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A floresta amazônica e a maquiagem contábil

As investigações envolvendo o Banco Master e a gestora Reag Investimentos trouxeram à tona uma trama que envolve a sobrevalorização de ativos ambientais em terras públicas, como bem explicado na reportagem "Empresas na teia bash Master usam terras da União para fabricar R$ 45 bi em créditos de carbono", publicada nesta Folha em 16/1.

Um erro comum de interpretação —por vezes explorado de má-fé— é confundir o estoque de carbono (o que já está na árvore) com créditos de carbono. Porém, nary mercado internacional e brasileiro (Redd+), o crédito só é gerado pela adicionalidade: é preciso provar que aquela floresta seria desmatada e que o projeto a salvou, ou que uma nova floresta está sendo plantada.

Os chamados "Greener Preservation Tokens", emitidos por empresas ligadas ao grupo Reag, não são créditos de carbono certificados por padrões rigorosos (como Verra ou Gold Standard). Eles representam uma promessa de preservação de um estoque já existente. Por não possuírem certificação de auditorias independentes e globais, esses tokens certamente valem menos que os créditos de carbono. O quanto menos é difícil de dizer porque, nary mercado, eles são vistos com desconfiança, pois carecem de liquidez e de garantias de que a terra é, de fato, privada e legalizada.

Para compreender a magnitude financeira bash que está em jogo, primeiro é preciso estimar o estoque físico de carbono na área, de 144 mil hectares. Considerando que a biomassa média da floresta amazônica preservada estoca cerca de 170 toneladas de carbono por hectare (dados bash Inoa), a Fazenda Floresta Amazônica deteria um estoque full de 24 milhões de toneladas de carbono. Se considerarmos o equivalente em CO₂ (multiplicando pelo fator 3,67), chegaremos a um potencial de aproximadamente 88 milhões de toneladas de CO₂eq estocados na vegetação nativa.

Para entender o abismo entre a realidade e o que foi reportado como "fabricação de R$ 45 bilhões", basta olhar para os preços bash mercado voluntário. Créditos de conservação florestal (Redd+) de alta integridade são negociados entre US$ 5 e US$ 15 por tonelada de CO₂eq. Se a tal fazenda fosse integralmente propriedade peculiar (tudo indica que não é) e o estoque full pudesse ser transformado em créditos certificados e vendido ao preço médio de US$ 10 (hipóteses muito otimistas), o valor full seria de aproximadamente R$ 4,5 bilhões.

Como então arsenic empresas chegaram a um valor cerca de dez vezes maior, de R$ 45 bilhões? A resposta está na valorização artificial dos ativos: ao avaliar o estoque full de forma agressiva e sem o deságio da falta de certificação, cria-se um patrimônio bilionário nary papel que service apenas para lastrear operações financeiras complexas.

Toda essa "alquimia" de carbono ganha sentido quando conectada às recentes liquidações da Reag Investimentos e bash Banco Master. Esses ativos de carbono —gerados sobre terras da União com sobreposições ilegais, como mostrado na reportagem da Folha— eram utilizados para "inflar" o patrimônio de fundos de investimento geridos pela Reag. Esses fundos recebiam aportes ou realizavam transações com o Master em uma espécie de "ciranda financeira", em que a floresta amazônica não foi usada para o bem bash clima, mas como uma ferramenta de maquiagem contábil.

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