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'Tinha o sonho de conhecer o Brasil', diz tio sobre criança morta em ataque israelense no Líbano; pais naturalizados brasileiros também morreram

Ali morreu no domingo (26), no mesmo bombardeio que matou os pais dele, Ghassan Nader e Manal Jaafar. A morte da família, que era naturalizada brasileira, foi confirmada pelo Ministério das Relações Exteriores.

“O que significa perder um menino de 11 anos? Ele tinha o sonho de conhecer o Brasil, onde os pais dele viveram, trabalharam, onde os irmãos estudaram. Por que matar esse sonho? O que essa criança fez? Não dá para entender”, disse o tio.

O corpo de Ali foi enterrado na segunda-feira (27). Até a última atualização desta reportagem, os corpos dos pais ainda não haviam sido localizados.

Um dos irmãos, que estava na casa no momento do ataque, sobreviveu. Outros dois filhos do casal não estavam no local.

Criança tinha o sonho de conhecer o Brasil, segundo o tio Mohamad — Foto: Arquivo pessoal

De acordo com o tio, o impacto da morte do menino também atingiu outras crianças da família. Ele contou que o próprio filho, da mesma idade de Ali, sente a perda do primo.

“Meu filho disse: ‘pai, eu perdi meu melhor amigo’. Eles tinham a mesma idade, estavam sempre juntos. Ele falou que, quando vai dormir, começa a pensar com quem vai brincar, com quem vai conversar. É muito difícil”, relatou.

Família de brasileiros mortos em ataque israelense saiu do Paraná para morar no Líbano

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Segundo Mohamad Ali Kassem Jaafar, irmão de Manal, a família se mudou para o Brasil na década de 1990 e construiu a vida em Foz do Iguaçu, onde fez o processo de naturalização e permaneceu até 2010.

“Meu cunhado foi para o Brasil por volta de 1990, e minha irmã em 1996. Eles ficaram em Foz do Iguaçu até 2010. Trabalharam no Brasil e no Paraguai, abriram negócios e regularizaram tudo”, contou.

De acordo com ele, a decisão de voltar ao Líbano aconteceu após uma visita ao país.

“Eles decidiram voltar em 2010. Era para ser uma visita, mas o irmão dele faleceu e eles optaram por ficar. Mesmo assim, sempre mantiveram o amor pelo Brasil e ensinaram isso aos filhos”, disse.

Família morreu após bombardeio israelense — Foto: Arquivo pessoal

Ataque aconteceu após retorno à casa da família

Segundo o relato do irmão de Manal, a família havia deixado o sul do Líbano no início da guerra e se mudado temporariamente para Beirute, capital do país. Após o anúncio de um acordo de cessar-fogo, eles decidiram retornar à casa onde viviam.

“Disseram que tinha cessar-fogo e as pessoas começaram a voltar. Na primeira semana, eles iam e voltavam. Na segunda semana, estavam em casa, como uma família, preparando um almoço, quando aconteceu o bombardeio", relatou.

Ele conta ainda que esteve com os parentes pouco antes do ataque que matou o casal e o menino. “Um dia antes, eu fui à casa deles. A gente chegou a passar a noite lá.”

Ali Ghassan Nader, Ghassan Nader e Manal Jaafar, vítimas de um bombardeio no Líbano. — Foto: Reprodução / Redes Sociais

Após saber do bombardeio, Mohamad foi até o local e encontrou a residência destruída.

“No dia, eu estava em Beirute. Fiquei sabendo do ataque e fui direto para o sul. A casa, de três andares, estava toda no chão. É um terror. A gente não conseguiu encontrar os corpos. Eu mesmo procurei com as minhas mãos”, disse, emocionado.

Israel realiza ataques no sul do Líbano

Fumaça no Líbano após um ataque israelense neste domingo (26). — Foto: REUTERS/Shir Torem

Pelo menos 14 pessoas morreram e 37 ficaram feridas em ataques israelenses no sul do Líbano no último domingo (26).

O Ministério das Relações Exteriores informou que o ataque israelense ao Líbano constitui mais um exemplo das "reiteradas e inaceitáveis violações ao cessar-fogo" anunciado em 16 de abril. Conforme o governo brasileiro, dezenas de civis libaneses, incluindo mulheres e crianças, morreram nesses ataques.

"Ao expressar sinceras condolências aos familiares das vítimas, o Brasil reitera sua mais veemente condenação a todos os ataques perpetrados durante a vigência do cessar-fogo, tanto por parte das forças israelenses quanto do Hezbollah", afirmou o Itamaraty.

Segundo o ministério, a embaixada brasileira em Beirute está em contato com a família dos brasileiros que morreram no ataque para prestar assistência.

Prorrogação do cessar-fogo

A trégua entrou em vigor em 16 de abril e previa duração inicial de 10 dias. Com a renovação, o cessar-fogo deve durar pelo menos até o início da segunda quinzena de maio. Apesar disso, há dúvidas sobre a efetividade do acordo. Mesmo em vigor, Israel e o Hezbollah trocaram ataques nos últimos dias.

Na mesma data do anúncio de Trump, por exemplo, o grupo extremista libanês lançou foguetes contra o norte de Israel, que foram interceptados. Um dia antes, em 22 de abril, pelo menos cinco pessoas morreram em um bombardeio israelense no sul do Líbano. Entre as vítimas está uma jornalista libanesa de 43 anos.

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