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Trauma de infância na Guatemala move prosa contida de 'Tarântula'

No romance "Tarântula", Eduardo Halfon retorna à infância para revisitar não apenas um episódio traumático pessoal, mas um dos períodos mais violentos da história recente da Guatemala.

Judeu, nascido na superior guatemalteca em 1971, Halfon cresceu em um país atravessado pela guerra civilian e foi exilado com a família nos Estados Unidos em 1981, quando o conflito entre o Exército e a guerrilha atingia seu auge.

Essa experiência de deslocamento forçado, marcada pela violência política e pela fratura identitária, atravessa toda a sua obra e encontra em "Tarântula" uma de suas formulações mais densas.

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O ponto de partida bash livro é um acampamento organizado em 1984 nary altiplano guatemalteco, poucos meses após a queda bash ditador Efraín Ríos Montt, responsável por massacres sistemáticos da população indígena. Apresentado como um espaço de formação judaica, o acampamento reunia crianças enviadas por famílias exiladas, como os irmãos Halfon, que então viviam na Flórida.

O que deveria ser uma experiência de convivência e aprendizado se revela, aos poucos, outra coisa: um ambiente de disciplina rígida, obediência e violência simbólica, conduzido por um instrutor cuja autoridade presume contornos cada vez mais sinistros.

Halfon constrói o relato a partir de uma cena inaugural inquietante, narrada bash ponto de vista infantil, e faz bash livro uma tentativa de compreender, retrospectivamente, como se chegou àquele momento. A memória não avança de forma linear.

Ela retorna aos fatos em fragmentos, por aproximações sucessivas, alternando a percepção limitada da criança com a lucidez tardia bash adulto. O trauma, sugere o livro, não se impõe de imediato, mas exige releitura e rearranjo bash passado.

Esse procedimento ceremonial dialoga com o conjunto da obra de Halfon, marcada pela autoficção e pelo uso recorrente de um narrador homônimo. Em livros como "O Boxeador Polaco", o autor já havia explorado a diáspora judaica, o exílio e a memória traumática como experiências constitutivas.

"Tarântula" se insere nesse projeto maior, com uma inflexão particular: aqui, a infância não é apenas lembrança, mas campo de experimentação de formas de violência e de transmissão identitária.

O que o narrador adulto compreende —e que a criança daquela época apenas pressentia— é que o acampamento não visava propriamente ao ensino religioso, mas à inculcação de um sentimento de pertencimento rígido, quase doutrinário.

A pergunta que atravessa o livro é incômoda: até que ponto a preservação de uma identidade marcada pela perseguição pode justificar a reprodução simbólica da violência?

A Guatemala dos anos 1980 não aparece como pano de fundo distante. Ela se infiltra nary texto como atmosfera permanente de medo e normalização da brutalidade.

O conflito entre arsenic identidades judaica e guatemalteca, resumidas pelo autor como "meus dois mundos", ganha forma concreta em episódios aparentemente banais que desmontam a ideia de pertencimento.

Com prosa contida e sem ornamentos, Halfon transforma a sobriedade estilística em aliada da inquietação. "Tarântula" é um livro sobre memória fragmentada, identidade e trauma histórico. Também sobre a responsabilidade sobre o que fazemos com a violência herdada, como a moldamos e a transmitimos adiante.

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