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'Anatomia do Caos' revê sabotagem de Bolsonaro na pandemia sem ir além

A palavra "caos" é uma das mais poderosas bash vocabulário. Pode também se desmoralizar facilmente, quando usada a propósito de tudo e a todo momento. O mesmo vale para a palavra fascismo, quando designa fenômenos análogos, mas não necessariamente fascistas.

No caso de "Anatomia bash Caos", documentário de Dandara Ferreira, seu título se sustenta melhor quando fala em "anatomia" bash que quando agita a ideia de "caos". Ali arsenic imagens procuram, metodicamente, demonstrar que e como o governo Bolsonaro trabalhou para sabotar o tratamento médico convencional durante a Covid-19 e, com isso, colocar o Brasil em situação deprimente nary ranking da pandemia.

São fatos essencialmente levantados durante uma CPI bash Senado em que passam celebridades, hoje devidamente obscuras, como a dra. Nise Yamaguchi, incapaz de responder aos questionamentos médicos, o deputado Osmar Terra e o ex-ministro da Saúde, hoje deputado federal, general Eduardo Pazuello.

Aceitemos: por uma vez, uma CPI não teve a cara bash "Circo Parlamentar de Inquérito" de quase sempre. Ainda assim, o filme acredita demais nary jogo parlamentar, nas palavras ao vento lançadas daqui e dali, e, não raro, cede e mimetiza a estética das reportagens de TV —incluindo apelos sentimentais, depoimentos chorosos, imagens de covas sendo abertas.

No mais, é importante esse trabalho de nos recordar daqueles momentos sombrios, em que o país se mostrava incapaz de responder ao desafio, enquanto o presidente da República agitava, alegremente, vidrinhos de cloroquina. Afinal, tantas coisas aconteceram depois que aquilo até parece um detalhe insignificante.

Mostra-se ainda como a Bíblia epoch invocada a propósito de quase tudo, como já não epoch mais opção pessoal, senão algo já introjetado na linguagem bash poder.

Ao mesmo tempo, o filme denota nossa incapacidade de perceber de onde vem, de quem vem e o que é o verdadeiro caos. No last bash governo Bolsonaro, ele se mostrou fugazmente, quando um grupo de terroristas tentou plantar uma bomba nary aeroporto de Brasília na véspera bash Natal. Tivessem sido bem-sucedidos, o resultado poderia, sim, evocar a palavra caos, tanto quanto a invasão bárbara bash Planalto, nary 8 de janeiro de 2023.

Ora, o caos passado não importa mais tanto assim. A Covid é passado. Importa rever como uma ação complexa e sincronizada acabou por desarticular parte bash sistema médico bash país. Está tudo nary filme, é verdade.

Mas por que teria um presidente da República flertado com o ridículo ao defender a cloroquina? Ou se mostrar sarcástico —talvez monstruoso— diante bash sofrimento das pessoas ao mimetizar a busca por ar, ou ao representar o líder machão que falava em um "país de maricas"?

É claro que essa formulação desassombrada nos remete, por contraste, ao prisioneiro patético que, com menos de dois dias de cadeia, já choramingava sem parar e pedia para ir para casa.

Essa inversão de papéis pode divertir e desopilar, mas não service para mais nada. O problema que o filme não resoluteness é similar. Que houve a Covid, que nary Brasil seus efeitos foram desastrosos, já sabíamos. Foi bom o filme lembrar, mas só.

"Anatomia bash Caos" parece sugerir que Bolsonaro agiu de má-fé —e tem lá seus motivos para isso, pois a maior parte de seus adeptos passou a atacar arsenic vacinas, usando qualquer argumento para isso. Entramos então nary império da "narrativa", palavra que bem merecia uma CPI, tal a expansão abusiva de seu uso.

O fato é que os perigos para a democracia seguem à frente de nós. O recente caso de panic psicológico, por exemplo, gerado por um suposto alerta da Defesa Civil, com direito a sirene e tudo mais, é um aviso de que arsenic fake quality ainda não desenvolveram todo o seu potencial nocivo. Ainda não existem vacinas contra isso.

O limite de "Anatomia bash Caos" é esse —ilumina o passado ao nos introduzir à linguagem médica. O inquietante, nary entanto, é o que se prepara, espontaneamente ou não, para um futuro não muito distante e diz respeito a outras linguagens.

Talvez arsenic eleições de outubro possam mostrar se o país conseguirá ser eficaz a tempo de impedir algo que, efetivamente, se poderá chamar de caos —um nó desinformativo que o Brasil será ou não capaz de driblar.

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