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A reunião do Copom mais desafiadora de Galípolo

O que torna esta a reunião mais desafiadora da gestão de Gabriel Galípolo à frente do Banco Central são dois motivos basicamente: a necessidade de acertar na comunicação e porque há bons argumentos dos dois lados, tanto para o corte de 0,25 pp como de 0,5 pp. Uma minoria aposta na manutenção da Selic em 15% ao ano.

Fabio Gallo, professor de Finanças da FGV-SP, conta que estava no grupo que esperava redução de 0,5 pp até o começo de março. Mas mudou de opinião. "Provavelmente começarão com 0,25 pp. Assim o Copom sinaliza que está em momento de começar a queda de juros. Mas está todo mundo preocupado mesmo é com a leitura da ata para saber como ele vai construir o argumento todo. Por enquanto, é melhor ter cautela e manter o juro em patamar mais alto. A descida será de forma cuidadosa", pondera.

Roberto Padovani, economista-chefe do BV, tem visão parecida. "Essa é uma reunião diferente porque não tem consenso em relação à decisão nem à comunicação. O BC já teve sucesso em apertar a política monetária porque o PIB mudou de patamar - de 3% para 2% - e a inflação se ajustou. Vinha rodando mais próxima a 6% e agora tá perto de 4%. Ele pode começar o ciclo com ritmo de 0,25 pp para manter o sinal de que vai começar a cortar e, na próxima reunião, dá mais 0,25 pp. Só depois acelera, se for o caso", sugere.

Já André Valério, economista-chefe do Banco Inter, discorda: "Nós achamos que o Copom deveria seguir o 'guidance' da última reunião e cortar 0,5 pp hoje, mas o mais provável é que eles sejam mais cautelosos na comunicação e na decisão, cortando 0,25 pp. É natural que o Copom fique mais cuidadoso em meio a um choque do petróleo, especialmente com as expectativas ainda não totalmente ancoradas. Mas temos visto o câmbio bem comportado e o Brasil se beneficia da alta do petróleo (tivemos superávit de US$ 35 bi em petróleo no ano passado, metade do nosso superávit comercial total)".

Valério chama atenção para as consequências da Selic elevada (15% ao ano). "Já estamos com os juros muito altos por bastante tempo, a atividade tem moderado na margem, o processo de desinflação persiste, a inadimplência está em nível recorde e há muitos episódios de recuperação judicial e extrajudicial de empresas (Raízen e GPA). Então o risco para o Copom é apertar além da conta", afirma.

Padovani engrossa o coro. "A gente nota no dia a dia das empresas um estresse financeiro muito grande com juros em 15%. Se ele mantém esse juro com inflação acomodando, então o juro real está aumentando. Ele não está calibrando a política monetária, ele está aumentando em um cenário em que as empresas já estão com muita dificuldade e isso pode sugerir um erro de gestão. Pode levar a uma pressão financeira que desacelera demais a economia", conclui.

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