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14 coisas tech dos anos 2000 que hoje parecem completamente surreais

Nos anos 2000, a tecnologia parecia ter alcançado o ápice. Celulares com antena, internet discada e câmeras digitais eram objetos de desejo e status. No entanto, para a geração que já nasceu conectada ao Wi-Fi e aos smartphones, essas inovações não parecem ser tão surpreendentes. Para quem cresceu deslizando o dedo em telas sensíveis ao toque, é difícil imaginar um mundo onde era preciso rebobinar fitas, esperar minutos para carregar uma página na internet ou usar CDs para ouvir música. Algumas dessas tecnologias, hoje obsoletas, marcaram uma era de transição digital intensa e moldaram o modo como interagimos com o mundo. Relembre 15 itens que já foram o auge da inovação e agora parecem relíquias de um passado distante.

 Divulgação/Siemens O Siemens A50 marcou época nos anos 2000 — Foto: Divulgação/Siemens

1. Ter um celular só para mandar torpedo SMS

 Divulgação/Motorola) Celulares de flip eram moda no começo dos anos 2000 — Foto: (Foto: Divulgação/Motorola)

Quem vivenciou o início dos anos 2000 pode ver a mudança que se orquestrou dos celulares. Essa tecnologia passou de um item de consumo de extremo luxo para um objeto de uso comum e corriqueiro que vemos hoje em dia. No entanto, entre 2000 e 2010, houve um período nebuloso no qual os celulares eram sim parte do dia-a-dia da maioria das pessoas, mas o seu uso era limitado por planos telefônicos com serviços caros e ineficientes. Além disso, a web era algo que, comparada aos dias atuais, era extremamente limitada. O uso da internet cabeada era muitas vezes a única opção viável. Portanto, era comum o uso do telefone limitado a mensagens de texto curtas, chamadas popularmente de “torpedo” ou SMS.

2. O “Internetês” ou linguagem da internet

 Divulgação/DL Exemplo de celular com teclas — Foto: Divulgação/DL

A primeira década dos anos 2000 marcou a ascensão, apogeu e declínio da linguagem do “internetês”, considerada na época uma linguagem que tinha vindo para ficar. Consistia no uso indiscriminado de abreviações e de um vocabulário próprio motivado pelo uso e pelas limitações da tecnologia da época. Wxpressões como "TDB" (tudo de bom), "Xau", "XOXO" passaram a ser a norma nas comunicações digitais e também nas mensagens de texto trocadas através do SMS. Dentre os motivos estão o fato dos torpedos serem pagos por caracteres, o que tornava as abreviações uma forma inteligente de se comunicar gastando menos. O teclado dos celulares da época também representava um verdadeiro exercício para os dedos, já que era um teclado numérico não adaptado para o uso de letras, o que dificultava bastante a digitação.

3. Entrar no MSN e sair só para chamar a atenção

 Divulgação/MSN Os usuários eram notificados quando seus contatos entravam ou saiam da plataforma — Foto: Divulgação/MSN

Somente a menção do MSN para uma plateia de pessoas nascidas depois de 2010 já pode causar confusão e uma série de expressões de espanto e choque. Porém, a ferramenta era a grande forma de comunicação entre colegas de sala e conhecidos nos anos 2000. Uma das funções icônicas do MSN era a notificação de entrada, sempre que um contato logava no aplicativo de bate-papo, o MSN exibia um alerta em formato de pop-up para avisar que ele estava online. Uma prática comum aos usuários era de entrar e sair várias vezes para chamar a atenção daquele interesse amoroso, o que fazia com que várias janelas surgissem avisando sobre o login.

4. Terminar relacionamentos no Orkut mudando o status para “solteiro”

 Reprodução/Orkut Recados enviados por depoimentos podiam conter grandes segredos — Foto: Reprodução/Orkut

Nos tempos do Orkut, terminar um relacionamento muitas vezes começava — ou acabava — com um simples clique: mudar o status para "solteiro". Bastava essa pequena ação para que todos os amigos vissem a novidade no feed e, em poucos minutos, começassem com os depoimentos de apoio, as mensagens no scrap e até os comentários mais ousados de quem estava só esperando a oportunidade.

Era uma espécie de ritual digital de término, público e inevitavelmente dramático. Muitos descobriram o fim de um namoro pela página do ex antes mesmo de uma conversa definitiva acontecer. O Orkut transformava rompimentos em eventos sociais e marcou para sempre uma fase em que a vida amorosa começava a se confundir com a vitrine das redes.

5. Tirar fotos com câmera digital e postar no álbum “balada” do Orkut

 Reprodução/Lívia Dâmaso) Álbuns de fotos no Orkut — Foto: Álbuns de fotos no Orkut (Foto: Reprodução/Lívia Dâmaso)

Se hoje a própria palavra “balada” é sinal de idade avançada, antigamente era o auge da jovialidade. Tirar fotos com uma câmera digital na "balada" e depois subir todas, sem filtro e sem pudor, direto para o álbum do Orkut com título tipo "noite perfeita" era o auge da socialização online. As imagens tremidas, com olhos vermelhos e poses coreografadas, ficaram eternizadas sem curadoria. Quanto mais fotos, melhor. Hoje, só de mencionar essa prática, já se denuncia um pertencimento a uma era tão distante quanto embaraçosamente nostálgica.

