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Trump disse que Líbano não faz parte do cessar-fogo, segundo imprensa dos EUA

Em entrevista à PBS, a rede de TV pública dos Estados, Trump disse que "eles (Líbano) não estão incluídos no acordo" de cessar-fogo. "Por causa do Hezbollah. Eles não foram incluídos no acordo também", disse.

Já a CNN Internacional afirmou ter ouvido da porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, que, em uma conversa com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, Trump não se opôs a que Israel seguisse atacando o Líbano.

A posição de Washington contradiz a do governo do Paquistão, país que mediou o acordo de cessar-fogo e que sediará conversas entre os dois lados nas negociações pelo fim definitivo da guerra. Ainda na terça-feira (7), pouco depois de EUA e Israel anunciarem o cessar-fogo, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, disse que a pausa em ataques ao Líbano está contemplada na trégua.

"Tenho o prazer de anunciar que a República Islâmica do Irã e os Estados Unidos da América, juntamente com seus aliados, concordaram com um cessar-fogo imediato em todos os lugares, incluindo o Líbano e outros, com efeito imediato", disse Sharif, em um comunicado publicado nas redes sociais.

Irã ameaça romper cessar-fogo

Bombardeio israelense destrói área residencial em Beirute

Bombardeio israelense destrói área residencial em Beirute

O Irã também afirmou que o Líbano está contemplado na trégua e, em retaliação a ataques de Israel ao território libanês, voltou a fechar o Estreito de Ormuz nesta quarta-feira (8) e ameaçou romper o cessar-fogo.

Segundo a agência Fars, o regime iraniano voltou a fechar o Estreito de Ormuz para o trânsito de navios comerciais e atribuiu a ação ao que chamou de "violações de Israel ao cessar-fogo".

Além disso, o Irã prometeu "punir" Israel pelos "ataques ao Hezbollah que violaram a trégua", e as Forças Armadas iranianas já estão "identificando alvos para responder aos ataques desta quarta", segundo fontes ouvidas pelas agências estatais Tasnim e PressTV.

Os bombardeios israelenses em larga escala ocorreram após o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, ter dito que o cessar-fogo não se aplica ao Líbano. A fala contrariou o anúncio do Paquistão, que tem atuado como mediador do conflito, de que todas as frentes teriam os ataques interrompidos, e mencionou explicitamente o Líbano.

Fumaça sobe sobre a capital do Líbano após ataques israelenses

Fumaça sobe sobre a capital do Líbano após ataques israelenses

➡️ Em paralelo, países do Golfo Pérsico relataram terem sido atacados pelo Irã com mísseis e drones após a trégua entrar em vigor. O acordo de cessar-fogo previa que o Irã também pausaria os ataques retaliatórios que tem lançado contra países do Golfo Pérsico parceiros dos EUA.

Catar, Kuwait e Arábia Saudita denunciaram ataques iranianos. O governo catari disse que o país foi alvejado por artefatos vindos do Irã, mas que foram interceptados. Já uma fonte saudita disse à Reuters que um oleoduto em território saudita foi alvejado esta manhã, poucas horas após o cessar-fogo entrar em vigor. O Kuwait anunciou "dano material severo" causado por drones iranianos.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse à TV norte-americana PBS nesta quarta-feira que o Líbano não faz parte do acordo de cessar-fogo na guerra contra o Irã. “Por causa do Hezbollah, nós não incluímos o Líbano no cessar-fogo, e o Irã sabe disso", afirmou.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, pediu que todas as partes respeitem o cessar-fogo e disse que violações prejudicam o espírito de paz buscado pelas negociações para colocar um fim definitivo na guerra do Oriente Médio.

Voltando à questão do Líbano, o premiê libanês Nawaf Salam acusou Israel de atingir áreas densamente povoadas e de ignorar esforços internacionais pela paz. Já o Ministério da Saúde libanês afirmou que os bombardeios deixaram centenas de vítimas, incluindo mortos e feridos, e pediu que a população libere as ruas de Beirute para a passagem de ambulâncias.

Israel e o Hezbollah retomaram uma guerra entre eles no início de março, em meio ao conflito contra o Irã. Isso porque o grupo terrorista é apoiado por Teerã e iniciou ataques aéreos contra o território israelense em retaliação a bombardeios de Israel contra o Irã. As ações mergulharam o Líbano em uma crise humanitária.

Ataques de Israel ao Líbano após cessar-fogo

Fumaça sobe após um ataque israelense aos subúrbios do sul de Beirute, no Líbano, em 8 de abril de 2026. — Foto: REUTERS/Mohamed Azakir

O Exército de Israel afirmou que realizou "a maior onda de bombardeios" da guerra contra o Líbano, que atingiu mais de 100 centros de comando e instalações militares do Hezbollah.

"Este é o maior ataque realizado contra a infraestrutura do Hezbollah desde o início da Operação 'Leão Rugindo'. A maior parte da infraestrutura atingida estava localizada no coração de áreas civis, como parte do que Israel descreve como o uso de civis libaneses como escudos humanos pelo Hezbollah (...) Continuaremos atingindo a organização terrorista e utilizaremos todas as oportunidades operacionais", afirmou a pasta.

Danos foram reportados em Beirute e em outros locais do país. Israel emitiu diversos alertas para evacuação para diversas regiões no sul do Líbano, na cidade de Tiro, e também em sete bairros da capital libanesa.

