Em vez de recuar, Petro decidiu confrontar diretamente o Congresso e anunciou que tentaria convocar uma consulta popular nacional para submeter a reforma diretamente aos eleitores. A estratégia transformou a derrota parlamentar em campanha política permanente. Petro passou a mobilizar sindicatos, movimentos sociais e trabalhadores em torno da ideia de que as elites políticas estavam bloqueando reformas aprovadas nas urnas em 2022, com sua eleição.
O governo formalizou o pedido de consulta popular em 1º de maio de 2025, Dia do Trabalhador, com grande manifestação em Bogotá. O Senado rejeitou a convocação semanas depois, por margem apertada. Petro saiu fortalecido politicamente. Ao elevar o custo político do bloqueio às reformas, o governo pressionou o centro político e parte do empresariado a negociar.
Em junho de 2025, uma versão moderada da reforma trabalhista foi aprovada no Congresso. A esquerda vendeu o resultado como prova de que a mobilização popular funcionava; já a oposição acusou Petro de governar apostando no conflito.
A estratégia do presidente deu certo. Em fevereiro de 2026, a aprovação de Petro havia subido para 49,1%, enquanto a desaprovação caiu para 46,1%, segundo a Invamer. Em menos de um ano, Petro recuperou mais de 15 pontos de popularidade.
A política de salário mínimo foi outro eixo central da virada política de Petro. Ao longo do governo, o presidente promoveu aumentos acima da inflação: 12,07% em 2024 e 9,54% em 2025. No fim de 2025, sem acordo com o empresariado, Petro dobrou a aposta. Decretou um aumento de 23,78% para o salário mínimo, um ganho real relevante considerando uma inflação em torno de 5% no ano de 2025. Novamente, o conflito marcou o processo: o Conselho de Estado, principal tribunal administrativo da Colômbia, suspendeu o aumento provisoriamente, mas Petro respondeu com um decreto transitório que manteve o valor.
Apesar do contencioso jurídico, o episódio funcionou politicamente. Petro voltou a convocar mobilizações em defesa do aumento, respondidas por sindicatos, centrais operárias e organizações sociais, que foram às ruas. A disputa sobre o salário mínimo tornou-se um dos principais temas da campanha eleitoral de 2026, e coincidiu com o salto de popularidade do presidente. Para uma parcela expressiva da população trabalhadora colombiana, o conflito foi lido não como instabilidade institucional, mas como sinal de que o presidente lutava por um salário melhor para o povo.

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