Relacionamentos com robôs e inteligências artificiais (IA) já não são apenas tema de ficção científica. Hoje, diversas plataformas permitem criar companheiros virtuais personalizados ou facilitam interações românticas e sexuais mediadas por tecnologia. Esse tipo de experiência faz parte do fenômeno conhecido como digissexualidade, termo que engloba práticas afetivas e eróticas envolvendo máquinas. É o caso de aplicativos de namoro, sites de pornografia, plataformas de sexo ao vivo e IAs românticas ou eróticas.
Segundo especialistas, a tecnologia pode complementar a vida íntima de parceiros humanos, ajudar quem vive relações à distância e oferecer suporte a pessoas com dificuldades de interagir presencialmente. No entanto, o uso dessas ferramentas também gera preocupações éticas, riscos à privacidade e possíveis impactos emocionais, como o aumento da solidão e do isolamento social. A seguir, entenda o que é digissexualidade e saiba como funcionam os relacionamentos entre humanos e máquinas.
O que é digissexualidade? — Foto: Reprodução/Getty Images Atração sexual por robôs e IAs tem nome: conheça a digissexualidade
O TechTudo reuniu cinco coisas que você precisa saber sobre digissexualidade na lista abaixo. A seguir, confira os tópicos que serão abordados neste guia.
- O que é digissexualidade?
- Onde surgiu o termo?
- Um robô para chamar de seu – casos reais
- O que dizem os especialistas
- Digissexualidade ainda gera polêmica e pode trazer riscos
1. O que é digissexualidade?
Digissexualidade é um termo usado para descrever práticas sexuais e afetivas que envolvem a tecnologia, como o uso de aplicativos de namoro, brinquedos eróticos conectados, sites de pornografia e plataformas de chat, áudio e vídeo para sexo ao vivo. O conceito também inclui relacionamentos entre humanos e máquinas, como inteligências artificiais, robôs e personagens virtuais. Essas experiências podem ser apenas pontuais ou gerar vínculos afetivos mais duradouros, tanto entre pessoas quanto entre humanos e máquinas.
O conceito de digissexualidade foi proposto em 2017 pelos pesquisadores norte-americanos Neil McArthur e Markie Twist. Os autores definem como digissexuais as pessoas que consideram as tecnologias sexuais fundamentais para sua identidade. O fenômeno se divide em duas fases. A primeira onda, ainda em curso, inclui o uso de ferramentas digitais na interação entre humanos. É o caso de aplicativos de relacionamento, como o Tinder, sites de sexo ao vivo e plataformas que podem ser utilizadas para práticas sexuais, como redes sociais e mundos virtuais.
O conceito de digissexualidade foi formalizado pelos pesquisadores Neil McArthur e Markie Twist em 2017 — Foto: Reprodução/Divulgação Já na segunda onda, ainda recente, a tecnologia não apenas facilita as práticas sexuais e afetivas, como se tornam o próprio objeto do desejo ou afeto. Exemplos dessa fase são pessoas que mantêm relações com robôs e personagens de IA ou que participam de experiências eróticas de realidade virtual. Nessas situações, a presença de outro humano é dispensável.
3. Um robô para chamar de seu – casos reais
Um caso que ganhou repercussão na mídia foi a história da norte-americana Rosanna Ramos, de 36 anos, que se casou com um chatbot de inteligência artificial em uma cerimônia simbólica, em 2023. O parceiro virtual, inspirado em um personagem do anime Attack on Titan, foi criado por ela no aplicativo Replika. Segundo Rosanna, o relacionamento com a IA teve um papel importante em seu processo de cura emocional após experiências traumáticas em relacionamentos anteriores.
Rosanna Ramos se casou com um chatbot de IA que criou usando o app Replika — Foto: Reprodução/Instagram Já a influenciadora chinesa Lisa Li, que tem quase um milhão de seguidores, ganhou popularidade na plataforma Xiaohongshu em 2024 ao compartilhar seu dia a dia com Dan, namorado virtual criado a partir de uma versão modificada do ChatGPT. O nome do companheiro artificial vem da sigla DAN, de Do Anything Now (“Faça Qualquer Coisa Agora”, em livre tradução), um modo alternativo do chatbot, não autorizado pela OpenAI, que ignora filtros de segurança para permitir respostas mais ousadas e personalizadas.
