e o que fazer caso o seu aparelho seja roubado. A seguir, confira medidas preventivas e ações que devem ser tomadas após o ocorrido.

 Lucas Mendes/TechTudo Veja erros comuns que podem sair caro caso o seu aparelho celular roubado — Foto: Lucas Mendes/TechTudo

O celular foi roubado? Veja o que não fazer

O roubo de celulares é um problema crescente e pode gerar prejuízos que vão muito além do valor do aparelho. Em situações assim, certas atitudes podem facilitar ainda mais a vida dos criminosos. Saber o que não fazer é importante para reduzir riscos e proteger seus dados pessoais e bancários.

  • Não habilitar a autenticação em dois fatores em todos os seus aplicativos
  • Não usar aplicativos com gerenciadores de senha
  • Não configurar alertas de login em apps
  • Não manter backups regulares
  • Não ter o aplicativo Celular Seguro
  • Deixar de bloquear o celular junto à operadora (com número do IMEI)
  • Não tentar rastrear e bloquear todos os acessos
  • Esquecer de trocar todas as senhas associadas
  • Não acionar o seguro do celular
  • Deixar de fazer um Boletim de Ocorrência (B.O.)

Na lista, você ainda vai encontrar:

  • O que você precisa saber e fazer?

Agir de forma preventiva é a melhor maneira de reduzir os prejuízos em caso de roubo de celular. Muitas vezes, os erros cometidos antes do crime, como não ativar recursos de segurança ou não usar aplicativos de proteção, aumentam a exposição dos dados pessoais. A boa notícia é que a maioria dessas medidas pode ser configurada em poucos minutos.

O problema é que grande parte dos usuários ainda negligencia essas práticas. Senhas repetidas, ausência de backups e falta de autenticação em dois fatores são exemplos que facilitam a vida de quem pratica o delito.

 Getty Images A prevenção é a melhor forma de evitar prejuízos em caso de roubo de celular — Foto: Getty Images

1. Não habilitar a autenticação em dois fatores em todos os seus aplicativos

A autenticação em dois fatores (2FA) é considerada uma das barreiras mais eficazes contra invasões. Ao depender apenas da senha, é possível que a pessoa que roubou tenha acesso a contas bancárias, redes sociais e e-mails em questão de minutos.

A 2FA resolve esse problema porque exige uma segunda etapa de verificação, como código por SMS, aplicativo autenticador ou token físico. O especialista reforça que sem essa camada extra, o usuário só descobre que foi invadido quando o golpe já está em andamento.

“Sem ela, há uma exposição maior da fragilidade e se corre um risco maior. E normalmente o acesso primário é baseado em e-mail, CPF ou senha. E como muitos acabam usando a mesma senha em vários ambientes, a partir do momento que tem um vazamento, que tem um ataque, isso pode se tornar público.”

— Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação

2. Não usar aplicativos com gerenciadores de senha

Confiar apenas na memória para guardar senhas é uma prática arriscada. Por conta disso, a maioria das pessoas acaba escolhendo combinações fáceis, como aniversários ou sequências numéricas, e ainda repete essas senhas em diferentes plataformas. Esse comportamento reduz drasticamente a segurança digital.

Gerenciadores de senha, como o Kaspersky Password Manager, permitem criar combinações únicas, longas e complexas, difíceis de memorizar. Dessa forma, esses aplicativos funcionam como cofres digitais criptografados, acessíveis apenas por uma senha. Assim, o usuário pode ter diferentes sequências para cada app ou site, sem o risco de esquecer. Outro benefício é que essas ferramentas identificam senhas fracas ou repetidas, incentivando práticas mais seguras.

“É como se você além de ter senhas mais robustas elas ficassem armazenadas em um cofre.”, reforça Arthur Igreja.

