O texto determina um aumento de 80 mil toneladas métricas na cota de importação do produto em 2026. A medida vale apenas para aparas magras de carne bovina especificamente do país sul-americano.
- 🥩 As aparas magras são retalhos menores de carne com baixo teor de gordura. Os pedaços geralmente sobram do processo de desossa e corte de peças maiores do boi.
A nova decisão, que tem o objetivo de baratear o alimento, e ocorre em meio às críticas ao governo Trump pelo avanço do custo de vida, tema que ajudou a impulsionar vitórias eleitorais de candidatos democratas em 2025.
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Os preços da carne bovina atingiram níveis recordes nos EUA no ano passado, impulsionados pela forte demanda e pela queda na oferta de gado. O cenário beneficiou os pecuaristas — que em grande parte apoiaram Trump — mas aumentou a pressão sobre os consumidores.
Segundo o republicano, a medida foi tomada após conversas com o secretário de Agricultura americano e tem o objetivo de aumentar a oferta de carne moída para os consumidores dos EUA.
Economistas ouvidos pela agência Reuters, porém, afirmam que o aumento das importações do produto argentino deve ser incapaz de reduzir de forma significativa os custos aos americanos. Quem tende a se beneficiar, na verdade, são as empresas de alimentos.
Enquanto isso, os representantes do setor pecuário — que já haviam se manifestado contrários a decisões semelhantes — criticaram a medida.
Ao todo, os EUA importaram cerca de 33 mil toneladas métricas de carne bovina argentina em 2024, o que representou 2% das importações totais, segundo dados do governo.
Acordo comercial e exploração de minerais críticos
Na quinta-feira (5), os EUA e a Argentina assinaram um acordo comercial com previsão de redução de tarifas e um plano recíproco de investimentos.
O entendimento também abrange materiais críticos, em linha com a estratégia de Trump de reduzir a dependência da China — hoje dominante na produção e no refino desses insumos essenciais para tecnologia, energia e defesa.
Segundo o texto, haverá cooperação e investimentos dos EUA em toda a cadeia do setor na Argentina — da exploração ao refino, processamento e exportação.
O embaixador norte-americano e negociador comercial Jamieson Greer anunciou o acordo após reunião com o ministro das Relações Exteriores, do Comércio Internacional e do Culto da Argentina, Pablo Quirno.
Ainda segundo o representante comercial americano, o acordo "reduz barreiras comerciais de longa data e oferece acesso significativo ao mercado para exportadores" dos EUA. A expectativa, acrescentou, é expandir negócios que vão de veículos automotores a produtos agrícolas.
O documento divulgado pelo governo dos EUA indica que o acordo não entra em vigor no momento da assinatura. Ele passa a valer 60 dias após a troca de notificações por escrito confirmando a conclusão dos trâmites legais internos — ou em outra data que os países acordarem.
Após passar a valer, o acordo prevê que a Argentina zere tarifas ou as reduza para cerca de 2% em milhares de produtos dos EUA, além de abrir cotas isentas para itens estratégicos, como 80 mil toneladas de carne bovina e 10 mil veículos.
Em contrapartida, os EUA eliminarão tarifas para produtos agrícolas argentinos selecionados e limitarão eventuais sobretaxas a um teto de 10% sobre os demais bens.
A abertura comercial também prevê o fim da taxa estatística argentina — uma cobrança sobre importações para custear serviços aduaneiros — em até três anos. As reduções tarifárias serão graduais, aplicadas todos os anos em 1º de janeiro.
Em nota oficial, o governo de Javier Milei comemorou o acordo e afirmou que o texto consolida uma “relação estratégica” entre os países, baseada na abertura econômica, em regras claras para o intercâmbio internacional e “em uma visão moderna da complementaridade comercial”.
Além dos minerais críticos, o Acordo entre os Estados Unidos e a República Argentina sobre Comércio Recíproco e Investimento (ARTI) amplia o acesso de investimentos americanos a outros setores estratégicos da economia argentina. Entre eles:
- Energia: com facilitação de aportes em toda a cadeia, da exploração e produção ao refino, transporte e geração elétrica, com foco em segurança energética e industrialização.
- Infraestrutura: com investimentos em telecomunicações, transporte e logística, incluindo construção naval e navegação.
- Tecnologia e comunicações: com abertura para aportes em infraestrutura de informação e comunicação, como redes 5G e 6G, satélites e cabos submarinos.
- Bens de capital: com facilitação da entrada de máquinas e equipamentos, inclusive usados e remanufaturados, para construção, agricultura, mineração e saúde.
- Defesa: com simplificação e ampliação do comércio e da cooperação industrial no setor.
- Financiamento: com possibilidade de apoio de agências dos EUA, como EXIM Bank e DFC, em parceria com o setor privado.
O Itamaraty confirmou à Reuters que o Brasil esteve presente no encontro por meio da Embaixada em Washington, mas não informou se o país poderá aderir à iniciativa nem como se daria uma eventual participação.
Uma fonte do governo brasileiro afirmou à agência que o país está aberto a parcerias, desde que tragam valor agregado. Segundo essa fonte, pela dimensão do tema, a questão precisa ser tratada de forma bilateral, e uma decisão não será tomada rapidamente.

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