A intervenção do Banco Central em instituições de crédito sempre foi novela de um só capítulo. Nos casos dos bancos Econômico, Nacional e Bamerindus, os auditores iam lá, arrolavam os malfeitos e, aos poucos, o caso sumia.
A quebra do Master e de Daniel Vorcaro inovou, como se fossem duas as histórias.
Uma é a das fraudes, que podem afetar 1,6 milhão de credores, num montante de R$ 41 bilhões. Segundo o ministro Fernando Haddad, o Master pode vir a ser "a maior fraude bancária" da História do país.
A outra é o que parece ser uma operação para abafar as conexões de Vorcaro e a balbúrdia que se estabeleceu no Judiciário. O ministro Dias Toffoli baixou uma ordem de sigilo nas investigações.
Determinou que a Polícia Federal só avançasse nos seus trabalhos depois de obter sua autorização. Finalmente, resolveu que quatro peritos, por ele indicados, tivessem acesso às provas guardadas nos computadores e nos celulares dos investigados. Toffoli foi defendido pelo presidente do tribunal, que considerou "regular" sua atuação.
Somaram-se episódios girafescos. A mulher do ministro Alexandre de Moraes tinha um contrato milionário para serviços advocatícios. Noutra ponta, Toffoli foi ao Peru ver uma partida de futebol no jatinho de um empresário amigo, em companhia de um advogado de um diretor do Master.
O juiz Paulo Fernando de Britto Feitoza, do Tribunal de Justiça do Amazonas, mandou retirar do ar reportagem publicada pela Folha sobre processo de análise do Incra a respeito de projeto de crédito de estoque de carbono que tem como investidores parentes de Vorcaro.
O que era uma fraude bancária tornou-se uma crua exposição das condutas impróprias e erráticas de magistrados. No olho desse furacão, está a galeria de conexões do banqueiro Daniel Vorcaro.
O Banco Central interveio em 1995 nos bancos Econômico e Nacional. O Econômico era do ex-ministro da Indústria durante a Ditadura Ângelo Calmon de Sá, filho de uma família cujas conexões com o poder remontavam ao tempo do Império. Numa de suas salas, guardava numa pasta listas com doações a políticos.
O Nacional pertencia aos filhos de José de Magalhães Pinto, ex-governador de Minas e ex-ministro das Relações Exteriores. Um de seus diretores, José Luiz de Magalhães Lins (1929-2023), foi um arquivo vivo do poder em Pindorama. Nos dois casos, as investigações pararam ao chegar às conexões dos bancos com o andar de cima.
No caso do Master, a coisa foi diferente. Daniel Vorcaro é neto de um imigrante italiano, seu pai nunca foi ministro nem governador. Ele entrou para o mundo financeiro em 2018 e quebrou sete anos depois. Foi Vorcaro quem teceu a rede de conexões do Master.
Audacioso, oferecia eventos, parcerias, negócios e empréstimos a poderosos deste século. Na queda, viu-se amparado, mas teve contra ele as investigações da Polícia Federal, que foi mantida ao largo nos casos do Econômico e do Nacional.
Abafar o caso do Banco Master tornou-se um empreendimento arriscado: brigar com polícia pode ser um mau negócio e brigar com a Federal é certamente uma péssima ideia.
O caso do Master está ainda no meio do caminho. A primeira metade, a das fraudes, toca um disco velho. A do abafa toca um disco novo e ainda está na segunda faixa.
Madame Natasha
Madame Natasha coleciona discursos e votos do ministro Edson Fachin. A senhora resolveu conceder-lhe uma de suas bolsas de estudo pela seguinte frase: "É induvidoso que todos se submetem à lei, inclusive a própria Corte Constitucional; nada obstante, é preciso afirmar com clareza: o Supremo Tribunal Federal não se curva a ameaças ou intimidações".
Como o doutor não mencionou quem ameaça o Tribunal, poderia ter dito apenas o seguinte: "O Supremo não se curva".

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