 Reprodução/Smartsheet Gerenciadores de senha, como o Kaspersky, criam combinações únicas e complexas — Foto: Reprodução/Smartsheet

3. Não configurar alertas de login em apps

Muitos aplicativos oferecem a possibilidade de enviar notificações quando ocorre um login suspeito ou em um dispositivo desconhecido. A ativação desse recurso permite agir rápido diante de acessos indevidos. Ao receber a notificação, o usuário pode trocar a senha imediatamente, bloquear a conta e avisar ao suporte da plataforma, por exemplo.

Para aplicativos de banco, e-mails e redes sociais, a medida é ainda mais necessária. Nesses ambientes, criminosos podem acessar informações pessoais, aplicar golpes em contatos ou realizar transações fraudulentas. Segundo o especialista, é muito importante configurar os alertas justamente para conseguir identificar e agir com mais rapidez diante de acessos suspeitos.

4. Não manter backups regulares

Fotos, documentos, conversas e até arquivos profissionais podem ser perdidos para sempre caso o celular seja roubado e não haja um backup atualizado. Esse processo pode ser feito por meio de nuvem ou dispositivos externos. A ausência de backups significa que, além de perder o aparelho, o usuário também perde seus dados, que podem ser sensíveis.

Assim, o prejuízo ultrapassa muito valor do smartphone em si. Como observa IArthur, sem essa medida preventiva, dificilmente a vítima vai conseguir restabelecer todos os arquivos.

“A pessoa vai ter um impacto gigante, pois podem ser conversas privadas, comerciais, documentos e fotos. Com isso, o dano é bem grande. Sempre digo que com o aumento da digitalização da nossa vida, pouca gente considera o quanto é valioso tudo isso que está à nossa volta. Muitos só dão o devido valor quando perdem.”, completa o especialista.

Atualizado pelo Governo Federal em 2024, o aplicativo Celular Seguro é uma ferramenta que permite aos cidadãos comunicar de forma ágil as ocorrências de roubos e furtos de dispositivos. Apesar disso, muitos brasileiros ainda não o instalaram ou sequer conhecem sua função.

O app permite que o próprio usuário, ou uma pessoa de confiança cadastrada, inative remotamente serviços bancários e envio de alerta para bloqueio da linha telefônica. Essa resposta rápida reduz as chances de prejuízos. Essa comunicação centralizada é uma forma de simplificar um processo que, em geral, é burocrático e lento.

“Ele é um aplicativo que tem alguns objetivos centrais. O primeiro é o usuário de forma remota, com o gov.br, habilitar um número novamente, ou através da pessoa de confiança cadastrada, ela inutilizar em grande parte os danos que estão acontecendo no aparelho que foi roubado. O segundo é que existe uma comunicação centralizada especialmente com as instituições financeiras, mas também para aplicativos que podem gerar cobranças, como apps de comércio, transporte, delivery, entre outros. O aplicativo Celular Seguro é extremamente conveniente no meio de algo que é tão inconveniente. É por isso que ele aumenta a segurança.”, ressalta Arthur Igreja.

 Murilo Fraga/Reprodução O Celular Seguro é uma ferramenta que permite aos cidadãos comunicar as ocorrências de roubos e furtos de dispositivos — Foto: Murilo Fraga/Reprodução

Mesmo com todas as medidas preventivas, ainda existe a possibilidade de ser vítima de roubo. Nesse cenário, a rapidez com que se age após o crime é fundamental para limitar os danos.

6. Deixar de bloquear o celular junto à operadora (com número do IMEI)

O IMEI é o identificador único e intransferível de cada celular, comparado ao “CPF do aparelho”. Bloqueá-lo junto à operadora impede que o dispositivo seja reutilizado. Com isso, o aparelho fica registrado em uma base de dados integrada entre as operadoras e o Ministério da Justiça e Segurança Pública, dificultando a revenda. Essa ação, como destaca o especialista, ajuda não apenas a vítima, mas também potenciais compradores do aparelho fruto de roubo.

“Se alguém em posse tentar vender ou reativar, já está registrado o ocorrido. É uma segurança para quem teve o aparelho roubado, mas também uma segurança para quem, de repente, vai comprar um aparelho usado, de segunda mão, para não retroalimentar essa roda do crime.”