Bombardeio israelense em Tiro, no sul do Líbano, em 8 de abril de 2026. — Foto: REUTERS/Adnan Abidi

Mais cedo, o Hezbollah pediu contenção e advertiu Israel contra novos ataques. O grupo terrorista não havia se manifestado de forma oficial sobre os bombardeios reportados pelo Exército israelense até a última atualização desta reportagem.

O embaixador do Irã na ONU afirmou nesta quarta-feira que Israel deve respeitar o cessar-fogo no Líbano, e disse qualquer continuação dos ataques complicaria a situação e teria consequências.

Bombardeio israelense em Beirute, no Líbano, em 8 de abril de 2026. — Foto: Reprodução/redes sociais via Reuters

Por que Líbano faz parte da guerra?

O país tem sido alvo de constantes ataques israelenses desde os primeiros dias da guerra, iniciada em 28 de fevereiro. Israel afirma ter como alvos o grupo extremista Hezbollah, aliado do Irã que atua no país que lançou ataques contra o território israelense.

Alegando a proteção de seu território, Israel invadiu o sul do Líbano, tomando o controle militar de todo o território do país vizinho até o rio Litani. Ataques aéreos também foram realizados contra a capital, Beirute, e o Vale do Beqaa, no leste do país.

Segundo o governo libanês, mais de 1.500 pessoas morreram em ataques israelenses no país desde o início do conflito, e outras 4.800 ficaram feridas.

Fumaça sobe após um ataque israelense aos subúrbios do sul de Beirute, no Líbano, em 8 de abril de 2026. — Foto: REUTERS/Mohamed Azakir

Condições para o fim da guerra

A trégua foi mediada pelo Paquistão e envolve todas as frentes de batalha, incluindo Israel e o Líbano. Autoridades iranianas e norte-americanas devem se reunir em Islamabad na próxima sexta-feira (10) para iniciar negociações de um acordo de paz.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia prometido atacar estruturas energéticas e pontes do Irã caso não houvesse acordo até as 21h de terça-feira. Ele chegou a afirmar que uma “civilização inteira” morreria.

Cessar-fogo

Cessar-fogo

Noventa minutos antes do fim do prazo, Trump disse em uma rede social que havia concordado em adiar os ataques por duas semanas. Segundo ele, a decisão foi condicionada à reabertura do Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã após o início da guerra.

  • Cerca de 20% das exportações mundiais de petróleo passam pela rota marítima.
  • O fechamento do Estreito de Ormuz pressionou os preços do petróleo e gerou impactos econômicos em vários países, incluindo os Estados Unidos.

Além da reabertura da via, os EUA já haviam listado outras condições para encerrar a guerra, como o compromisso do Irã de não desenvolver armas nucleares. Entre os pontos estão:

  • limitação do alcance e da quantidade de mísseis iranianos;
  • desativação de usinas de enriquecimento de urânio;
  • fim do financiamento a grupos aliados na região, como Hamas e Hezbollah;
  • criação de uma zona marítima livre no Estreito de Ormuz.

Trump afirma que os EUA já venceram a guerra. Ao anunciar a trégua, ele disse que todos os objetivos americanos foram alcançados. Na sequência, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, classificou a ofensiva como um sucesso.

"Esta é uma vitória para os Estados Unidos, conquistada pelo presidente Trump e pelas nossas forças armadas", disse Leavitt. "Graças às nossas capacidades militares, alcançamos e superamos os principais objetivos em 38 dias."

A mídia estatal iraniana classificou o acordo como um “recuo humilhante de Trump” e afirmou que os EUA aceitaram os termos de Teerã. Agências oficiais disseram que o Irã resistiu e que os americanos não atingiram seus objetivos.

Em comunicado, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou o fim dos ataques e a reabertura do Estreito de Ormuz. Segundo ele, a passagem de navios será segura, com coordenação das forças iranianas e dentro de limitações técnicas.

  • O chanceler afirmou que os Estados Unidos aceitaram as condições da proposta.
  • Trump, por outro lado, disse que o plano é uma base viável, mas que ainda há divergências.

Segundo o governo iraniano, a proposta exige o fim das sanções dos EUA, pagamento de compensações e liberação de ativos iranianos congelados.

A agência Mehr, controlada pelo governo iraniano, afirmou que os 10 pontos apresentados por Teerã incluem:

  • Não agressão.
  • Permanência do controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz.
  • Aceitação do enriquecimento de urânio por parte do Irã.
  • Suspensão de todas as sanções primárias ao Irã.
  • Suspensão de todas as sanções secundárias ao Irã.
  • Revogação de todas as resoluções do Conselho de Segurança da ONU.
  • Revogação de todas as resoluções do Conselho de Governadores da AIEA.
  • Pagamento de indenização ao Irã.
  • Retirada das forças de combate dos EUA da região.
  • Cessação da guerra em todas as frentes, inclusive no Líbano.

Segundo a Associated Press (AP), o Irã divulgou plano de cessar-fogo de 10 pontos na versão em língua farsi com a frase "aceitação do enriquecimento" para seu programa nuclear, algo que estava ausente nas versões em inglês compartilhadas por diplomatas iranianos com jornalistas.

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