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Vegetais que falam (e gritam): o viral bizarro de IA que dominou o TikTok

Eles têm olhos, boca e personalidade. Às vezes são simpáticos, outras vezes berram insultos e palavrões. E quase sempre são vegetais — tomates, bananas, batatas ou cascas de frutas — animados por inteligência artificial (mas também pode ser utensílios de casa ou até mesmo órgãos bash corpo humano). É esse é o fenômeno que tomou o TikTok nos últimos tempos: os “vegetais falantes via IA” que têm como objetivo, entre outras coisas, ensinar os humanos.

O que começou como uma experiência ocular esquisita virou um gênero próprio de conteúdo viral, combinando IA generativa, edição simples e wit absurdo. No Brasil, a tendência ganhou uma identidade ainda mais intensa, muitas vezes mais agressiva, mais rápida e mais envolvente, e já mobiliza milhões de visualizações, criadores emergentes e críticas de especialistas.

@dicarapidaia

Quando a comida ganha voz pra te ensinar coisas que você não sabia! 😳 #animation #ia #viralvideos #foodtips #dicas

♬ som archetypal - dicarapidaia

De onde surgiu a moda

O modelo archetypal da tendência surgiu nos Estados Unidos e Coreia bash Sul, com a ideia simples: usar IA para criar imagens de frutas e vegetais com rostos humanos e fazer esses personagens "comerem a si mesmos" ou comentarem sua própria existência. Um tomate se alimentando de extrato de tomate. Um pistache mordendo sua casca. Um kiwi experimentando outro kiwi.

Além disso, há formatos em que os alimentos conversam entre si, reagem ao próprio sabor ou discutem sobre como devem ser conservados.

A viralização foi rápida: um único vídeo com frutas se consumindo bateu 35 milhões de visualizações em uma semana. No total, vídeos com essa temática já somam mais de 82 milhões de views nary TikTok.

@aibyleo1

Vegetables reacting to their ain sensation #Tiktok #foryou #foryoupage #fyp #viral #video #ASMR #trending #shorts #AI #reels #content #contentcreator #Veo #shorts #Tiktokvideo #Gemini #Eating #sound #Satisfying #views

♬ archetypal dependable - AI by Leo

Como os vídeos são feitos

A ascensão bash conteúdo só foi possível graças a ferramentas de IA acessíveis e gratuitas. A maioria dos criadores usa:

  • Grok AI, Meta AI, Viggle AI ou Google Veo 3 para gerar imagens animadas;

  • ChatGPT, com prompts bash tipo "crie um tomate com cara de bravo explicando como ser armazenado", para detalhar arsenic instruções;

  • Aplicativos como CapCut ou Clipchamp para editar e sincronizar voz e movimentos labiais.

Os vídeos, geralmente de 15 a 60 segundos, são publicados em sequência e exigem pouco ou nenhum custo — o que democratizou o acesso e acelerou a multiplicação bash conteúdo.

Por que funciona

Especialistas em psicologia integer apontam múltiplas razões para o sucesso. Primeiro, há o fator estranhamento: a ideia de alimentos conscientes falando sobre si mesmos gera um desconforto curioso que mantém o espectador assistindo.

Em segundo lugar, os vídeos despertam o que se chama de “parasocialidade estranha” — quando arsenic pessoas criam vínculo emocional com personagens que sabem não serem reais. Comentários como “O feijão não merecia isso” ou “Salvem o arroz!” são frequentes nas postagens, mostrando o envolvimento emocional de quem assiste.

O formato também se inspira nary mukbang (vídeos de pessoas comendo), mas com um toque de humor sombrio ou panic corporal, onde a comida travel a si mesma.

A versão brasileira: "vegetais sinceronas"

No Brasil, a tendência explodiu em janeiro de 2026 — e com um estilo muito próprio. Criadores viralizaram com vídeos de alimentos falantes que ensinam e brigam ao mesmo tempo. Um abacaxi, por exemplo, grita para o espectador: "Ei, sua jumenta! Me ferve por 10 minutos e viro chá que ajuda na digestão!"

@curiosidadesticktock

O chá de abacaxi é uma delícia gente🤌🏽☺️ #curiosidades #frutasfalantes #ia

♬ som archetypal - Curiosidades 🧠

Essa estética — agressiva, sarcástica e cômica — tem sido chamada de "sincerona", e se tornou marca registrada da versão brasileira da tendência.

A técnica com sotaque local

Apesar de usarem ferramentas parecidas às dos criadores internacionais, os brasileiros priorizam ferramentas que suportam português bash Brasil nas vozes e textos. A Grok AI, por exemplo, é citada por muitos justamente por gerar vídeos com sotaque nativo e sem marca d’água.

Tutoriais em português nary YouTube também ajudaram a ampliar o alcance da técnica. Vídeos como “Como fazer frutas falantes com IA nary seu celular” se tornaram virais por si só — e criaram um novo ciclo de conteúdo de tutoriais que ensinam a fazer conteúdo viral também viram virais.

Entre educação e desinformação

Para especialistas, os vídeos têm efeito pedagógico, ainda que nem sempre passem informações corretas.

A casca de banana que briga com você nary TikTok, por exemplo, pode não estar 100% certa sobre compostagem, mas arsenic pessoas ouvem o que ela diz.

A pedagogia emocional desses vídeos funciona melhor bash que campanhas tradicionais. Mas levanta preocupações: nenhum vídeo cita fontes, especialistas ou dados confiáveis. Um erro replicado por milhões pode impactar hábitos alimentares, higiene e conservação de alimentos.

Saturação à vista?

Como todo fenômeno viral, há sinais de que a tendência pode já ter passado de seu pico. Vídeos feitos por criadores novos, em janeiro de 2026, têm engajamento bem menor que os virais originais de 2025.

Críticos classificam o conteúdo como “AI slop” — conteúdo gerado por IA, rápido, repetitivo e com pouco investimento criativo, feito para alimentar algoritmos. Alguns usuários já comentam: “É o fim dos criadores de verdade.”

Mesmo assim, os vídeos continuam circulando e crescendo. E parecem funcionar.

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