7. Não tentar rastrear e bloquear todos os acessos

Após um assalto, é comum o usuário se concentrar apenas na perda física do aparelho. No entanto, os dados armazenados dentro dele costumam ser ainda mais valiosos. Deixar de rastrear e bloquear acessos abre brecha para fraudes e golpes digitais.

Ainda de acordo com Arthur Igreja, seguir esse protocolo minimiza os danos, porque além do roubo do aparelho, há a tentativa de revender o celular para obter lucro com a prática do crime. Portanto, caso a pessoa consiga restringir os acessos, as consequências podem ser menores.

 Gettyimages Os dados armazenados dentro do seu celular podem ser ainda mais valiosos do que o próprio aparelho — Foto: Gettyimages

8. Esquecer de trocar todas as senhas associadas

Um erro frequente após o roubo é manter as mesmas senhas nos serviços vinculados ao celular. Com o aparelho em mãos, quem praticou o assalto pode usar informações já salvas para acessar bancos, e-mails e redes sociais.

Trocar o mais rápido possível todas as senhas associadas, principalmente as de aplicativos financeiros, é importante para evitar fraudes. O ideal é adotar novas combinações fortes e habilitar novamente a autenticação em dois fatores.

9. Não acionar o seguro do celular

Quem contrata um seguro específico para celular precisa acioná-lo imediatamente após o roubo. Ainda assim, muitos deixam de fazer isso por falta de informação ou porque acreditam que o processo será burocrático.

Os planos de seguro geralmente oferecem cobertura contra roubo qualificado, furto e até mesmo danos acidentais. Quanto mais rápido a seguradora tiver a ciência do ocorrido, maior a chance de obter o reembolso ou a troca do aparelho.

Ainda, acionar o seguro cria um histórico formal do sinistro, que pode ser usado em eventuais disputas legais, caso a empresa se negue a fornecer o serviço pelo qual foi contratada. Ignorar essa etapa é perder a chance de reduzir os prejuízos financeiros.

10. Deixar de fazer um Boletim de Ocorrência (B.O.)

O registro de um Boletim de Ocorrência é um passo essencial, mas muitas vezes negligenciado. Sem o documento, a vítima fica mais vulnerável a responsabilidades legais caso o aparelho seja usado em atividades criminosas.

O B.O. também auxilia na recuperação do dispositivo, já que o número do IMEI pode ser inserido no sistema das autoridades. Sem o registro, o usuário perde respaldo legal e dificulta a atuação policial. O processo hoje pode ser feito até mesmo online, sem necessidade de ir a uma delegacia física. O especialista ainda frisa a importância do registro como uma forma de colaborar com as forças de segurança pública.

“O primeiro, é para que ela se proteja. Segundo, para facilitar a localização, caso esse aparelho seja interceptado, rastreado, ou localizado, e por fim, para ajudar a cooperar com as forças policiais, para que elas tenham estatísticas do tipo, local e como aconteceu, justamente para que possam melhorar a sua atuação.”, conclui Arthur Igreja.

 Reprodução/Freepik Registrar o BO é essencial para evitar riscos legais em caso de uso criminoso do aparelho — Foto: Reprodução/Freepik

O que você precisa saber e fazer?

O roubo de celular é um problema que vai além da perda material. A cada ano, milhares de brasileiros têm aparelhos levados nessas situações, o que demonstra a importância de combinar prevenção e ação rápida. Embora a última edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, produzido e publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, indique uma queda de 18% em relação ao ano de 2023, a organização mostra que o Brasil registrou quase 420 mil roubos de celulares em 2024. Um número ainda alarmante.

Mais do que proteger apenas o aparelho, essas medidas servem para preservar dados pessoais, contas bancárias e até a identidade digital. Ao seguir essas recomendações, é possível reduzir os prejuízos e enfrentar o problema de forma mais segura e consciente.

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