6. Comprar DVD pirata na banquinha de camelô

 Divulgação Muitas pessoas compravam DVDs piratas de filmes, jogos e música — Foto: Divulgação

Ainda hoje, o poder de compra médio do brasileiro não acompanha a velocidade e nem o preço da tecnologia, mas isso era especialmente verdade na primeira década dos anos 2000. Apesar da prática da pirataria ser ilegal, a mesma era endêmica no Brasil e comprar um DVD pirata era uma experiência única.

Na realidade, não se sabia ao adquirir a mercadoria se realmente estávamos levando aquilo que fomos comprar. Quase sempre a cópia adquirida por meios ilícitos era uma gravação de qualidade duvidosa daquele filme que estávamos querendo assistir inicialmente. Mas às vezes podia ser um filme ou jogo completamente diferente daquilo que estávamos procurando e, boa sorte para achar ou cobrar o vendedor no dia seguinte.

7. Baixar música no Ares ou no 4shared com medo de vírus

 Divulgação/Windows Phone Store 4Shared foi amplamente utilizado para download de música nos anos 2000 — Foto: Divulgação/Windows Phone Store

Baixar música no Ares ou no 4shared era uma aventura que misturava desejo e paranoia. A emoção de finalmente encontrar aquele hit do momento vinha sempre acompanhada do medo constante de estar trazendo um vírus junto com o arquivo. Cada clique era um risco calculado: se o nome do arquivo estivesse muito estranho, ou se o tempo de download fosse rápido demais, a suspeita era imediata. Ainda assim, valia a pena enfrentar a roleta russa digital para lotar o MP3 com as faixas preferidas.

Era uma época em que o prazer de montar uma coletânea personalizada exigia paciência e coragem. Antivírus atualizado, fóruns com dicas e o eterno dilema entre .mp3 e .exe faziam parte da rotina de quem queria fugir da rádio e montar sua própria trilha sonora. O medo de infectar o computador da família era real, mas a satisfação de ouvir a música offline, sem pagar nada, parecia compensar qualquer risco — pelo menos até o próximo alerta de ameaça aparecer na tela.

8. Jogar Colheita Feliz e ficar irritado com gente roubando sua plantação

 Divulgação/Mentez Colheita Feliz foi o primeiro grande fenômeno das redes sociais — Foto: Divulgação/Mentez

Jogar Colheita Feliz no Orkut era um passatempo viciante que transformava qualquer um em fazendeiro digital — e em detetive desconfiado. O objetivo era simples: plantar, colher e expandir sua fazenda virtual. No entanto, bastava descuidar por algumas horas para descobrir que algum “amigo” havia invadido sua plantação e roubado seus morangos suados. A frustração era tanta que muita gente passava a acordar mais cedo só para colher antes do ataque alheio.

As invasões geraram tretas reais no mundo offline: amizades abaladas, indiretas em depoimentos e até bloqueios dramáticos. No fundo, todo mundo roubava um pouquinho, mas ninguém gostava de ser roubado. Inocente a princípio, o jogo virou campo de batalha de vaidades e estratégias, ensinando lições amargas sobre confiança digital — e sobre nunca deixar o tomate crescer sem supervisão.

9. Ficar esperando a internet discada liberar depois da meia-noite

 Divulgação/Unsplash Internet discada conectava o modem à linha telefônica — Foto: Divulgação/Unsplash

Se você tem 30 anos ou mais é provável que tenha esperado até a meia-noite para navegar pela internet, principalmente se você se importava em manter a sua relação com seus pais saudável por meio de uma conta de telefone baixa.

Durante a década de 1990 até meados de 2007, a cobrança das ligações telefônicas era feita pelo sistema de pulsos. Como a internet usava a linha telefônica, a cobrança era realizada da mesma maneira. Basicamente, se cobrava um pulso no primeiro segundo de ligação e, em seguida, era cobrado o pulso aleatório que poderia ser cobrado nos primeiros quatro minutos da ligação. Logo depois, se cobrava um pulso a cada quatro minutos, o que tornou a vida do usuário de internet discada rapidamente bem cara. Isso popularizou o uso da internet no horário depois da meia-noite até às seis da manhã no qual a maioria das companhias de telefonia cobravam apenas por um pulso, sem se importar com a duração da chamada.

