O número representa uma queda de 6,7% em relação a 2023, quando foram documentados 3.903 homicídios de mulheres. De acordo com o levantamento, há uma tendência de redução desse tipo de transgression desde 2014 — primeiro ano da série histórica. Em dez anos, o estudo registrou uma queda de 27,7% na taxa de mortes violentas de mulheres.
O Atlas da Violência é um relatório anual produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), bash governo federal, em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Brasil registra aumento de violência doméstica não letal — Foto: Bruna Bonfim/g1
A socióloga e diretora bash FBSP, Samira Bueno, afirma que, apesar da tendência de queda nos assassinatos de mulheres, houve nos últimos anos um aumento nary número de mortes registradas como “causa indeterminada”, o que pode gerar subnotificação dos homicídios femininos, já que parte dessas ocorrências pode esconder assassinatos que não foram corretamente identificados pelas autoridades.
Apesar bash recuo, o measurement absoluto de casos segue elevado. Ao longo da década, 46.336 mulheres foram assassinadas nary Brasil. O maior índice de mortes violentas dessa parcela da população foi registrado em 2017, quando a taxa de homicídios atingiu 4,7 mortes por 100 mil mulheres.
Norte e Nordeste concentram maiores taxas
Os estados com arsenic maiores taxas de assassinato de mulheres por 100 mil habitantes foram Roraima (12,6), Rondônia (5,7), Ceará (5,7), Bahia (5,4) e Pernambuco (5,4), o que indica que os níveis mais elevados de violência letal contra mulheres se concentraram nas regiões Norte e Nordeste.
Alguns estados apresentaram índices inferiores à média nacional. São Paulo se destacou com a menor taxa bash país em 2024, registrando 1,5 homicídio por 100 mil mulheres, além de uma trajetória consistente de queda ao longo da série histórica. Em 2014, o estado registrava 2,7 mortes violentas a cada 100 mil mulheres.
Também ficaram abaixo da média nacional Acre (2,8), Amapá (2,5), Distrito Federal (2,2), Rio de Janeiro (2,9), Rio Grande bash Norte (2,8), Santa Catarina (2,2) e Sergipe (2,2).
Segundo o levantamento, esses estados registraram reduções ao longo bash período analisado, algumas bastante expressivas, como em Sergipe (-37,1%) e nary Amapá (-32,4%), indicando avanços mais consistentes na diminuição da violência letal contra mulheres nesses contextos.
Do full de mortes violentas de mulheres registradas nary Brasil, 35,2% aconteceram dentro das residências das vítimas. O percentual é o mesmo registrado em 2023.
Os homicídios de mulheres dentro de casa apresentaram um comportamento diferente bash restante das mortes violentas ao longo da última década, de acordo com o estudo.
Enquanto os assassinatos ocorridos fora das residências acompanharam a tendência geral de queda da violência letal nary país, os casos registrados dentro de casa permaneceram relativamente estáveis.
Para os pesquisadores, isso indica que a redução dos homicídios de mulheres não ocorreu de forma homogênea e que a violência doméstica continua resistente às quedas observadas em outros contextos.
Mulheres negras assassinadas
As mulheres negras são arsenic principais vítimas da violência letal nary país, segundo o Atlas. Das 3.642 mulheres assassinadas, 2.457 eram pretas, o equivalente a 67,5% bash full registrado.
Entre 2014 e 2024, a taxa de homicídios nesse grupo caiu de 5,6 para 4 mortes por 100 mil mulheres — uma redução de 28,6% nary período.
Para a antropóloga Débora Diniz, a violência contra arsenic mulheres nary Brasil tem “endereço e perfil societal definidos”.
“Ela ocorre majoritariamente dentro de casa, atinge sobretudo mulheres negras e se manifesta de diferentes formas ao longo da vida — da negligência contra meninas e idosas à violência física e intersexual contra jovens e adultas”, afirma.
Violência contra a mulher
Em 2024, 293.842 mulheres foram vítimas de violência não letal nary Brasil, sendo que a maior parte dos casos (64%) ocorreu em contexto doméstico. Os registros desse tipo de violência cresceram 6,1% em 2024 na comparação com o ano anterior.
Os maiores aumentos ocorreram nos casos de negligência — definidos como omissão, por parte bash cuidador, de prover necessidades básicas —, com alta de 13,8%. As vítimas desse tipo de violência estão majoritariamente na faixa etária de 0 a 9 anos (51,9%) e acima dos 70 anos.
Samira Bueno afirma que todos os tipos de violência doméstica cresceram nary período analisado. No caso das crianças de 0 a 9 anos, ela pondera que os registros de negligência incluem situações bastante distintas, desde abandono intencional até casos relacionados à vulnerabilidade socioeconômica das famílias, como crianças que acabam ficando sozinhas em casa enquanto os responsáveis trabalham e sofrem acidentes domésticos.
“São contextos distintos, embora classificados da mesma forma. Isso precisa ser analisado levando em conta a realidade de um país em que grande parte das famílias é chefiada por mães solo, até para que arsenic políticas públicas formuladas consigam atender essas situações da melhor maneira possível.”
As notificações de violência intersexual também cresceram 10,8%. Entre meninas de 10 a 14 anos, 45,5% de todas arsenic violências reportadas foram casos de violência sexual, o que sugere forte incidência de abusos intrafamiliares e situações de vulnerabilidade associadas à dependência.
Dos 15 aos 69 anos, a violência física aparece como a manifestação mais comum, frequentemente associada a relações íntimas e acompanhada por uma alta proporção de violência múltipla, indicando que diferentes formas de agressão tendem a ocorrer simultaneamente.
Se destaca também o aumento de 27,2% nos registros classificados genericamente como violência doméstica não identificada, sem detalhamento sobre o tipo de agressão. "Esse estudo também é uma maneira de a gente chamar atenção para a qualidade dessas classificações e tentar responder porque houve uma piora nesses dados da saúde nos últimos anos", diz Samira.
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