Os principais clãs familiares da política brasileira voltam às urnas em outubro para testar a força de seus sobrenomes e tentar retomar o protagonismo em uma eleição marcada por forte polarização nacional e um cenário competitivo nos estados.
Ao menos quatro filhos e dois netos de ex-governadores, além de um sobrinho de governador em exercício, vão concorrer ao Executivo estadual nas eleições. Também disputam o cargo de governador dois filhos de senadores em mandato e três filhos de ex-senadores.
Nas campanhas, eles devem equilibrar a memória das gestões de seus familiares com o desafio de mostrar que têm luz própria e podem representar uma renovação política.
Mais influente clã da história recente do país, a família Bolsonaro quer voltar à Presidência com o senador Flávio Bolsonaro (PL). O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que comandou o país entre 2019 e 2022, está inelegível e cumprindo prisão domiciliar condenado na trama golpista.
Será a primeira vez no Brasil que o filho de um ex-presidente da República vai concorrer ao mesmo cargo com uma candidatura competitiva. Em 2018, o filho do ex-presidente João Goulart disputou a Presidência pelo PPL, mas foi o menos votado entre os 13 candidatos naquela eleição.
A família Bolsonaro tentará ampliar a presença no Congresso, com Carlos Bolsonaro e Michelle Bolsonaro candidatos ao Senado e Jair Renan Bolsonaro disputando uma cadeira na Câmara, todos pelo PL.
Nos estados, quatro candidatos vão tentar repetir o feito dos pais e se elegerem para o cargo de governador. Na história recente do Brasil, seis estados já foram governados por pais e filhos: Pernambuco, Paraná, Santa Catarina, Paraíba, Maranhão e Pará.
Neste ano, a principal novidade são as candidaturas de filhos e netos de ex-governadores no campo da esquerda, historicamente menos aberta a dinastias familiares na política brasileira.
O nome mais simbólico é o do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), que iniciou sua pré-campanha ao Governo de Pernambuco exaltando o legado de seu pai, Eduardo Campos, e do bisavô Miguel Arraes, ambos ex-governadores.
Ele concorre contra a atual governadora Raquel Lyra (PSD), também filha de um ex-governador. João Lyra foi vice de Eduardo Campos, pai de João, e o sucedeu por um período de nove meses em 2014.
Ao contrário de 2020 e 2022, quando a família Campos-Arraes esteve rachada, neste ano João Campos estará no mesmo palanque da prima, a ex-deputada Marília Arraes (PDT), que será candidata ao Senado.
No Rio Grande do Sul, a esquerda se uniu em torno da candidatura da ex-deputada Juliana Brizola (PDT), neta de Leonel Brizola, um dos principais líderes da esquerda brasileira no século 20 e que foi governador do Rio Grande do Sul nos anos 1960 e do Rio de Janeiro nos anos 1980 e 1990.
A esquerda também estará unida no Paraná com Requião Filho (PDT), deputado estadual que concorre ao governo. Ele é filho de Roberto Requião, que governou o estado por três mandatos e agora é candidato a deputado federal.
A cientista política Priscila Lapa, professora da Universidade Federal de Pernambuco, diz que os sobrenomes ainda têm peso eleitoral, mas não se sustentam se for o único argumento de campanha. Também diz ver pragmatismo na esquerda ao apostar em legados familiares.
"Apesar da origem nas lutas da classe trabalhadora, os partidos de esquerda não escapam de utilizar as ferramentas tradicionais da política para buscar competitividade."
Dentre os candidatos da centro-direita, ACM Neto (União Brasil) volta a desafiar o governador Jerônimo Rodrigues (PT) na Bahia sob o legado do avô Antônio Carlos Magalhães, que comandou o estado por três mandatos.
O passado político da família tem sido usado pelos governistas para criticar o ex-prefeito de Salvador. "Aqui no Nordeste está cheio de gente que se apresenta como novo, mas é a velha oligarquia", afirmou o ex-ministro Rui Costa (PT).
ACM Neto rebateu as críticas e disse que o adversário age com destempero.
O governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), concorre à reeleição sob as bases de uma tradição familiar iniciada por seu pai, Maguito Vilela, governador de 1995 a 1998.
Ele já havia sido candidato a governador em 2018, quando perdeu para Ronaldo Caiado (PSD), de quem se tornaria vice na eleição seguinte. Caiado, que disputa a Presidência, lançou a esposa, Gracinha Caiado (União Brasil), como candidata a senadora.
No Maranhão, o governador Carlos Brandão (sem partido) terá o próprio sobrinho, Orleans Brandão (MDB), como candidato à sua sucessão. A escolha bagunçou o campo lulista e enfureceu petistas, que veem na candidatura a tentativa de criar uma nova oligarquia no estado.
"Nosso estado não pode ser tratado como se tivesse dono, sobrenome ou sucessor escolhido dentro de casa", disse o vice-governador Felipe Camarão (PT), que rompeu com Brandão.
Orleans, que vai disputar a sua primeira eleição, vai para a eleição ancorado em uma aliança com 12 partidos. Não há impedimento legal, já que a lei eleitoral não proíbe a candidatura de sobrinho de governador, considerado parente de terceiro grau.
Ao menos cinco filhos de senadores e ex-senadores concorrem aos governos estaduais, dentre eles Lucas Ribeiro (PP) e Efraim Filho (PL) na Paraíba, Natasha Slhessarenko (PSD) em Mato Grosso, e Expedito Netto (PT) em Rondônia.
A lista também inclui o já senador Renan Filho (MDB), filho do também senador Renan Calheiros (MDB), que vai tentar se eleger governador de Alagoas pela terceira vez.
Caso tenham sucesso nas urnas, esses candidatos devem protagonizar uma volta por cima dos clãs familiares, em baixa desde 2018, eleição que marcou o ocaso de famílias como os Sarney e os Lobão, no Maranhão, e os Maia e os Alves, no Rio Grande do Norte.

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