Protocolada no Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS), uma denúncia expôs diversas irregularidades no funcionamento do abrigo de cães Palmira Gobbi, em Canoas, que deve fechar as portas ainda neste mês de julho. Entre os problemas apontados estão a falta de assistência noturna aos animais acolhidos, redução da equipe de veterinários, retirada arbitrária e sem aviso prévio de doações feitas ao abrigo, infestação de pragas e problemas estruturais no imóvel.
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Protocolada no Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS), uma denúncia expôs diversas irregularidades no funcionamento do abrigo de cães Palmira Gobbi, em Canoas, que deve fechar as portas ainda neste mês de julho. Entre os problemas apontados estão a falta de assistência noturna aos animais acolhidos, redução da equipe de veterinários, retirada arbitrária e sem aviso prévio de doações feitas ao abrigo, infestação de pragas e problemas estruturais no imóvel.
Atualmente, o espaço de acolhimento para cães está vinculado à prefeitura do município, através da Secretaria de Bem-Estar Animal (SMBEA). Durante as enchentes de 2024, o abrigo chegou a receber mais de 2 mil animais. Hoje, conta com pouco menos de 100 cães, todos disponíveis para doação. A atual responsável pela SMBEA é a empresária e ativista da causa animal, Paula Lopes. Ela foi nomeada por Airton Souza (PL), que assumiu a prefeitura após vencer o ex-prefeito Jairo Jorge (PSD) nas eleições de 2024.
Uma das voluntárias que atuou no abrigo desde sua fundação conversou com a reportagem. Ela não quis se identificar, mas afirmou que os processos logísticos do abrigo foram se modificando desde que a nova gestão do município assumiu no início do ano. Segundo ela, a prefeitura, até dezembro de 2024, alocava no abrigo 12 tratadores de animais, um auxiliar administrativo e uma coordenadora veterinária. A instituição também contava com o trabalho de 10 veterinários designados pelo Ibama.
Em janeiro deste ano, de acordo com a voluntária, a coordenadora do abrigo foi retirada da instituição por ordens do poder público. O Executivo também vem diminuindo o número de tratadores da entidade e deixou de disponibilizar veterinários para atuação permanente no local.
Além da falta de pessoal, a denúncia relata que houve uma retirada, sem aviso prévio, de doações recebidas pelo abrigo, como medicamentos, rações e mobílias. Segundo o documento, a secretária Paula Lopes se reuniu com as voluntárias do abrigo no dia 18 de fevereiro, quando foi acertado que um inventário do material doado seria realizado e, após esse processo, seria decidida a destinação de cada um dos itens, em conjunto com a equipe que trabalha no local.
No dia seguinte, no entanto, a secretaria enviou um caminhão ao abrigo e determinou que tudo fosse retirado. “Tínhamos um galpão inteiro com medicação, todo o estoque que ganhamos de doações, freezers que conseguimos para as vacinas, armário com medicação controlada, prateleiras cheias de medicações, camas, guias e cobertas. Um dia, ela (secretária Paula Lopes) mandou um caminhão para o abrigo e levaram todos os medicamentos, todo o estoque de tudo. Não deixaram nenhuma cadeira para trás”, relata a voluntária.
Após a retirada das doações, o abrigo passou a ter dificuldades para dar a assistência devida aos cães. “As coisas começaram a ser negadas, dizendo que a gente nunca teve cama, nunca teve alimentos, nada. Temos páginas enormes do inventário do dia 26 de dezembro, com todas as coisas que a gente tinha”, afirma.
Outra irregularidade apontada na denúncia é a desassistência noturna aos animais acolhidos no abrigo. No documento, é relatado que no dia 23 de fevereiro as voluntárias foram informadas de que não haveria mais um tratador escalado para trabalhar durante o turno da noite. Os animais, então, passariam o período sem nenhum tipo de supervisão. “Ela (Paula Lopes) disse que nunca ia deixar os animais sozinhos durante a noite. Só que ela reduziu totalmente a equipe de veterinários. Tínhamos 12 veterinários antes, depois começou a ter muito menos”, afirma.
No dia em que ficaram sabendo da ausência de tratadores noturnos, um grupo de voluntários visitou o espaço durante a noite, constatando que os animais estavam sem nenhum tipo de assistência. Após exporem o seu descontentamento à chefe da pasta, a decisão foi revertida.
O texto enviado ao MP-RS ainda aponta uma negligência em relação à higiene do espaço, afirmando que o abrigo sofre com infestação de ratos, pulgas e carrapatos devido à diminuição dos procedimentos de controle de pragas. “É possível observar uma enorme infestação de ratos circulando na mesma área onde ficam os cães alojados, podendo ocorrer contaminação de alimentos e água, visto que a ração e bebedouros podem ser infectados por urina e fezes de roedores”, diz uma parte do relato.
Em nota, a assessoria da SMBEA afirmou que o abrigo atende aos protocolos sanitários, que estão sempre sob vigilância da administração pública. De acordo com a pasta, o último procedimento de controle de pragas foi realizado em maio.
Em relação às doações retiradas do abrigo, a secretaria afirmou que diversos medicamentos armazenados estavam vencidos e, portanto, foram descartados. Os demais insumos médicos foram enviados à farmácia oficial da SMBEA. A nota não deu esclarecimentos sobre o motivo ou destino dos demais itens removidos.
A secretaria negou a diminuição no número de profissionais alocados no abrigo, afirmando ainda que o atendimento clínico é uma das prioridades do espaço. “O acompanhamento técnico segue inalterado, com a presença regular de profissionais capacitados para atender às demandas dos animais”, diz o texto.
O encerramento das atividades do abrigo foi uma decisão da prefeitura, que realocará todos os cães acolhidos no espaço na sede do Bem Estar Animal. No dia 26 de junho, o Conselho Regional de Medicina Veterinária realizou uma inspeção no espaço, a fim de verificar as questões apontadas na denúncia. O laudo da vistoria ainda não está disponível.
O processo segue tramitando no Ministério Público, que agora deve escolher entre arquivar o procedimento ou instaurar um inquérito, para investigar a denúncia mais detalhadamente.

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