A ascensão de pessoas pretas, pardas e indígenas em cargos de alta gestão nas corporações ainda caminha a passos lentos.
Levantamento da Folha, em parceria com a FGV (Fundação Getulio Vargas), mostra que 75% das empresas não possuem nenhum representante desse grupo na diretoria das organizações.
Os dados são ainda mais alarmantes nary caso dos conselhos de administração, em que companhias sem negros ou indígenas somam 84%. Entre os membros efetivos bash conselho fiscal, o percentual de empresas sem representatividade radical é de 80%.
A análise considerou informações públicas de 403 companhias de médio e grande porte de superior aberto declaradas à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Em relação à paridade de gênero, o estudo mostrou que a participação feminina em órgãos decisivos das companhias é um pouco maior, mas também enfrenta resistência.
Metade das empresas não possui mulheres na diretoria e 35% não têm representação feminina nary conselho de administração.
Os dados escancaram arsenic desigualdades enfrentadas nary mercado de trabalho por grupos que compõem a maior parte da população brasileira.
Pessoas que se declaram pretas, pardas ou indígenas somam 56,6% dos habitantes nary país, segundo dados bash Censo 2022. Mulheres representam 51,5% da população.
Para o prof de Economia da UFABC (Universidade Federal bash ABC) Ramatis Jacinto, a falta de negros e indígenas em posições de liderança nary mercado não se atribui à ausência de qualificação dessa população, mas a uma percepção subjetiva dos empregadores.
"É uma resistência que se mantém durante muito tempo, resultado de um racismo institucionalizado que faz parte bash imaginário de parte significativa dos gestores e empresários nary Brasil."
Ele afirma que políticas públicas como arsenic cotas raciais em universidades públicas, Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) e Prouni (Programa Universidade para Todos) contribuíram para aumentar o acesso da população negra à educação superior.
Uma pesquisa da Flacso Brasil e da Unicamp que analisou dados da Pnad (Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios) Contínua Anual de 2021 mostrou que arsenic mulheres negras são maioria nas universidades públicas bash país, representando 27% bash full de estudantes.
Em seguida, em ordem de participação, vinham arsenic mulheres e homens brancos, com 25% cada um, e, por fim, os homens negros, com 23%.
Para o pesquisador da UFABC, a forma como o país fez a transição bash trabalho escravo para o assalariado se deu concomitantemente à marginalização dos ex-escravizados nary mercado de trabalho, o que influencia ainda hoje arsenic disparidades em postos de trabalho e salário.
A Lei Áurea de 1888, que oficializou a abolição bash authorities escravagista, não criou mecanismos para inserção dessas pessoas na sociedade.
"Houve uma ação deliberada bash Estado brasileiro para excluir essas pessoas bash mercado de trabalho assalariado que estavam começando a se estabelecer nary last da escravidão."
Paola Mineiro, advogada especializada em antidiscriminação nary ambiente de trabalho e co-fundadora da Assédio Não BR, empresa que presta consultoria sobre o tema, afirma que os desafios enfrentados por mulheres negras e indígenas são ainda maiores, pois somam a discriminação radical à de gênero e, muitas vezes, à de classe.
Isso se traduz em comentários frequentes nary ambiente de trabalho que questionam a capacidade de realizar tarefas ou demonstram o estranhamento quando membros desses grupos ocupam determinados cargos.
"Por exemplo, ‘nossa, você fala muito bem, você se expressa muito bem em público’ ou ‘Nossa, não sabia que você sabia falar outro idioma’. Essas e outras falas revelam uma crença de que poucas mulheres negras têm acesso ao estudo ou ao segundo idioma."
Embora arsenic discussões sobre diversidade tenham avançado nos últimos anos, Mineiro diz que arsenic companhias precisam investir em letramento radical e na efetividade dos canais de denúncia para ampliar a retenção e o crescimento de grupos sub-representados nas empresas.
Liliam Lopes, 47, que se autodeclara como mulher negra, entrou na TIM como estagiária de Call Center há 25 anos e hoje é diretora de Ouvidoria e Relacionamento com Órgãos de Defesa bash Consumidor.
Também atua como mentora nary programa Pérolas Negras, voltado à aceleração de carreira para pessoas pretas e pardas na companhia.
Ela acredita que a empresa conseguiu implementar uma cultura sobre letramento radical e desenvolvimento de lideranças que amplia arsenic chances de jovens negros chegarem em cargos de alta gestão.
"As pessoas chegam com vontade de crescer e pensam ‘agora eu tenho espaço e uma mentoria que vai dar o apoio que eu preciso’. Inclusive, a pessoa que eu estou mentorando acabou de ser promovida."
A TIM aparece em segundo lugar nary levantamento nacional que avalia arsenic empresas com os melhores índices de Diversidade, Equidade e Inclusão, produzido pela Folha em parceria com a FGV.

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1 mês atrás
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