Rede CNN Interncional disse ter tido acesso à íntegra do acordo, ainda não divulgado oficialmente. Texto tem 14 pontos, e também prevê fim imediato e permanente do conflito.

Declarações do Irã e dos EUA mostram que negociações de paz ainda têm impasses pela frente
O acordo para o fim da guerra no Oriente Médio assinado por Estados Unidos e Irã inclui garantias de que Teerã nunca terá armas nucleares, a suspensão de sanções norte-americanas contra o país e uma compensação financeira ao governo iraniano.
O texto do documento foi divulgado pela agência estatal iraniana Irna na tarde desta quarta-feira (17). A versão do acordo publicada pela agência coincide com a veiculada horas antes pela emissora CNN Internacional.
➡️ O conteúdo do acordo ainda não foi oficialmente divulgado. O texto foi assinado de forma virtual no fim de semana, segundo o governo dos EUA, e será firmado presencialmente em uma cerimônia na sexta-feira (19) em Genebra, na Suíça.
O acordo de paz tem 14 pontos. Veja quais são abaixo:
- EUA e Irã declaram um fim imediato e permanente da guerra em todas as frentes, incluindo no Líbano, e se comprometem a não iniciar qualquer conflito contra o outro e a garantir a integridade territorial e soberania libanesas;
- EUA e Irã se comprometem a respeitar a soberania e integridade territorial do outro e não interferir nos assuntos internos do outro;
- EUA e Irã se comprometem a conduzir negociações para alcançar um acordo final em até 60 dias, com prazo prorrogável mediante consentimento mútuo;
- EUA suspenderão seu bloqueio naval ao Irã e retirarão suas forças militares da região ao redor do Irã em até 30 dias após a assinatura do memorando;
- Irã reabrirá o Estreito de Ormuz em até 30 dias e se compromete a garantir passagem segura e sem custos de navios comerciais por 60 dias. O Irã também dialogará com o Omã e outros países do Golfo Pérsico sobre a futura administração do estreito;
- EUA se comprometem, junto com seus parceiros regionais, a criar um programa para reconstrução e desenvolvimento econômico do Irã, com financiamento mínimo de US$ 300 bilhões;
- EUA se comprometem a encerrar todos os tipos de sanções contra o Irã, incluindo resoluções do Conselho de Segurança da ONU, resoluções do Conselho de Governadores da AIEA e todas as sanções unilaterais americanas;
- Irã reafirma que não produzirá nem adquirirá armas nucleares, e ambas as partes concordam em tratar da diluição do urânio enriquecido por meio de mecanismo acordado e com supervisão da AIEA. EUA e Irã também concordam em discutir o tema do enriquecimento e outras questões nucleares no futuro;
- EUA e Irã concordam em manter o status quo atual até chegarem a um acordo final: o Irã manterá sua atual política nuclear; os EUA não vão impor novas sanções nem aumentarão sua presença militar no Oriente Médio;
- A liberação de ativos e fundos iranianos que estavam congelados ou restringidos pelas sanções;
- A permissão para que o Irã comercialize seu petróleo e produtos petroquímicos;
- A emissão, pelo Departamento do Tesouro dos EUA, de isenções para exportações de petróleo bruto iraniano, produtos petroquímicos e seus derivados, e "todos os serviços relacionados, incluindo bancários, de seguros, transporte e similares";
- Um entendimento para um acordo final em 60 dias, incluindo a questão do programa nuclear iraniano;
- Que uma resolução do Conselho de Segurança da ONU aprove o acordo final, após 60 dias.
O acordo não prevê, segundo a rede norte-americana, qual o limite de enriquecimento de urânio que o Irã poderá produzir. E determina que o destino do material nuclear e o urânio enriquecido pelo Irã ainda será definido no acordo final, em até 60 dias.
Embarcações no Estreito de Ormuz , vistas de Musandam, Omã, em 15 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Stringer
'Se eu não gostar do acordo, voltaremos a jogar bombas'

'Eu sou o chefe', diz Trump a outros líderes na cúpula do G7
Trump afirmou ainda que pode voltar a atacar Teerã caso não fique satisfeito com o desfecho das negociações posteriores, sobre o programa nuclear iraniano.
Donald Trump também disse que a existência do fundo de US$ 300 bilhões que serviria para financiar a reconstrução do Irã é "falso".

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