Trump também relembrou os ataques feitos pelos EUA contra o Irã em junho de 2025. Ele afirmou que, na ocasião, as forças americanas destruíram um suposto programa de armas nucleares do país.
Segundo o presidente, o Irã foi avisado de que não deveria retomar o programa nuclear. Ainda assim, ele afirmou que o país “voltou a perseguir suas ambições nucleares”.
“Minha preferência é resolver esse problema por meio da diplomacia, mas uma coisa é certa: jamais permitirei que o maior patrocinador do terrorismo no mundo tenha uma arma nuclear”, continuou.
Os dois países vivem um aumento de tensões em meio às negociações para um acordo que busca limitar o programa nuclear iraniano.

Trump diz que 'EUA estão de volta' e faz críticas ao governo Biden
Ainda no discurso, Trump defendeu políticas anti-imigratórias e voltou a adotar um discurso duro sobre segurança nas fronteiras. Ao mesmo tempo, fez um aceno a estrangeiros que queiram viver legalmente nos Estados Unidos.
“Sempre permitiremos a entrada legal de pessoas que amem nosso país e trabalhem duro para mantê-lo”, disse.
Trump usou os primeiros 40 minutos do discurso para falar sobre dados da economia. Logo na abertura, o presidente criticou a gestão anterior, de Joe Biden, afirmando que tinha assumido o país em uma crise.
O presidente também destacou indicadores econômicos. Segundo ele, a inflação está em queda, a renda em alta e a economia em recuperação. O presidente afirmou ainda que a produção de energia bate recordes.
- Ele elogiou um megapacote aprovado em julho que reduz impostos, mas aumentou a dívida nacional.
- O presidente também criticou os democratas, que votaram contra o projeto. Segundo ele, a oposição quer "machucar as pessoas" com impostos altos.
Trump também usou o discurso para criticar a decisão da Suprema Corte que derrubou tarifas impostas a outros países — entre eles o Brasil — com base em uma lei de emergência da década de 1970. Ele classificou a decisão como “frustrante”. Os ministros acompanharam a fala no plenário.
Após a decisão da Suprema Corte que derrubou as tarifas, Trump anunciou uma nova taxa global de 15% sobre produtos importados. No discurso, o presidente afirmou acreditar que a medida poderá substituir o atual sistema de imposto de renda e aliviar a carga tributária dos americanos. Ele defendeu ainda que tarifas ajudaram a evitar conflitos internacionais.
Já era esperado que a economia ocupasse um espaço central no discurso, já que os americanos continuam preocupados com o custo de vida. Pesquisa divulgada pela Associated Press aponta que apenas 39% dos eleitores aprovam as políticas econômicas de Trump.
O presidente dos EUA, Donald Trump, faz o discurso do Estado da União no plenário da Câmara do Capitólio dos Estados Unidos — Foto: Kevin Lamarque/Reuters
A expectativa é que Trump destaque ações na política externa. Ele deve citar o cessar-fogo na Faixa de Gaza, elogiar a operação dos EUA contra alvos nucleares do Irã e comentar o aumento das tensões no Oriente Médio.
Trump deve destacar ainda ações militares e de segurança no hemisfério ocidental. Segundo os trechos divulgados, ele afirmará que os Estados Unidos estão “restaurando a segurança e a predominância americana” na região em uma referência às operações contra o narcotráfico.
No discurso, o presidente também:
- anunciou um acordo para que empresas de tecnologia envolvidas com inteligência artificial paguem tarifas de eletricidade mais altas em regiões com data centers;
- pressionar o Congresso por aumento no financiamento militar;
- cobrar a aprovação de uma lei que exija documento de identidade e comprovação de cidadania para votar.
Obama faz o discurso do Estado da União em 2015 — Foto: GloboNews
O discurso sobre o Estado da União é realizado desde 1790, quando o presidente George Washington fez uma fala breve, com pouco mais de mil palavras. Ao longo dos anos, a tradição mudou, e os discursos ficaram cada vez mais longos e midiáticos.
Em 1801, Thomas Jefferson decidiu romper com a prática de falar pessoalmente ao Congresso e passou a enviar a mensagem por escrito. O formato foi mantido por mais de um século. Apenas em 1913, Woodrow Wilson retomou o modelo presencial.
Em 1947, o presidente Harry Truman foi o primeiro a fazer o discurso com transmissão pela televisão. Quase 20 anos depois, em 1965, o presidente Lyndon Johnson decidiu realizá-lo em horário nobre para ampliar a audiência.
Com o aumento da polarização, tornou-se comum que congressistas do partido do presidente se levantem para aplaudi-lo, enquanto os opositores permanecem sentados — e, em alguns casos, fazem provocações. Biden, por exemplo, foi chamado de mentiroso por uma deputada em 2023.
Oficialmente, o discurso mais longo foi feito pelo presidente Bill Clinton. A fala durou 1 hora, 28 minutos e 49 segundos.
No ano passado, o discurso de Trump durou 1 hora, 39 minutos e 32 segundos. No entanto, como ele ainda estava no primeiro ano de governo, o pronunciamento não é considerado oficialmente um Estado da União e é classificado como uma sessão conjunta do Congresso.

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