10. Decorar número de telefone fixo das pessoas

 Unsplash Telefone fixo hoje é raridade nos lares de brasileiros — Foto: Unsplash

Apesar de ser impensável nos dias de hoje, houve uma época na qual a coisa mais tecnológica para recordar o telefone de outras pessoas era uma folha de papel e um lápis ou caneta. Agendas telefônicas continham o número de amigos e parentes e de estabelecimentos que faziam entregas. Outra opção era sussurrar um mantra ou cantar os números na cabeça para tentar reter o contato de um amigo ou de um serviço importante até chegar em casa e anotá-lo em ubloco de papel organizado por ordem alfabética.

11. Escrever em “miguxês”

 Reprodução/MSN Você podia mostrar o que estava ouvindo para todos os seus contatos — Foto: Reprodução/MSN

Escrever em miguxês era uma prática comum na época do Orkut e MSN. Cada letra trocada por um número, cada coraçãozinho com “<3” e capricho na combinação de maiúsculas, minúsculas e xXx-ornamentações-xXx traziam um toque de arte digital à conversa. Era o auge da fofura artificial: “t3 4m0h mto0h amguxaa sz” podia significar tanto uma declaração de amizade eterna quanto só um “oi” animado. Hoje, com o corretor automático tentando consertar até um “vc”, o miguxês seria cancelado antes de terminar o “oooiiiiii”. Mas naqueles tempos, a regra era clara: quanto mais demorado de ler, mais styloso você era.

 Divulgação/Intenso MP3 Player era o dispositivo de músicas portátil dos anos 2000 — Foto: Divulgação/Intenso

Baixar músicas em aplicativos como Ares e 4shared era uma prática comum, apesar do risco de infectar o computador com vírus terríveis. O objetivo era dar origem a playlists para serem tocadas no aparelho MP3 Player. Em geral, o aparelho tinha espaço para, no máximo, umas 120 músicas. O ritual era selecionar as faixas no computador, conectar o cabo USB e torcer para que o “Remover Hardware com Segurança” não travasse o som.

12. Ter inúmeros perfis “fake” no orkut

 Reprodução/Orkut Manter um perfil fake e viver uma vida fake era comum no Orkut — Foto: Reprodução/Orkut

Ter um perfil fake no Orkut era muito comum nos anos 2000. Enquanto hoje metaverso e avatares estão se popularizando, na época bastava uma foto estilizada de uma celebridade ou de um personagem de anime para criar uma identidade paralela que servia tanto para diversão quanto para missão secreta. Era o espaço onde se podia escrever o que quisesse, postar frases melosas ou filosóficas e fazer parte de comunidades como “sou legal, não tô te dando mole”.

Os fakes eram usados até como ferramenta de espionagem. Adolescentes usavam perfis falsos para fuçar a vida de interesses românticos e rivais; outros já utilizavam para entrar em comunidades que o “perfil real” jamais ousaria frequentar. As páginas também eram usadas para tirar print de depoimentos suspeitos, monitorar scraps comprometedores e manter viva a tradição do drama adolescente com um toque de mistério.

13. Passar músicas e vídeos por Bluetooth para os amigos

 Helito Beggiora/TechTudo Era possível transferir músicas de um celular para outro via Bluetooth — Foto: Helito Beggiora/TechTudo

Passar músicas e vídeos por Bluetooth nos anos 2000 era praticamente um ato mágico — e também um verdadeiro ritual social. Bastava alguém aparecer com uma nova do Black Eyed Peas ou um vídeo engraçado do YouTube baixado por meios misteriosos, que logo se formava uma fila de celulares flip, sliders e Nokias prontos para receber o conteúdo via aquela tecnologia revolucionária. A troca era lenta, mas, quando dava certo, a música começava a tocar no aparelho e demonstrava desde já o avanço da tecnologia. O Bluetooth também era sinônimo de status e generosidade. Quem tinha um celular com mais memória virava automaticamente o distribuidor oficial de hits e memes da turma. Era o streaming analógico da adolescência.

14. Escrever web novelas para tumblr

 Divulgação/Tumblr Tumblr Dashboard — Foto: Divulgação/Tumblr

Escrever web novelas no Tumblr pode até ter sido uma atividade de nicho nos anos 2000, mas era um verdadeiro épico literário digital na época. Eram histórias cheias de drama, romance, reviravoltas e com personagens inspirados em celebridades da época — de Zac Efron a Avril Lavigne. O autor era roteirista, diretor e editor, escrevendo capítulos que terminavam com cliffhangers dignos de novela das nove. Cada novo post era aguardado com ansiedade pelos leitores, que comentavam com caps lock e emojis, pedindo “continuaaaaaa pfvr”.

Embora não tenha sido um fenômeno de massa, quem escrevia ou lia essas novelas sabia que estava participando de uma fanfic escrita com emoção e códigos de HTML. A estética era única — fundos com glitter, trilha sonora incorporada no layout e banners feitos no Paint ou no Photoscape. Era um espaço de liberdade criativa absoluta, onde adolescentes escreviam sagas intensas sobre paixões proibidas, bandas colegiais e vilãs maquiavélicas. No fim, essas web novelas eram uma forma de expressão, pertencimento e construção de mundos.

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