Seguindo um tutorial no TikTok, Lisa programou o assistente para ser mais carinhoso e compreensivo. Seus vídeos viralizaram e influenciaram outras mulheres a criarem companheiros semelhantes.
A chinesa Lisa Li compartilha a rotina ao lado do namorado Dan, uma versão modificada do ChatGPT — Foto: Reprodução/@midnighthowlinghusky A norte-americana Ayrin (nome fictício), de 28 anos, também se relaciona com uma versão personalizada do ChatGPT, o Leo. Segundo reportagem do The New York Times, publicada em janeiro deste ano, a inteligência artificial passou a simular interações afetivas e até fantasias sexuais envolvendo amantes fictícios, como parte dos fetiches de Ayrin.
Mas o relacionamento também enfrentou desafios, como avisos sobre conteúdo impróprio e a perda de memória do bot ao atingir 30 mil palavras. A mulher, que é casada com um humano, gasta cerca de R$ 1,2 mil mensais com a plataforma e chega a passar mais de 50 horas por semana conversando com namorado virtual. O marido sabe da existência de Leo e diz não se importar, já que os amantes não podem concretizar relações sexuais.
4. O que dizem os especialistas
McArthur e Twist, pesquisadores que definiram o conceito de digissexualidade, defendem que essas práticas podem ajudar pessoas que têm dificuldade de encontrar parceiros humanos presencialmente, seja devido a doenças, barreiras psicológicas e sexuais ou problemas de mobilidade, por exemplo. Os estudiosos também acreditam que a tecnologia pode promover novas formas saudáveis de prazer.
Além disso, há estudos que apontam para os benefícios das tecnologias sexuais na comunicação entre casais que se relacionam à distância e para quem precisa de auxílio para melhorar suas habilidades românticas ou para lidar com a rejeição.
Tecnologias sexuais podem auxiliar pessoas com dificuldade de encontrar parceiros humanos, dizem especialistas — Foto: Reprodução/REUTERS No entanto, McArthur e Twist ressaltam que a digissexualidade também pode ser problemática, levando práticas ilegais ou antiéticas, aumentando o isolamento e até prejudicando relacionamentos entre parceiros humanos. Dois estudos realizados pela OpenAI e pelo MIT, por exemplo, apontam que o uso excessivo de chatbots para desabafar ou lidar com emoções pode estar ligado ao aumento da solidão e à diminuição das interações sociais, além de gerar dependência dessas plataformas.
Para Kathleen Richardson, especialista em Ética e Cultura de Robôs da Universidade de Montfort, na Inglaterra, as máquinas não conseguem reproduzir os vínculos afetivos reais, que exigem intimidade e reciprocidade. A professora também lidera uma campanha para proibir a propaganda de robôs como “namorados ou namoradas perfeitos” e apoia políticas públicas para impedir que esses produtos objetifiquem as mulheres.
A preocupação tem base científica: um estudo de pesquisadores canadenses revelou que homens que expressam opiniões misóginas — ou seja, aversão, desprezo ou desvalorização das mulheres — tendem a demonstrar mais interesse em relações sexuais com robôs.
5. Digissexualidade ainda gera polêmica e pode trazer riscos
O uso de tecnologias sexuais também tem levantado preocupações em relação à privacidade online. Relatórios da Mozilla Foundation destacam que aplicativos de namoro e chatbots românticos de IA costumam coletar, compartilhar ou vender informações confidenciais e pessoais. Esse risco não se restringe às plataformas de relacionamento, mas pode ser mais grave em casos de interações íntimas, que envolvem dados sensíveis sobre a vida emocional, sexual e comportamental dos usuários.
Apps de relacionamento e chatbots românticos podem colocar privacidade do usuário em risco ou obter lucro com dados sensíveis — Foto: Reprodução/oatawa/iStock Além disso, a digissexualidade não é um consenso e pode ser alvo de estigmas e preconceitos. Um estudo publicado na Psychology Today indicou que 59,14% das mulheres e 52,59% dos homens em relacionamentos veem parceiros de IA de forma negativa. Já a Geração Z parece estar mais aberta a novas formas de interação com a tecnologia.
Uma pesquisa realizada pela plataforma Joi AI revelou que 83% dos jovens acreditam ser possível desenvolver conexões emocionais significativas com chatbots de inteligência artificial e que 80% considerariam casar com uma IA, caso fosse legalmente permitido. Além disso, 75% dos entrevistados acreditam que parceiros digitais poderiam substituir completamente a companhia humana.
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7 meses atrás
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